sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ouro vs Bitcoin

Ouro... comprovado que funciona há milhares de anos. 


O que eu acho curioso é aqueles que pensam que alguma coisa vai dar certo só por estarem a ter o privilégio de viverem o momento e que estão a contribuir para a ascensão de uma nova era quando na verdade temos um mundo que já é velho e sabido há muito tempo.




mais uma vez Peter Schiff esteve certo.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Capitalismo em apuros?

 José Manuel Moreira,


Corre por aí que "tudo o que temíamos acerca do comunismo - que perderíamos as nossas casas e as nossas poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema - se converteu em realidade com o capitalismo."

Esta mensagem-purgatório, atribuída a um activista - uma nova profissão -, expressa um equívoco sobre o sistema em que vivemos. Resultante de um intervencionismo que levou ao crescimento desmedido do Estado - fruto da ilusão em recursos públicos ilimitados - e terminou em défice fiscal e em défice de consenso político: "não contem com o PS para mais austeridade." Armadilha donde não sairemos sem perceber que o "sistema" não cabe em dicotomias como socialismo-capitalismo e política-economia, que aparecem em recente e cuidado texto de Francisco Assis sobre o livro de Vítor Gaspar.

Mises costumava dizer que é necessário distinguir entre capitalismo puro e capitalismo intervencionado. Em ambos existe propriedade privada, mas enquanto no primeiro há lugar para a concorrência privada entre empresários, no segundo a concorrência concentra-se no âmbito político, ou na ideia de obter uma série de privilégios da parte do Estado para evitar justamente a concorrência económica. No primeiro, reina a soberania do consumidor.

No segundo predomina o clientelismo, as regulações e os subsídios. É este "maldito" capitalismo de Estado de desperdício, conhecido também como "terceira via" ou neomercantilismo, que está em apuros. O que ajuda a perceber por que tantos "instalados" acham a protecção melhor que a concorrência e por que, apesar das boas intenções, os governos acabam quase sempre por atingir resultados opostos aos que se propõem. E dá para entender por que os nossos problemas, mais que de falta de liderança, são de excesso de incentivos para se olear a máquina dos interesses organizados em vez de se servir o bem comum. Interesses que vivem do Estado e dependem dele para o sucesso de "negócios" reveladores de que nem os governos, nem os partidos, são compostos por anjos. Daí o perigo acrescido de se tentar corrigir "falhas do mercado" sem atender às "falhas do Estado". E sem se dar conta de que o "arco dos poderes" é mais largo e perverso do que o da governação. Nele embandeiram todos os que, a coberto do "buraco negro" do Estado social, se louvam nos media e nas redes de dependência do OE e dos fundos europeus.

Um modelo parasita-hospedeiro que, embora continue a minar a vitalidade do hospedeiro e, assim, a enfraquecer o parasita, ainda nos impede de ver a verdadeira razão do nosso purgatório e de acertar nas reformas necessárias para a mudança. Até lá, continuaremos propensos à discussão entre saída limpa e programa cautelar e a ouvir Seguro perguntar: por que precisa o País de mais cortes, como diz a ‘troika', se está melhor, como diz o PSD?

aqui

No Que Diz Respeito à Prostituição, Salazar Era Um Libertário




Salazar “acondicionou” a prostituição. Criou leis que remetiam a prática da prostituição a determinadas zonas das cidades, criou um sistema de fiscalização da saúde física das prostitutas com um acompanhamento médico gratuito e regular. Salazar compreendeu que é impossível acabar com a chamada “profissão mais antiga do mundo”. 


Salazar era um libertário, quando comparado com uma parte importante da esquerda “libertária” europeia

O Parlamento Europeu (PE) vota na quarta-feira uma recomendação sobre a criminalização dos clientes das prostitutas com idade inferior a 21 anos, mas de impacto nulo nas leis nacionais, qualquer que seja o resultado. 

A recomendação, de que é relatora uma deputada socialista britânica, defende o exemplo da Suécia, Noruega e Islândia (o chamado modelo nórdico), onde o recurso aos serviços de prostitutas é criminalizado.

"A compra de serviços sexuais a pessoas que se prostituem com idade inferior a 21 anos deve ser considerada um ato criminoso, mas, em contrapartida, os serviços prestados por pessoas que se prostituem não devem ser puníveis", diz o relatório da comissão parlamentar dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, que será votado em plenário na quarta-feira.

Não é possível proibir a prostituição. O que é possível é dissuadir as mulheres que a praticam, através de planos de alternativa de vida que podem ser financiados por entidades privadas (mecenas) ou/e públicas.

Salazar via mais com um só olho semicerrado do que esta escumalha política com os três abertos.


Orlando Braga
25 de Fevereiro de 2014


De volta à escola porque não há outro caminho


Universidade do PS - Guru Económico do "há outro caminho"


O único caminho certo é aprender de novo economia (com casos práticos).


Socialismo, sucesso em qualquer lugar...




E que culpa tem o diabo?

Diabo é cortado de filme bíblico por semelhança com presidente Obama

Em 'Son Of God', produção derivada da série 'A Bíblia', personagem que interpreta satã foi editado para evitar mais controvérsias

Diabo da série de TV 'The Bible' e Barack Obama
Diabo da série de TV 'The Bible' e Barack Obama (Reprodução/Ron Sachs-Pool/Getty Images)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dinheiro de verdade

Casal encontra 7,3 milhões de euros em moedas de ouro

Descoberta foi feita numa árvore na Califórnia

 

Que retoma?


Hoje em dia ouvimos o governo falar da retoma, que a economia está mais pujante e que já batemos no fundo e que agora vamos começar a "crescer".

Dizem isto porque o PIB voltou a crescer, mas será que o PIB é de facto um bom indicador da riqueza criada? e um crescimento do PIB é algo sempre positivo?


Na óptica da despesa este é calculado da seguinte forma


     PIB=C+I+G+X-M

C-consumo
I-investimento
G-Gasto do Estado
X-exportações
M-importações

Então daqui podemos concluir que se o Estado contrair divida e gastar (por exemplo, dando um subsidio para alguém ficar em casa a coçar a micose), o PIB automaticamente aumenta (não vou estar aqui a debruçar me sobre o multiplicador da despesa, dado que o mais provável é que o receptor gaste num negócio privado e parte deste subsidio regresse ao estado sobre a forma de imposto cobrada ao agente privado).
Mas se o Estado não conseguir manter esse gasto, o PIB diminui automaticamente.
O que retiramos desta pequena formula matemática é que o facto do gasto do estado entrar na forma de calculo torna muito fácil a manipulação por parte dos politicos.

Vejamos sendo Eu um politico e sabendo que as pessoas são ignorantes e gostam de o ser, sabendo que se sair uma noticias a dizer que o PIB cresceu um X % , vou aumentar o Gasto do Estado de forma a que manipule a situação, para ganhar votos.
Podemos ter um caso que a taxa de crescimento do PIB ser positiva e este facto ser negativo(que foi o que aconteceu a Portugal nos últimos 20anos).



Se PIB cresce a uma taxa inferior à de crescimento da divida esta será insustentável, o que hoje assistimos é que todo o crescimento é consumido and then some pela divida.
Não podemos esquecer que a divida do Estado, é impostos que ficaram por colectar, mais os juros.

Logo enquanto o Estado tiver deficit (acumular divida) isto quer dizer que não cobra o suficiente para os gastos que tem.

Um deficit não é mais que uma manipulação por parte do politico, dando algo a alguém que não é seu para dar.

Seria mais interessante calcular o PIB privado, descontando toda a influencia do Estado, para se determinar a real criação de riqueza.


Não aprendemos nada com as sucessivas crises, e assim vai continuar a  ser...








Socialismo e o culto dos mortos




Zài Jiàn $ (adeus Dólar)



(Via António Maria)

A China começou a comprar ouro em doses maciças, fabrica bitcoins em Hong Kong, estabelece acordos bilaterais em yuans por toda a parte e, last but not least, começou a desfazer-se do Evereste de papel higiénico verde que os americanos lá foram despejando ao longo dos últimos vinte anos.


China Starts To Make A Power Move Against The U.S. Dollar


A censura

"Já não é necessário lutar contra a censura à imprensa; o que nós temos é uma censura pela imprensa."

Chesterton, Ortodoxia, 1908


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Hoje, Portugal não é senão uma ideia

Hoje, Portugal não é senão uma ideia. Em termos políticos e económicos, não passa de uma máquina burocrática ao serviço de partidos, poderes e organizações internacionais.

Académica e culturalmente, não vai além de uma planificação apostada num revisionismo ideológico que permanentemente omite, distorce e falsifica tanto a 
verdade histórica como a verdade permeada por valores científicos, artísticos e filosóficos.


Miguel Bruno Duarte aqui

Empreendedorismo socialista

Cubano foge para a América numa prancha de Windsurf




O engenho explosivo do FED

"Quem provocou a crise financeira continua a ganhar e não mudou nada nos últimos anos? Ou seja: alguma coisa mudou nos mercados financeiros?

Não. Ao nível da banca de investimento está tudo igual e, provavelmente, até piorou. Hoje o número de bancos é menor e o nível de risco está muito mais concentrado em muito menos instituições do que antes de 2008. O problema é hoje muito superior, os bancos são maiores. Se antes tinham activos de 500 mil milhões, hoje há vários com um ou mais triliões de activos, o que significa que o risco aumentou. Melhorou-se as áreas de risco dentro das instituições, a supervisão está mais atenta aos movimentos de mercado para perceber como é que vão afectar o risco sistémico, mas a parte comportamental [dos banqueiros e funcionários] está na mesma."


...

É expectável que daqui a uns anos voltemos a assistir a uma crise de dimensões semelhantes, ou superiores, às de 2008?
Olhando para o passado, lembro-me que, em 1997, um banco foi à falência com 700 ou 800 milhões de dólares de perdas por causa da crise russa. Estes valores são agora considerados normais, o BCP perdeu 740 milhões, a CGD 576 milhões  e o BES 510 milhões. Actualmente entre o que se ganha e o que se perde os valores são completamente loucos. A possibilidade de se estar a criar uma crise ainda mais sistémica, ao nível do mundo inteiro, é hoje muito superior do que seria há uns anos. Não é uma questão de supervisão ou de regulação, mas é comportamental. A banca de investimento viu reduzido os seus riscos, que passaram para onde? Para os hedge funds, para os fundos de maior alavancagem e de maior especulação, intermediários que, muitas vezes, nem são regulados. Os riscos passaram para um número muito maior de pessoas [os subscritores dos fundos].



João Ermida aqui (a ler todo o artigo)





O crédito neoliberal e os aliados do capitalismo de casino

«O crédito "neoliberal" possibilitado pelo euro passou a ser a primeira ferramenta dos governos socialistas, do keynesianismo alcatroado e do Estado social. Guterres e Sócrates não reduziram a função pública e também recusaram qualquer reforma no sistema de pensões, porque tinham à mão o tal crédito "neoliberal". É por isso que é tão absurda a falácia dos últimos anos. Não, não há um abismo entre Estado social e mercados, porque o Estado social é o maior cliente das praças financeiras; sem os mercados, os salários da função pública seriam infinitamente mais pequenos porque dependeriam apenas da nossa receita fiscal. Neste momento, os cortes austeros são necessários porque são a única forma de travarmos esta dependência extrema dos merca- dos e a perpetuação-do endividamento. É assim tão difícil compreender isto? A austeridade não é a defesa dos merca- dos, é o oposto, é a negação do Estado viciado no crédito. Por outras palavras, Sócrates e Guterres, e não Gaspar, é que são os verdadeiros "neoliberais" desta história. Aqueles que gritam "queremos as nossas vidas de volta" é que são os principais aliados do "capitalismo de casino".

Mas, como relembra Vítor Gaspar, a governação não foi a única culpada. As famílias começaram a consumir importações com dinheiro que não tinham, isto é, pediram crédito aos bancos portugueses, que, por sua vez, pediram crédito aos bancos estrangeiros porque a taxa de poupança de Portugal desceu para os 10% negativos ao ano. Resultado? Numa década, a dívida externa passou de 64% para 230% do PIB. A ausência do mercado de arrendamento e a inevitável compra de casa através do banco só reforçou esta tendência suicida. E as empresas? Viciaram-se no consumo interno e no keynesianismo alcatroado, deixando de lado as exportações. Em consequência, acumulámos um défice externo brutal. Tendo em conta este cenário, Vítor Gaspar relembra que Portugal só tinha dois caminhos em 2011: ou fazíamos um ajustamento em câmara lenta com a troika ou tínhamos uma bancarrota abrupta; ou empobrecíamos uns pontos percentuais dentro do euro ou conhecíamos o terror argentino no regresso ao escudo.»

Henrique Raposo, «Gaspar tem razão», no Expresso

Bom dia!


Aguardamos o comunicado do PCP

à situação ucraniana


o comunicado da situação venezuelana foi muito útil aos venezuelanos para limparem o cu... 


sábado, 22 de fevereiro de 2014

A camisa de forças da Ucrânia



Os problemas do capitalismo resolvem-se com mais capitalismo

Nunca com o socialismo...

Como a Finlândia sobreviveu à Nokia

Na entrada do número 11 em Itämerenkatu, centro de Helsínquia, há várias filas de móveis expositores vazios. Os elevadores estão parados, não há rececionista e as luzes estão quase todas apagadas. É um antigo centro de investigação da Nokia, que chegou a ter 1200 engenheiros e foi encerrado há dois anos. Os expositores, que antes exibiam centenas de telemóveis, permanecem vazios na entrada. Simbolizam a queda da mais poderosa empresa da história da Finlândia.

“No seu pico, a Nokia pesou 4% no nosso Produto Interno Bruto. E representava 17% do total de exportações. É muito”, reconhece Alexander Stubb, ministro finlandês dos Assuntos Europeus e Comércio Externo. Nesse pico, detinha 40% do mercado mundial de telemóveis, 51% dos smartphones e empregava mais de 123 mil pessoas. A queda foi vertiginosa: despediu 35 mil pessoas desde 2008, o valor em bolsa caiu mais de 80% e acabou por vender a divisão móvel à Microsoft, em 2013, pelo preço de saldo de 5,44 mil milhões de euros.
O impacto na Finlândia foi devastador, até porque coincidiu com o início da crise mundial. Milhares de engenheiros altamente especializados e bem pagos foram para a rua, as fábricas e centros de investigação foram fechados e as exportações de tecnologia caíram dramaticamente. O PIB finlandês, que crescera 5,3% em 2007, fez uma travagem brusca em 2008, subindo 0,3%. No ano seguinte, mergulhou na crise: o PIB afundou 8,2%. “A crise foi pior por causa da transformação estrutural da economia finlandesa, que teve lugar na mesma altura que a Nokia. Tudo isto sobrecarregou a Finlândia”, analisa Penna Urrila, diretor de política económica da Confederação das Indústrias Finlandesas.
A última gota para o orgulho finlandês foi a venda da divisão móvel à Microsoft. Mas os efeitos da desgraça da Nokia foram mais que económicos: foi uma onda de choque que abalou a sociedade finlandesa, muito avessa ao risco. De um momento para o outro, a empresa mais sólida do país desmoronou-se. “Quando me mudei para cá em 2007, as pessoas queriam trabalhar na Nokia ou na função pública. Estudavam engenharia e iam para a Nokia, era o projeto de vida. De repente, isso desapareceu”, conta o suíço Chris Thür, CEO da Ovelin, que faz jogos para aparelhos móveis. Essa segurança que as pessoas procuravam ecoava os efeitos da grande recessão de 1990, em que milhares de empresas fecharam,o desemprego bateu nos 18% - numa população que não chega aos 5,4 milhões de pessoas - e houve uma elevada taxa de suícidos. O fantasma regressou com a crise da Nokia.
Porque é que a Nokia falhou?
Uma empresa não perde 10 mil milhões de euros em vendas nem despede quase um terço da sua força de trabalho em seis anos por uma única razão. Mas não há empresário, estudante ou governante que hesite em identificar, numa palavra, o seu carrasco: o iPhone. “A Nokia, como empresa, subestimou a Apple”, sintetiza Penna Urrila. O smartphone criado por Steve Jobs foi anunciado em janeiro de 2007 e chegou às lojas em junho desse ano. A Nokia não lançou um “iPhone Killer” e desvalorizou a novata durante mais de um ano - o tempo que a Apple demorou a vender 15 milhões de iPhones. Por essa altura, os modelos táteis já invadiam o mercado e o lançamento do Android, que a Google licenciava gratuitamente, fez o resto. A empresa abandonou os sistemas operativos Symbian e MeeGo para usar o Windows Phone. Foi tarde demais. No primeiro trimestre de 2012, a Nokia já reportava prejuízos de 929 milhões de euros. No final desse ano, a Samsung acabou com o seu reinado de 14 anos e tornou-se a maior fabricante mundial de telemóveis.
“Foi o problema de não arriscarem. Porque a Nokia já tinha tudo o que vai aparecer agora há anos, mas não havia coragem de arriscar em tecnologias novas.” Valério Valério, um engenheiro português de 29 anos, foi trabalhar para a Nokia na Finlândia quando as coisas ainda estavam boas. Assistiu a tudo. “Foi muito: ‘ok temos isto, é 50% do mercado, está bom assim não se mexe’.” Depois, o jogo político. “Há uma secção que traz muito dinheiro, e se outra secção tenta fazer algo que vai colidir com ela, matam-se umas às outras. Houve um jogo politico, que era visível na organização.” Com a venda da divisão móvel à Microsoft, a Nokia que resta vai focar-se nos equipamentos de rede, na tecnologia de mapas e na rentabilização das patentes que detém.

Os efeitos inesperados
No edifício fantasma onde antes trabalharam 1200 engenheiros da Nokia, em Helsínquia, quase todas as luzes estão apagadas. Todas, menos as de dois escritórios recentemente ocupados: um no piso superior e outro no inferior. Se os milhares de metros quadrados vazios simbolizam a queda do império, estes espaços representam a nova era. Em cima está a Supercell, criadora do jogo Hay Day, e em baixo está a Jolla, a que o mercado chama de “nova Nokia” e que em dezembro começou a vender o seu primeiro smartphone, com o sistema operativo Sailfish, baseado no MeeGo - que a Nokia deitara para o lixo.
“Beneficiámos da situação na Finlândia, simplesmente pelo que aconteceu à Nokia”, reconhece Tomi Pienimäki, CEO da empresa. Praticamente todos os funcionários, cerca de 100, vieram da Nokia. Incluindo o português Valério Valério. “Agora somos a única opção finlandesa”, diz. “Foi uma oportunidade no sentido em que é fácil contratar as melhores pessoas, há muito conhecimento disponível, o que não haveria se a Nokia não tivesse falhado. Não estaríamos aqui.”
Este foi o efeito colateral que beneficiou toda a economia finlandesa, explica o ministro Alexander Stubb. “A Nokia foi uma grande porção da nossa economia, mas eu olho para o lado positivo: há alguns milhares de engenheiros que saíram de lá nos últimos anos, receberam dinheiro e criaram mais de 500 startups.” O resultado é visível. A cena das startups na Finlândia explodiu de tal maneira que já é uma das mais importantes da Europa. Não é uma coincidência que empresas como a Rovio, criadora do jogo Angry Birds, e a Supercell, criadora do Hay Day, venham ambas do mesmo meio. O governo finlandês está a investir fortemente nesta nova faceta da economia finlandesa, uma que não existia há bem pouco tempo, quando o empreendedorismo era visto como algo exótico e arriscado. “Queremos ser o polo central das startups na Europa. Não apenas do norte da Europa: de toda a Europa, ponto de exclamação”, frisa o ministro Stubb. O governo tomou medidas para incentivar esta explosão: reduziu a taxa de impostos para as empresas, de 24% para 20% (abaixo dos 22% da Suécia), e criou isenções fiscais para os investidores (angels) que invistam em startups. 
Adicionalmente, há uma agência governamental, Tekes, que todos os anos concede cerca de 40 milhões de euros de capital aos projetos mais promissores. Marjo Ilmari, diretora de startups na Tekes, é responsável pela seleção das 30 a 40 empresas que recebem o dinheiro anualmente, até um milhão de euros. “Há milhares de startups agora. O mais importante para a escolha é a equipa: se é de topo, tem boa experiência, boas capacidades de aprendizagem”, explica. “Somos um país pequeno, a empresa tem de apontar para o mercado internacional, tem de ter uma vantagem competitiva, fazer as coisas de outra maneira.” Tanto a Rovio como a Supercell foram financiadas pela Tekes, embora Ilmari reconheça que “muitas empresas falham.”
A Tekes entra na parte do financiamento, mas é em ambientes como a Helsinki Think Company e a Startup Sauna que as empresas se fazem ou morrem. A Sauna´é a maior organização de apoio a empreendedores da região, com uma característica única: a universidade de Aalto financia, mas são os estudantes que dirigem. “Está a produzir tantas empresas que vem gente de outras universidades e incubadoras ver como fazemos. Tivemos aí o príncipe da Noruega”, conta Tiina Liukkonen, diretora de comunicação da conferência Slush, organizada pela Startup Sauna. O espaço onde tudo acontece é um antigo armazém de desinfetante para as mãos, que foi cedido aos estudantes. A sala de reuniões não tem mobília: é uma sauna, literalmente, com um quadro em branco e marcadores. “Temos três programas de aceleração, dois com 20 a 30 equipas e um com 10 equipas, no verão.”
Na incubadora, os aspirantes recebem aconselhamento e são guiados por mentores, que criaram as suas próprias startups no passado e sabem como resolver os problemas. No programa Startup Life, são enviados para Silicon Valley, com financiamento da universidade, para acelerarem a sua empresa durante 3 a 5 meses. Depois, há novembro. O mês mais frio e difícil de suportar, o pior do inverno na Finlândia, também é o mês da Slush, uma mega conferência que no ano passado juntou 1200 empresas, 400 investidores e sete mil participantes numa antiga fábrica da Nokia, em Helsínquia. “A Slush é a maior conferência de startups tecnológicas na Europa e na Rússia”, conta Tiina. Este ano, esperam crescer para 10 mil participantes. Uum número espantoso para uma conferência que começou com 200 pessoas em 2011 e era um projeto pessoal de Mikka Kuusi, co-fundador da Rovio. O que este evento está a fazer é a pôr a Finlândia no radar dos investidores: foram 60 mil milhões de euros de capital de risco na edição do ano passado. E, mais uma vez, a Nokia: “Muitas capitais de risco sabem que agora há uma grande massa de trabalhadores especializados que saíram da Nokia. O que aconteceu até ajudou a Finlândia a aparecer mais no radar dos investidores”, diz Ilmari.
As melhores ideias são simples
Não é só bonecada que sai das incubadoras finlandesas, apesar de os jogos serem a área mais quente neste momento. “Há um boom de startups na Finlândia, com relevo para o sector dos jogos, mas também muito nas tecnologias da saúde, comércio eletrónico, software e soluções empresariais e ‘clean tech’”, explica Ilmari. Um dos novos programas da Tekes aproveita a propriedade intelectual que está engavetada e usa-a para a criação de novas empresas. O programa começou com... a Nokia. “As grandes empresas podem conseguir receitas adicionais e quando as startups amadurecem podem tornar-se parceiras ou serem compradas.” Um exemplo é a PowerKiss, que usou propriedade intelectual da Nokia para criar carregadores de telemóveis em locais públicos e em 2013 foi comprada pela PowerMat.
Muitas das novas startups partem de ideias verdadeiramente simples. A CatchBox, incubada na Startup Sauna, criou um microfone em forma de cubo de peluche, para ser atirado de uma pessoa para a outra em eventos. “Os microfones tradicionais foram desenhados para os apresentadores individuais. Matam a interação com a audiência”, resume Pyry Taanila, 29 anos, um dos criadores da ideia. O cubo é super leve e coberto de um tecido que repele a sujidade. Sem financiamento, a empresa já vendeu 250 unidades - incluindo à norte-americana Evernote, que as usa internamente. Porque é que é um cubo e não uma bola? “Porque se diferencia. E se atirar uma bola, ela vai rebolar para qualquer lado. O cubo pára e assenta.”
Outra das startups que está a ser incubada na Sauna é a EasyAntiCheat, que criou um software para impedir que os jogadores façam batota nos vídeojogos online. Simon Allaeys, um dos criadores, diz que é um sistema semelhante ao dos antivírus, e há várias editoras de jogos interessadas. “É um segmento que está a crescer muito rapidamente: temos torneios, com prémios em dinheiro que chegam a um milhão de dólares. Os batoteiros ganham dinheiro, é algo que acontece, e as editoras querem evitar isso.”
Depois, há quem não perceba nada de programação e jogos, mas teve uma ideia genial: transformar radicalmente o ensino de guitarra. É o que está a fazer a Ovelin, que tem três produtos no mercado, com destaque para o GuitarBots. “Tocar guitarra é um dos maiores hobbies do mundo. Mas infelizmente, de todos os que começam, 85% desistem no primeiro mês. Porque é aborrecido”, resume Chris Tür, co-fundador. A aplicação, que usa o áudio do tablet ou smartphone para registar o som da guitarra, informa o aluno de como tocou, qual o progresso entre o início e o fim da aula, os erros em certas notas, se é lento ou rápido demais e que exercícios deve fazer. O próximo passo é criar uma versão para professores de música, e no final de 2014 haverá uma aplicação para o ensino de piano.
Estagnação? A culpa é da Apple
As startups têm ajudado a reavivar a economia finlandesa, mas o seu impacto só será mesmo sentido a médio prazo. O país, que recuperou o crescimento em 2010 e 2011, voltou a cair e entrou em recessão ligeira nos últimos trimestres. Em 2014, as previsões apontam para o regresso ao crescimento - o governo fala de 0,8%, o banco da Finlândia e a Comissão Europeia alinham em 0,6% e a OCDE acredita que ficará acima de 1%. Mas o cenário é pouco animador para o crescimento sustentado nos próximos anos. O sector da floresta, que representa 20% das exportações, está a cair. O sector tecnológico ainda não recuperou.
“O empresário Nalle Wahlroos, chairman do banco Nordea, colocou a questão de forma certeira: o iPhone matou a Nokia, e o iPad matou a nossa indústria do papel. A culpa é da Apple”, diz o ministro Alexander Stubb. A mesma história é repetida por outros entrevistados. No entanto, para a Finlândia não é novidade transformar a sua estrutura económica: era um país agrícola no fim da II Guerra Mundial, e de um momento para o outro fazia maquinaria e os melhores telemóveis do mundo. “Nós agradecemos a Steve Jobs, porque isto significa que temos de inventar outra coisa”, diz Stubb. “Temos de nos focar mais em bens de consumo. Não temos marcas do tipo H&M, Ikea. O sector em que vamos ser fortes é o que chamamos CleanTech, tecnologia limpa.”
Num país em que o salário médio é de 3300 euros e não há universidades privadas, porque todo o ensino é gratuito, o desafio pós-Nokia também é social: a população está a envelhecer, há poucos imigrantes (muito menos que na Suécia) e os jovens saem muito tarde da universidade, aos 26-27 anos, e reformam-se cedo - a média em 2013 foi 60,9 anos. O governo quer convencê-los a trabalhar mais tempo, o que até pode resultar, dada a febre de empreendedorismo. 
“Os jovens querem outras coisas de um emprego: o salário e a segurança já não são o mais importante”, reflete Elina Uutela, 24 anos, capitã da Think Company - que ajuda os estudantes a trabalharem em ideias para fundar as suas próprias startups, em especial em áreas como a sociologia e psicologia. “Trabalhar com coisas significativas, resolver problemas, num bom ambiente de trabalho, em que se gosta dos colegas, são as coisas que são valorizadas agora. E bom, fundar uma empresa é a única forma de escolher as pessoas com quem se trabalha.”

A exigência de bem governar

"Não interessa se o governante é escolhido se é imposto. Tem de governar bem. Quer as pessoas o exijam quer não. A exigência de bem governar é inerente à posição de poder e autoridade que é a de governo. Não depende da sofisticação ou sensatez dos governados."


Mujahedin aqui


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A cadeia da obediência




WhatsApp's reaction when they were offered $16 Billion dollars from Facebook

WhatsApp's reaction when they were offered $16 Billion dollars from Facebook 



Tudo isso é história

« E, no entanto, pelas suas ruins finanças e irregular administração o País foi julgado nos pretórios da Europa, umas vezes com alguma justiça, outras sem ela. 

Pelas suas faltas de devedor e urgências de dinheiro teve de aceitar contratos leoninos e acordos cujas cláusulas se afastavam do teor normal entre pessoas ou Estados solventes. 

Com a expectativa de novos pedidos de empréstimo se pretextaram conluios internacionais, em que se viu contarem pouco os direitos, a integridade, a soberania de uma Nação, suposta independente, segura e garantida. Tudo isso é História; » 

Oliveira SalazarDiscursos. Volume Primeiro, 1928 - 1934, 5.ª ed., Coimbra, 1961, p. XIV.


Os países bálticos e o seu exemplo de recuperação robusta


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Em 2009 e 2010, as políticas de austeridade que estavam sendo aplicadas pelos países bálticos pareciam estar levando-os ao mais inexorável dos colapsos: em relação a 2008, o governo da Estônia havia reduzidos seus gastos em 4,5% em termos nominais; a Lituânia, em 4,7%; e a Letônia em espetaculares 20,1%.  Paralelamente, e para efeitos de comparação, em 2010 o governo da Espanha havia aumentado seus gastos em 7,7% em relação a 2008.  Hoje, não obstante alguns cortes feitos pelo governo de Mariano Rajoy, os gastos governamentais da Espanha seguem acima do nível alcançado em 2008.

O efeito de curto prazo sobre os bálticos certamente foi doloroso: em 2009, em plena vigência das políticas austeridade, o PIB destes três países chegou a despencar algo entre 15 e 20% em relação ao nível máximo alcançado durante o ápice da bolha de crédito que havia se formado em suas economias.  Foi aí que os apologistas do esbanjamento e da gastança estatal se puseram a fazer suas panfletagens ideológicas.  Por exemplo, em 2009, o jornal espanhol Público escreveu esta matéria a respeito da Letônia: "El bastión neoliberal de Europa se derrumba".

No entanto, a austeridade do lado dos gastos estatais logrou sanear as finanças públicas destes países.  A Estônia registrou superávit orçamentário já em 2010; a Letônia, que partiu de um déficit superior a 7% em 2009, conseguiu equilibrar seu orçamento em 2012; e a Lituânia, partindo de um déficit de 9,4% em 2009, conseguiu reduzi-lo para 3,3% em 2012.  Esta ortodoxia financeira também permitiu que estes países consolidassem seu endividamento estatal em níveis invejáveis para o Ocidente: a dívida pública da Estônia em relação ao PIB é de ínfimos 10%; a da Letônia é de 38% e a da Lituânia é de 42%.

Foi justamente este clima de rigor, de seriedade e de compromisso com um orçamento equilibrado o que transmitiu confiança aos investidores e ao mercado internacional, e que afastou por completo os temores sobre uma até então tida como inevitável desvalorização de suas moedas, as quais seguiram firmemente atreladas ao euro.  Esta previsibilidade e estabilidade proporcionou a seus cidadãos e a seus empresários a confiança suficiente para manter ou até mesmo aumentar seus níveis de poupança, o que proporcionou a suas respectivas economias o capital suficiente para alterar sua estrutura, até então voltada para atividades sustentadas meramente por bolhas creditícias.

Por exemplo, a taxa de poupança da Estônia passou de 20% do PIB em 2008 para 26% em 2013, o que facilitou a manutenção de suas taxas de investimento em elevados 27% do PIB.  Já a taxa de poupança da Letônia passou de 17% para 24%, consolidando sua taxa de investimento em quase 26% do PIB.  Finalmente, a taxa de poupança da Lituânia, mais lenta, passou de 14 para 18%, alcançando uma taxa de investimentos de 18% do PIB.

A combinação entre estes notáveis volumes de investimento — em plena crise econômica — e mercados internos substancialmente mais livres e flexíveis do que os do resto da Europa permitiu aos bálticos fazer uma revolucionária transformação na estrutura produtiva de suas economia. Se até então suas economias exibiam números robustos em decorrência de uma acentuada expansão do crédito e do consumismo que isso permitia, a recessão e sua consequente austeridade fizeram com que sua população adotasse uma postura mais poupadora e menos consumista.  

Como resultado desta combinação entre menos gastos e mais poupança, o setor exportador voltou a crescer (sem que houvesse nenhuma desvalorização cambial), o que reduziu enormemente o grande déficit nas contas externas destes países, bem como seu endividamento externo.

Entre 2007 e 2012, as exportações da Estônia subiram de 50% do PIB para 72% do PIB.  As da Letônia subiram de 27% para 44% do PIB, e as da Lituânia foram de 44 para 70%.  Graças a essa transformação na estrutura produtiva, as contas externas destes três países — marcadamente deficitárias durante a época da bolha creditícia — passaram por um acentuado aprimoramento: Estônia e Lituânia, que até então apresentavam um déficit externo de 15% do PIB, passaram a apresentar equilíbrio nas contas externas; já a Letônia reduziu seu déficit externo de 22% do PIB para 1%.  

Vale ressaltar: todo este equilíbrio foi conseguido sem nenhuma desvalorização cambial e sem qualquer imposição de tarifas de importação.  Houve apenas um rearranjo da estrutura produtiva da economia, que deixou de ser consumista e se tornou mais poupadora e mais voltada para produção.  O equilíbrio interno gerou o equilíbrio externo.  Tudo sem pirotecnias e sem prejudicar o poder de compra da população e nem sua liberdade de importação. 

E o resultado disso tudo foi espetacular e se traduziu em um vertiginoso crescimento do PIB e do emprego: entre 2010 e 2013, o PIB da Estônia cresceu 16% e a ocupação, 10%.  O PIB da Letônia se expandiu 15% e a ocupação, quase 6%.  Finalmente, o PIB da Lituânia cresceu 13% com uma criação líquida de empregos de 3%. 

O êxito dos bálticos deveria ser uma bofetada contra os keynesianos, os quais, no entanto, seguem ardorosamente apegados aos seus lugares-comuns.  Por exemplo, segundo Paul Krugman, nenhum destes países ainda recuperou os níveis de PIB e de emprego vigentes antes da crise.  Só que esta crítica é infundada: dado que a composição do PIB em 2007 era formada por investimentos insensatos fomentados por bolhas creditícias insustentáveis e por um hiperendividamento externo, tal valor do PIB não deveria constituir referência nenhuma.  

Porém, em todo caso, a crítica ao menos soava verossímil.  Afinal, se os bálticos estavam indo tão bem, por que ainda não superaram as marcas alcançadas em 2007 ou 2008?

Felizmente, este desesperado discurso keynesiano rapidamente passará para os livros de história: prevê-se que Estônia e Lituânia irão superar, em 2014, o PIB que apresentavam antes da crise, ao passo que a Letônia logrará tal feito entre 2015 e 2016.

No entanto, há sim um número que parece ser ruim: as previsões de emprego.  Em 2014, o número de pessoas ocupadas na Estônia será 4% menos do que o máximo alcançado antes da crise.  Na Letônia, será de 14%, e na Lituânia, de 8%.  Sendo assim, o êxito dos bálticos neste quesito pode parecer um tanto parco, algo que aparentemente poderia dar razão aos keynesianos.  No entanto, há ressalvas.
Podemos começar comparando os bálticos com a economia espanhola, a qual não irá de recuperar o nível de PIB alcançado antes da crise pelo menos até o final desta década, e cujo nível de emprego em 2014 será quase 20% inferior ao de 2007.  Ou podemos também comprar os bálticos à Islândia, a menina dos olhos de Krugman e do resto dos keynesianos — país este que, em decorrência de sua acentuada desvalorização monetária, passou a ser um paradigma de como superar uma crise com prontidão —, e que, não obstante haver triplicado seu endividamento público, só irá recuperar o PIB alcançado antes da crise em 2016 (igual à Letônia e pior do que Lituânia e Estônia).  Mais ainda: seu nível de emprego em 2014 será 8% inferior ao máximo alcançado antes da crise.

Ademais, os dados de emprego dos bálticos, embora não sejam lustrosos, devem ser ponderados por sua evolução demográfica.  Por causa de sua baixa natalidade e, principalmente, por causa de seus intensos movimentos migratórios, Estônia, Letônia e Lituânia já vêm perdendo sua população há 25 anos.  Embora haja a tendência de se imaginar que as fortes emigrações que estes países vivenciaram nos últimos anos se deveram à crise econômica, a realidade é que essa influência foi meramente secundária.  Por exemplo, na Letônia — que é o pior entre os bálticos em termos econômicos e que também é o país com a maior emigração —, o saldo migratório líquido apresentava uma saída média de 15.600 entre 1991 e 2007 e passou a apresentar uma média de 24.800 entra 2008 e 2012 (isto é, a perda anual de população via emigração durante os anos da crise não chegou a 0,5% dos cidadãos, uma porcentagem similar à apresentada pela Espanha em 2012).  

A emigração dos bálticos está mais vinculada a fatores políticos e étnicos: a população russa nestes três países foi reduzida em 40% nos últimos 25 anos, o que significa que quase metade da variação de população que estes países sofreram desde então decorreu deste movimento de russos.
No entanto, contrariamente ao que gostam de afirmar seus críticos, esta queda da população não apenas não retira o mérito do milagre econômico dos bálticos, como na realidade o intensifica ainda mais: afinal, conseguir crescimentos econômicos intensos mesmo com um declínio demográfico é algo muito mais difícil.  Por exemplo, a renda per capita da Lituânia já superou, em 2012, o auge alcançado antes da crise.  A Letônia fará isso em 2014.  Já a Islândia, por outro lado, só conseguirá tal feito em 2018, segundo as atuais previsões.

Desta forma, portanto, se corrigirmos o emprego pela variação demográfica, obtemos um retrato mais representativo do ocorrido: o número de empregados em relação à população total na Estônia será, em 2014, de 47,6% em relação aos 49% de 2008; para a Letônia será de 43,8% em relação aos 46,3% de 2008; e para a Lituânia será de 39,2% em relação aos 37,8% de 2008.  Compare isso à Espanha, que caiu de 45,4% em 2007 para 37,7% em 2014 ou com a muito keynesianamente admirada Islândia, que caiu de 52% para 46,6%.

O que podemos concluir em definitivo é que os bálticos são um modelo de recuperação a ser seguidos por países como Espanha, Grécia ou Islândia, ou por todos aqueles países que ainda virão a enfrentar uma forte correção em suas economias que atualmente estão sendo atividades por bolhas creditícias.  O segredo do sucesso é o mesmo de sempre: austeridade do setor público e liberalização do setor privado; mais poupança e investimento, e menos gastança; mais mercado e menos estado.
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Fontes com dados completos e detalhados sobre Estônia, Lituânia, Letônia e Islândia.

Veja também:
http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/6266/Estonia
http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/93/Latvia
http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/98/Lithuania
http://world-economic-outlook.findthedata.org/site_search/iceland

A Queda de um Tordo IV

Tudo começou com a exposição mediática que o cantor/autor deu à sua partida de Portugal, referindo-se ao nosso país como uma entidade que não o apoia nem lhe confere as oportunidades dignas de ele cá continuar a viver.

A imprensa, sempre à procura da miséria, da desgraça e do contraste, não hesitou em publicar a história, mas o português comum, anónimo, e que luta pela sua sobrevivência diária dificilmente acha piada ou tem comiseração pela história do Fernando Tordo.
Ainda por cima, sabendo nós que Fernando Tordo foi uma pessoa da cultura que habilmente propalou a queda do regime anterior em troca da liberdade e da democracia, ouvi-lo lamentar-se agora cheira a incoerência e hipocrisia.
Não admira que os primeiros comentários acintosos em relação à sua partida lhe desejassem uma boa viagem... para Cuba ou para a Coreia do norte.
Talvez ele não imaginasse que tal injúria lhe fosse arremetida, mas quem anda à chuva molha-se.
Pôs-se a jeito e levou umas quantas.

O problema é que quando temos a memória curta, é comum que venha alguém surpreender-nos com atos ou palavras que proferimos no passado e que refutam o julgamento ou o sentimento que estamos a fazer no presente. Certamente que já aconteceu a todos vós.

A somar a tudo isto, a malta nos blogues não anda a dormir, e rapidamente alguém encontrou os ajustes diretos que Fernando Tordo e a sua banda obtiveram junto de entidades públicas portuguesas para atuarem aqui e acolá: mais um acontecimento que certamente não estava à espera.
Fernando Tordo estava-se nas tintas se o dinheiro que recebia das Câmaras Municipais e do Estado vinha do crédito ou dos impostos, e portanto achava que no futuro a coisa nunca acabaria.

A vida não lhe está a sorrir cá, mas só em Angola estão 300 mil portugueses.
A história de Portugal, fruto dos excessos e das magrezas típicas da nossa cultura, exige a todos nós que o horizonte de emigrar e imigrar nunca se perca da vista. Quem o perdeu foi porque fechou os olhos e julgou que com democracia e liberdade o azar nunca lhe bateria à porta.

Tiago Mestre

O que está por vir

Como temos visto desde os saques de Londres e da Primavera Árabe, às tragédias de África, da Líbia, no Egito, na Síria, na Tailândia, na Venezuela ou na Ucrânia, a revolução está na rua. Falta-lhe, porém, um manifesto ideológico internacional convincente.

E a pergunta a fazer é esta: porquê?Porque é que a revolta que alastra pelo mundo não tem ideologia, nem rumo, nem redenção possível? A minha resposta é esta: porque a metamorfose social necessária vai custar ainda muito sangue, suor e lágrimas, e provavelmente implicará a destruição/implosão dos edifícios financeiros, burocráticos e constitucionais que nos habituámos a considerar indiscutíveis e eternos.



A queda de um tordo III


do blog para o jornal...


O estado do jornalismo português explica-se facilmente pelo caso dos Tordos. Um artista, de esquerda obviamente, decide emigrar para o Brasil.

Não fazendo como milhares de portugueses que emigraram, decide não ir em silêncio, chorando lamúrias contra o Governo. O filho decide entrar no jogo e lamenta-se que o pai tenha sido obrigado a emigrar, pois, coitado, apenas tem uma reforma de 200 e tal eur
os e não tem trabalho por cá.

Ah Pátria que trata tão mal os seus artistas.

A imprensa, essa, "come" toda a história e partilha o número, certamente convicta que irá gerar comoção sobre esta história triste, sem nada questionar, até mesmo o óbvio: como é que alguém que ganhou certamente muito dinheiro (ou pelo menos, certamente mais do que a esmagadora maioria das pessoas que têm reformas mínimas), tem uma pensão tão baixa?

 Nem se questionaram se o artista descontou para a Segurança Social, como fazem os portugueses comuns. Nada disso: o que interessa é espalhar a história, certamente emotiva.

Até que hoje, bloggers fazem o trabalho dos jornalistas. Será que o Fernando Tordo não ganhava dinheiro em Portugal? Será que ele tinha mesmo falta de trabalho? Ora, desde 2008 ganhou mais de 200 mil euros, só em contratos com entidades públicas. Tomara a muitos milhares de portugueses ganhar esses valores. E não se queixam, não escrevem cartas quando emigram nem têm a cobertura da comunicação social para a história das suas vidas. 

O que vale é que o emigrante Tordo até já arranjou mais um concerto em Portugal no 25 de Abril. Será mais artista residente no estrangeiro que cá vem dar concertos.

Nuno Gouveia

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Viriatos a fazer mossa por esse mundo fora....



http://www.businessinsider.com/google-reverse-image-search-2014-2


Alguém que explique ao autor que por aqui anunciamos os eventos com meses de antecedência.



Someone explain to the author here announce events months in advance.




Portuguese do it better

Bye

O combate à opressão

"É certamente admirável o homem que se opõe a todas as espécies de opressão, porque sente que só assim se conseguirá realizar a sua vida, só assim ela estará de acordo com o espírito do mundo; constitui-lhe suficiente imperativo para que arrisque a tranquilidade e bordeje a própria morte o pensamento de que os espíritos nasceram para ser livres e que a liberdade se confunde, na sua forma mais perfeita, com a razão e a justiça, com o bem; a existência passou a ser para ele o meio que um deus benevolente colocou ao seu dispor para conseguir, pelo que lhe toca, deixar uma centelha onde até aí apenas a treva se cerrara; é um esforço de indivíduo que reconheceu o caminho a seguir e que deliberadamente por ele marcha sem que o esmoreçam obstáculos ou o intimide a ameaça; afinal o poderíamos ver como a alma que busca, após uma luta de que a não interessam nem dificuldades nem extensão."

Agostinho da Silva, in 'Considerações'



Para onde os tordos emigram


A queda de um tordo


OBJETO CONTRATO
PREÇO CONTRATUAL
PUBLICAÇÃO
ADJUDICANTE
ADJUDICATÁRIO
Apresentação de Concerto de Fernando Tordo, Maria Berasarte e Sónia Perez, na iniciativa "Noite Mágica, pela Igualdade e Solidariedade", no Auditório da Biblioteca Municipal, em Mangualde, pelas 2h30,...
4.500,00 €
12-02-2014
ACCIG - Associação Cultura e Conhecimento para a Igualdade do Género
STARDUST PRODUÇÕES, Lda
Apresentação de Concerto de Fernando Tordo, Maria Berasarte e Sónia Perz, na iniciativa "Noite Branca para a Igualdade", no Auditório da Camara Municipal de Seia em Seia, no dia 3 Out 2012, como part...
5.500,00 €
31-12-2013
ACCIG - Associação Cultura e Conhecimento para a Igualdade do Género
Stardust,Lda

Aquisição de um servço de realização de espetáculo musical de Fernando Tordo - dia 5 de outubro - Semana Sénior
4.250,00 €
01-10-2013
Câmara Municipal da Lousã
Domingo no Mundo - Sociedade de Entrtenimento, Lda.
CONTRATAÇÃO DO ARTISTA FERNANDO TORDO PARA UM CONCERTO DIA 25 DE ABRIL DE 2011 NO AUDITORIO DO TEATRO MUNICIPAL , POR OCASIÃO DAS COMEMORAÇÕES DA REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL
9.000,00 €
03-05-2011
Município de Portimão
STARDUST PRODUÇÕES LDA

Aquisição de Espectáculo de Fernando Tordo na Festa das Cruzes 2010
14.350,00 €
09-04-2010
Empresa Municipal de Educação e Cultura de Barcelos, E. M.
J.S. Espectáculos, Lda.
Espectaculo com Fernando Tordo & Stardust Orquestra, no âmbito do programa das Comemorações do Concelho
20.000,00 €
16-10-2009
Município de Grândola
Primetime, Lda

Aquisição de servviços para o Espectaculo Fernando Tordo & Stardust Quinteto
9.000,00 €
12-08-2009
Município de Montijo
Stardust Produções,Lda
Aquisição de um espectáculo do artista Fernando Tordo & Stardust Quinteto
9.500,00 €
28-07-2009
Município de Mangualde
Stardust Produções, Ldª

Programa Municipal de Animação e Programação Cultural - Concerto com Fernando Tordo & Stardust Orquestra
21.000,00 €
24-07-2009
Município de Vila Nova de Cerveira
Stardust Produções Ld.ª
Prestação de serviços de espectáculo (Fernando Tordo e Stardust Orchestra)
21.000,00 €
24-07-2009
Município da Covilhã
Stardust Produções, Ld.ª

ESPECTÁCULO DE MÚSICA FERNANDO TORDO & STARDUST ORCHESTRA
21.000,00 €
20-07-2009
Município de Ponte de Lima
STARDUST PRODUÇÕES, LDA.
Espectáculo Musical Fernando Tordo& Stardust Orchestra – Festas Abrantes 2009
22.100,00 €
09-06-2009
Município de Abrantes
Stardust Produções, Lda.

Espectáculo com Fernando Tordo e STARDUST ORCHESTRA
17.500,00 €
04-11-2008
MUNICÍPIO DE ALMADA
STARDUST PRODUÇÕES, LDA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO DO CONCERTO DE MÚSICA LIGEIRA PORTUGUESA - “FERNANDO TORDO & STARDUST ORCHESTRA”
24.500,00 €
26-09-2008
Câmara Municipal da Maia
ACADEMIA DAS ARTES DA MAIA-PRODUÇÕES CULTURAIS E. M.

ACTUAÇÃO DO ARTISTA FERNANDO TORDO PARA AS FESTAS DA CIDADE EM HONRA DE Nª. SRª. DOS REMÉDIOS - 2008/09/04
20.000,00 €
12-09-2008
Câmara Municipal de Lamego
STARDUST PRODUÇÕES,LDA