quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um passo importante para o capitalismo...

Alemães sugerem 30 horas de trabalho contra o desemprego.

Um grupo de 100 académicos e políticos alemães estão a pedir um horário de 30 horas semanais sem um corte nos salários, noticia hoje o jornal alemão Tageszeitung, citado pela CNBC. Os peticionários argumentam que uma semana de trabalho mais curta é a melhor forma de lidar com o aumento da taxa de desemprego no país, contribuindo também para o aumento da produtividade dos trabalhadores.

aqui


Esta ideia pode e deve ser complementada de uma forma simples e aceitável estendendo a jornada laboral de uma empresa de 5 dias para 6 dias por semana (ou até em alguns casos  para 7 dias) em que a empresa passa assim a ter uma laboração contínua com cada um dos seus trabalhadores agora com uma ocupação laboral semanal de +/- 3,5 dias ou até mesmo de 3 dias (10h p/dia).

Quanto à questão salarial para as empresas se houver uma mobilização geral em torno da ideia o choque inicial do aumento de encargos para as empresas será rapidamente ultrapassado pois haverá aumentos de produtividade e as empresa têm agora à sua disposição uma ferramenta que permite a possibilidade de poder aumentar a sua laboração (em acordo com as suas necessidades e em alguns casos empresariais até podem mesmo preferir a diminuição do tempo). 


Nesta mudança do atual sistema de trabalho completamente ultrapassado não se deve excluir também o emprego em part-time, pois é uma ferramenta importante de acesso ao mercado para mães, estudantes, deficientes, desempregados de longa duração e todos aqueles que não sentem vontade em trabalhar de uma forma intensiva.

O capitalismo graças à acumulação de capital e ao aumento de produtividade permite que seja necessário cada vez menos esforço humano para a obtenção de um produto ou serviço e ao mesmo tempo consegue que os preços cheguem cada vez mais baixos às pessoas.

É uma mudança muito importante na gestão do trabalho e qualquer pedrada no charco é boa para mudar os paradigmas atuais que estão muito presos a acordos de sindicatos e a códigos laborais ultrapassados que já deixaram de ser solução há muito tempo.

Deve ser permitido nesta mudança de conceito laboral uma grande flexibilidade entre a empresa e o trabalhador quando atendem à realidade e à vontade de ambos.

No capitalismo, ao contrário do que muitos pensam, pretende-se que o tempo das pessoas seja cada vez mais livre e com custos menos dispendiosos.

Uma nova chamada para a questão salarial, com o tempo o mercado inevitavelmente irá modelar o mesmo em função da realidade existente.

6 comentários:

Sonat disse...

Este argumento não me parece nada sólido, senão vejamos:

Reduzir a carga horária dos trabalhadores para poder contratar mais pessoas pode ser equivalente para o empregador (encargos mantêm-se), mas não o é para os empregados, que vão começar a receber menos porque trabalham menos horas.

Se, como é sugerido neste post, se compensar essa redução de carga horária diária trabalhando mais dias por semana, anula-se por completo o incentivo para o empregador contratar mais pessoas, porque isso significará mais encargos do que ele tem atualmente.

Se um empregador escolhe não contratar mais pessoas, é porque isso não lhe compensa financeiramente. Não faz qualquer sentido assumir que a produtividade de uma empresa aumenta quando se contratam mais pessoas, se fosse assim era fácil qualquer empresário tornar-se milionário: era uma mera questão de contratar mais 100 pessoas e estava feito.

Vivendi disse...

Caro Sonat,

Eu no meu post deixo grande espaço para o livre arbítrio pois para mim é impossível o cálculo total das necessidades empresariais de cada empresa.

Ao contrário dos teóricos alemães(ligados à esquerda) eu deixo um grande espaço de manobra para a flexibilidade laboral e salarial.

A única certeza que tenho e vou repetir-me de novo "O capitalismo graças à acumulação de capital e ao aumento de produtividade permite que seja necessário cada vez menos esforço humano para a obtenção de um produto ou serviço e ao mesmo tempo consegue que os preços cheguem cada vez mais baixos às pessoas."

Como tal acho expectável que sejam pensadas novas estratégias para adequar a sociedade ao mercado de trabalho. Manter as coisas como estão irá servir apenas para manter os níveis elevados de desemprego.

Obrigado pela sua contribuição no debate e penso que este é um assunto que merece ser discutido e aprofundado.

Cumprimentos.

Sonat Duyar disse...

Concordo com a sua frase - um pescador com uma rede de pesca, pesca muito mais, em muito menos tempo e com muito menos esforço do que um pescador com uma cana.

Mas a consequência da introdução de redes no processo produtivo da pesca, é primeiro que tudo a extinção de postos de trabalho. Os pescadores que não tiverem capacidade para adquirir redes não vão conseguir competir com os que as tiverem. Mais importante que isso, se antes eram precisos 100 pescadores para suprir as necessidades de peixe da população, com a introdução das redes, 20 pescadores chegam para pescar todo o peixe necessário, e pescar mais que isso vai reduzir o preço do peixe a pontos de tornar o ofício de pescador insustentável financeiramente.

Assim, a introdução da rede de pesca vai melhorar a vida a 20 pescadores e permitir que a população no geral tenha acesso a peixe muito mais barato, mas a consequência é que 80 pescadores irão para o desemprego.

Claro que, como a população em geral agora não vai gastar tanto dinheiro em peixe (que vai ficar mais barato), fica com mais rendimento disponível para comprar outros produtos e serviços - que é como quem diz, criam-se oportunidades de emprego noutras indústrias.

Assim, a única solução para os 80 pescadores desempregados é escolher uma nova carreira numa nova indústria - o que nem sempre é fácil, porque significa começar do zero. É especialmente difícil fazer uma transição de uma carreira com alto grau de especialização para outra carreira com alto grau de especialização.

Resumindo: desemprego elevado numa determinada indústria é um sinal de que essa indústria está saturada - pura e simplesmente não precisa de mais mão-de-obra, e só pode ser resolvido se os desempregados forem trabalhar para uma indústria que não esteja. Isto parece fácil no papel, mas mudar de carreira raramente é fácil, pelo que normalmente estes ajustes demoram uma geração a concretizar-se: os 80 pescadores desempregados provavelmente já não vão conseguir arranjar emprego; mas os seus filhos certamente já não vão querer ser pescadores.

Conclusão: para diminuir o desemprego, é importante identificar as indústrias saturadas e evitar que mais pessoas se formem para trabalhar nelas; e é preciso criar incentivos para que as pessoas consigam mudar de carreira quando a sua indústria está saturada.

A melhor forma de fazer estas duas coisas, é deixar os salários flutuar livremente, porque os salários são um excelente indicador da saturação de uma indústria e são também um excelente incentivo para as escolhas de carreira dos trabalhadores.











Vivendi disse...

Totalmente de acordo.

E um dos maiores golpe face para combater o desemprego passará pelo aumento da liberdade em permitir que as pessoas empreendam através da redução fiscal e da desburocratização incluindo a rigidez das horas laborais.

Diogo disse...

Vivendi e Sonat,

Talvez que o que esteja a ficar cada vez mais obsoleto seja o emprego.

Com a tecnologia em evolução exponencial – inteligência artificial, automação, robotização, etc. – há cada vez menos espaço para o trabalho humano.

No actual paradigma, sem trabalho humano, não existem salários. Sem salários não há vendas. Sem vendas não há receitas. Sem receitas não há lucros. Sem lucros não há razão para a propriedade privada dos meios de produção.

A solução será entregar os meios de produção à sociedade.

Vivendi disse...

Diogo,

Creio que o último post do prof. Cosme explica por onde vai seguir a evolução produtiva.