sábado, 31 de janeiro de 2015

Sobre o ideal político

Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente: Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública.

Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. A condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político. 

Almada Negreiros 1917

A grande ilusão europeia


opticalillusions

Quando veja a histeria a tomar conta dos povos, recordo-me dos filmes históricos dos anos 30 do século passado. Quando vejo povos derreados pela verga da indignidade económica e social, penso no sofrimento incomensurável de famílias inteiras. Quando vejo expressões de pura demagogia a tomar conta dos discursos de políticos, sinto que as nossas sociedades correm grandes perigos. Quando observo a bandeira da libertação ser hasteada, penso como será a nova ordem proposta pelos mercenários. Quando comprovo como nações inteiras podem ser postas ao serviço de interesses ideológicos, deixo de acreditar na pureza da Democracia. Quando testemunho a facilidade com que se arrebanha gente, penso em colunas militaresQuando sinto a prevalência do dinheiro na retórica inflamada, sei que a alma humana foi vendidaQuando registo a facilidade com que se desonra a palavra, conheço o valor de um aperto de mão. Quando nem preciso de olhar para ver, sei que já embarcaram num caminho de difícil retorno. 


O Eixo do Mal

"Já houve o eixo Lisboa-Cascais. Agora há o eixo Évora-Cascais."

Eduardo Cintra Torres



A nova coqueluche económica


da esquerda caviar


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O ouro de Portugal

Não pertence aos democratas... Foi herança do fassista.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bem lembrado

Ideias radicais-moderadas para um Syriza português

Sendo a França e instituições francesas os maiores credores de Portugal, acho que chegou a hora de cobrarmos a esses gauleses as indemnizações nunca liquidadas pelos danos causados durante as invasões napoleónicas, bem como pelo extenso património que Junot, Soult e Massena levaram do nosso país quando batiam em retirada. Assim por alto, se juntarmos um coeficiente de actualização monetária, ainda que conservador, somos capazes de chegar a qualquer coisinha próxima dos 80% do PIB. Se for preciso arredondar, para dar conta certa, podemos sempre entregar os Mirós.


Eu lembro-me que a Grécia é agora um país socialista radical


A reestruturação da dívida na Grécia

Há nisto tudo da Grécia, da reestruturação da sua dívida, algo a que só posso chamar estúpido. 

A exigência de uma eliminação de 50% do montante em dívida, ou 160 mil milhões de euros, é absurda. A começar porque a mesmíssima coisa poderia ser teoricamente conseguida sem alterar um cêntimo do montante em dívida. Não é preciso ser economista para o compreender. Você deve-me 100 euros e tem a obrigação de mos pagar dentro de uma semana, acrescidos de 10 euros de juros. Se em face das suas dificuldades eu decidir que você não paga os juros, reduzo a coisa ao capital, e se em vez de mo devolver dentro de uma semana, eu lhe permitir que mo devolva dentro de um ano, é óbvio que não me vai pagar o mesmo, embora no contrato de dívida continuem lá os 100 euros: o capital em dívida foi reduzido sem alarde, mas foi. Pode até acontecer que dentro de um ano eu prorrogue o prazo para 10, e dentro de 10 anos eu lhe prorrogue o prazo de pagamento para... ponha aí o tempo que quiser. 

Quanto maior for o tempo, menor é o valor que você me devolve, e toda a gente sabe disso sem ter de conhecer exactamente o conceito de «valor temporal do dinheiro», cuja fórmula de cálculo pode ser complicada, mas não a ideia. A Grécia foi já beneficiada com uma extensão enorme da sua dívida aos Estados da Zona Euro, que, nos termos actuais, só é completamente liquidada em 2054. A maturidade média da dívida grega é actualmente de 16,5 anos. Sempre que foram alargadas as maturidades e/ou diminuída a taxa de juro, a dívida grega foi reduzida, sem forçar os governos dos países credores a ter de reconhecer perante os seus eleitorados a realidade. 

E a realidade é que eles, os eleitores dos países credores, estão, em cada alargamento dos prazos e em cada diminuição das taxas de juro - a Portugal, à Irlanda ou à Grécia - a perder dinheiro, a transferir dinheiro dos seus bolsos para os nossos bolsos. Discretamente, como tem sido feito, é possível conseguir-se muita coisa, envolvendo quantidades astronómicas de valor. Não é preciso agredir para o conseguir. Só em termos de remuneração da dívida em juros a Grécia foi já de tal modo beneficiada que, apesar de ter quase mais de 100 mil milhões de euros em dívida comparativamente com Portugal, pagou em 2014 muito menos juros. 

O valor, de facto, ainda é menor do que o que aparece nas estatística europeias, porque o BCE devolve-lhe os juros pagos, de modo que o think-tank Bruegel recalculou a factura grega e estima que a despesa em juros tenha sido equivalente a 2,6% do PIB em 2014, devendo este ano cair para 2% do PIB. Tomara qualquer país em ajustamento. A média dos juros nos 19 países da zona euro foi de 2,7% do PIB. A Grécia está com um encargo abaixo da média! Esse encargo poderia ser ainda mais reduzido, em negociação e sem arrombar portas. Tal como as coisas foram postas - pura e simples anulação da dívida - a única coisa que me ocorre é pensar: a estupidez pode ser assassina. Está a ser assassina.

Fica aí o artigo do Bruegel, onde a realidade dos juros gregos é abordada. 

Jorge Costa


In the days ahead of the Greek snap elections on 25 January 2015 a huge range of opinions has appeared on what Greece and its lenders should...
BRUEGEL.ORG


O nó grego. Alemanha isolada?

Alexei Tsipras visitou em Kaisariani a campa dos duzentos ativistas gregos, na sua maioria comunistas, fuzilados pelos nazis em maio de 1944.

Parece que a Alemanha vai perder mais uma guerra


A Alemanha, que é tão extraordinária em tanta coisa, como no fabrico de automóveis e lentes fotográficas, ou na sua Filosofia, tem, no entanto, o mesmo problema do Francisco Louçã: pensa de maneira quadrada. Ou seja, a sua sensibilidade e capacidade de manobra são iguais a zero. Sempre que é conveniente contornar um obstáculo, o quadrado mal se move, pois, para chegar a qualquer um dos outros três lados do polígono, precisa de realizar um esforço enorme para vencer a inércia.

Todos sabemos que os oportunistas do sul da Europa se aproveitaram do súbito mas falso enriquecimento proporcionado pela entrada numa zona monetária forte. Sem produzirem o suficiente para o poder aquisitivo que lhes saiu na rifa, de um dia para o outro, desataram a comprar Golfs, Audis, BMWs, Mercedes e Porshces. E não ficaram por aqui. Especularam com terrenos e construiram milhares de empreendimentos imobiliáros para nada, construiram pontes para lado nenhum, autoestradas vazias, fecharam e venderam empresas em catadupa porque, de repente, o que produziam ficou mais caro do que sul-americanos, africanos e asiáticos exportavam para a Europa. Dedicaram-se aos casinos financeiros, que davam mais proveitos e prestígio do que a maçada de criar valor. E, para culminar tudo isto, endividaram os respetivos estados até à ruína, em nome de excelentes serviços de saúde, educação para todos, pensões de reforma para quem trabalhou e não trabalhou, e ainda mordomias sem fim e salários milionários para os principais rendeiros e devoristas dos novos e mui populistas regimes democráticos (outra aquisição repentina e mal digerida, claro). Em cima de tudo isto, a cereja da corrupção galopante—uma consequência previsível do abandono da ética, e da arrogância, protagonizados desde logo e em primeiro lugar pelas partidocracias instaladas.

Isto é tudo verdade, mas falta acrescentar um ponto: a Alemanha e os países ricos da Eurolândia contribuiram e beneficiaram como ninguém desta mentira económica, social e ética.

“...the conclusion is that Greece’s crisis is the EU’s fault, and the EU should “pay” via the debt write-offs that Syriza wants.” — Steve Keen, “It’s All The Greeks’ Fault”, Forbes, 21/1/2015.

Os gráficos (aqui e aqui) mostram que
  1. antes do euro a produção industrial da Grécia, Espanha e Itália cresciam mais depressa que a produção alemã, mas mais devagar do que esta última assim que foi criada a zona euro; e
  2. que o desemprego, a dívida pública, e o rácio da dívida privada face ao PIB se agravaram, e o desendividamento privado foi mais acentuado na Grécia e na Espanha do que nos Estados Unidos, quando comparados os gráficos homólogo, única e exclusivamente por efeito da austeridade. 
Mas há mais:

Por um lado, não podemos isolar o problema do endividamento e sobretudo das responsabilidades financeiras futuras do estado social grego, do resto da Eurolândia, como no gráfico seguinte bem se demonstra. 418% do PIB alemão são qualquer coisa como $15 592 490 980 000, enquanto que 875% do PIB grego são algo parecido com $2 115 058 750 000, ou seja, mesmo considerando as responsabilidades por cabeça, os números são desfavoráveis à Alemanha: $193 055/hab na terra da senhora Merkel, contra $192 418 /hab na terra do senhor Alexei Tsipras.



E mais ainda:

O sistema bancário grego está sob um enorme e orquestrado ataque financeiro especulativo. Teme-se pela segurança bancária grega, dizem. Mas a verdade é outra: o que se realmente se teme é que a crise grega possa revelar o grau de exposição criminosa da banca alemã, nomeadamente do Deutsche Bank, ao buraco negro dos derivados especulativos. Se não, reparemos no gráfico seguinte:



Vale a pena ler o comentário publicado pelo Zero Hedge sobre o artigo do The Wall Street Journal sobre esta bomba-relógio:

NY Fed Slams Deutsche Bank (And Its €55 Trillion In Derivatives): Accuses It Of "Significant Operational Risk"

Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 07/22/2014 20:41 -0400

First it was French BNP that was punished with a $9 billion legal fee after France refused to cancel the Mistral warship shipment to Russia (which promptly led to French National Bank head Christian Noyer to warn that the days of the USD as a reserve currency are numbered), and now moments ago, none other than the 150x-levered NY Fed tapped Angela Merkel on the shoulder with a polite reminder to vote "Yes" on the next, "Level-3" round of Russia sanctions when it revealed, via the WSJ, that "Deutsche Bank's giant U.S. operations suffer from a litany of serious problems, including shoddy financial reporting, inadequate auditing and oversight and weak technology systems."

What could possibly go wrong? Well... this. Recall that as we have shown for two years in a row, Deutsche has a total derivative exposure that amounts to €55 trillion or just about $75 trillion. That's a trillion with a T, and is about 100 times greater than the €522 billion in deposits the bank has. It is also 5x greater than the GDP of Europe and more or less the same as the GDP of... the world.

Que se passa então para lá da poeira e do fumo criados pela artilharia mediática?

Infelizmente só há uma explicação: a Alemanha tentou, mais uma vez, conquistar a Europa, usando desta vez uma estratégia sobretudo financeira. Uma vez mais falhou. E uma vez mais falhou porque traíu simultaneamente os compromissos com os aliados atlânticos, e com a Rússia!

Tal como nas anteriores tentativas de hegemonia, a Alemanha procurou resolver simultaneamente o problema do acesso ao mar e o problema da energia. Aceder à Eurásia, ao Atlântico e ao Mediterrâneo sem pedir licença, nem pagar taxas a ninguém, foi sempre um desejo racional, mas ilegítimo. Desta vez, caiu na armadilha americana de tentativa de isolamento da Rússia, aceitando expandir a NATO para os antigos países da Cortina de Ferro, ignorando que tal movimento seria sempre avaliado por Moscovo como uma ameaça intolerável.

A resposta de Moscovo foi estrategicamente contundente: interromper o fornecimento de gás natural (a energia rainha do século 21) à Europa via Ucrânia, e apostar num novo gasoduto a sul, com entrada europeia pela... Grécia!

A complicação está montada, e não é nada interessante para a Alemanha, a Holanda, e os países do Báltico.

Sinais eloquentes: os dois primeiros atos do novo governo grego foram uma homenagem aos comunistas fuzilados pelos nazis em Kaisariani, em 1944, e a receção do embaixador da Rússia, que já prometeu fornecer alimentos à Grécia, e o mais que for preciso.

A Rússia ameaçou o Ocidente com uma escalada sem precedentes da tensão existente se Wall Street, Londres e Frankfurt se atreverem a expulsar o país de Putin da SWIFT, a Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais.

A Rússia e a China são dois poderes globais a que a Grécia certamente recorrerá no seu desafio à arrogância paternalista do senhor Schauble.

Como em tempos escrevi, em vez de a Grécia sair do euro, pode acontecer que seja a Alemanha a regressar ao marco.


O António Maria


O revisionismo histórico: uma vergonha ocidental

A Rússia não foi convidada para as celebrações que hoje tiveram lugar na Polónia. A cegueira, a manipulação e a má-fé de que hoje deram provas os governos envolvidos nesta triste como indigna encenação - os EUA, a Grã-Bretanha, a Polónia e até o regime de Maidan - abriram portas, legitimando-a, qualquer teoria revisionista que trate de refazer a história em benefício de agendas escusas. Foi um erro tremendo, um insulto à verdade amplamente documentada, um grosseiro atentado contra o bom nome do ofício historiográfico.
É sabido que foi a URSS que venceu militarmente o III Reich. Não fossem os 20 milhões de russos caídos nos campos de batalha, a Alemanha teria saído vitoriosa da contenda. Não fossem os russos, os Aliados não teriam molhado uma bota nas praias da Normandia. Coube aos russos destruir 75% do potencial militar alemão, como lhes coube travar as maiores e decisivas batalhas do conflito.
Os Aliados bombardeavam indiscriminadamente, arrasando e calcinando por meios aéreos metade da Europa; aos russos coube palmilhar cada metro de terreno, assaltar e tomar cada bastião, cada cidade e vila do Leste e Centro da Europa. Dos 2 milhões e seiscentos mil alemães caídos nos campos de batalha, 2,124,352 foram causados pelo Exército Vermelho, contra 516,757 causados pelos Aliados ocidentais. Mais, coube ao Exército Vermelho tomar 80% dos campos de concentração existentes na Alemanha e territórios ocupados ou em países do Eixo (Roménia, Hungria, Eslováquia, Croácia).
O delírio e a mentira compulsiva parece terem tomado os últimos vestígios daquilo que foi em tempos o chamado Mundo Livre. Vergonha, a nossa, em colaborar com tamanho insulto.

Miguel Castelo Branco


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A sorte do dia ou a sorte do caviar...


Zorba, O Grego


Grandes democratas





A cantar de Galo...


O Cavalo de Tróia

Uma das regras do QE é a atribuição aos bancos nacionais da responsabilidade por 80% das compras de dívida. Isto implica que 80% do valor das compras de dívida alemã será garantida pelo banco central alemão e 80% do valor das compras de dívida portuguesa serão assumidas pelo Banco de Portugal. E, de certa forma, cada país passará a dever uma percentagem da sua dívida ao seu próprio banco central. Outra implicação desta regra é a transferência de dívida que actualmente está no BCE (que o BCE comprou aos vários países em dificuldade durante a crise) para bancos centrais nacionais, à medida que estas linhas de crédito forem sendo substituídas. Isto são eurobonds ao contrário. Em vez de uma progressiva integração da política orçamental e monetária, o que foi feito foi uma separação de responsabilidades pela acção dos bancos centrais. Os investidores privados vão entender isto como um risco acrescido de fraccionamento da zona euro e a médio prazo isso vai notar-se nas taxas de juro, sobretudo nos países que seguirem política orçamentais laxistas pensando que o QE resolve tudo.
Está encontrado um mecanismo pelo qual um país vai saindo da zona euro sem choques. Um dia descobre-se que Portugal só deve ao Banco de Portugal e que os spreads de taxa de juro em relação à Alemanha são tão elevados que na prática os dois países têm moedas diferentes.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Os partidos

"A liberdade para os partidos é uma coisa, e essencial; o governo pelos partidos outra, e dispensável"
Agostinho da Silva


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mario Draghi’s QE Witchcraft


by Ron Paul

Today European Central Bank president Mario Draghi announced that he too would follow the Fed's policy goal of striving for a two percent price inflation rate. Current central bank belief is that if this goal can be achieved, all will be well for the world economy.

My opinion is that this goal, as well as zero percent interest rates, is modern day witchcraft and will end in total failure. Draghi has promised to commit at least 1.1 trillion euros to buy financial assets to thwart the dreaded deflation monster. What he's likely to buy should not be called an "asset" since he has set the stage to buy worthless Greek bonds. But at least it will be in the spirit of our Fed's $1.7 trillion purchase of worthless mortgage-backed securities. In the not too distant future it will become quite evident that the Fed’s and the copycat ECB's monetary policy has only made the ongoing financial crisis much worse. Fiat money inflation is no substitute for sound money.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A MAIS PODEROSA DAS NAÇÕES HISPÂNICAS

“Cumpre ter sempre presente, que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das nações hispânicas; não provém a sua força do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de escravidão”. 
Carta do ProCônsul Caio Lellio ao Senado de Roma

in "Viriato - História de uma Epopeia Lusitana", Teófilo Braga

sábado, 17 de janeiro de 2015

Je Suis Bordalo




Criar dívida hoje e pagar no futuro...


A liberdade socialista na Avenida da Liberdade



UMA VERGONHA EM LISBOA!

A polícia Municipal de António Costa autuou há minutos, numa mega operação stop na Av. da Liberdade, esta perigosa idosa com o seu Corsa de 1999.


Já não há vergonha na capital... Esta ideia peregrina de António Costa é mais um falhanço de gestão pública.


Manuela Rodrigues 

Se for para valorizar a saída do € não é difícil...

Patrick Barron: Switzerland Leaves the European Monetary Union

JANUARY 16, 2015
Patrick Barron writes: 
Oh. You didn't know that Switzerland was part of the European Monetary Union? You thought that the Swiss used their own currency, the Swiss franc? In a definitional sense only, you are correct. Within its monopolized currency area, the political boundaries of Switzerland, the Swiss franc is legal tender. But for approximately three years the Swiss National Bank has maintained a Swiss franc to euro ratio of 1.2 francs per euro. The usual suspects, exporters, were the driving political force behind the SNB's policy. They feared fewer sales to eurozone countries should the franc cost more in euro terms. This policy made the European Central Bank (ECB) the determinant of monetary policy in Switzerland and relegated the Swiss National Bank to the mechanical role of currency board. When the Swiss franc started to appreciate against the euro, meaning that buyers were willing to accept fewer than 1.2 francs per euro, the Swiss National Bank printed francs and bought euros. Over the last three years as demand for Swiss francs from euro holders increased, the SNB's balance sheet exploded with new euro reserves. However, as the world now knows, in a surprise move the SNB abandoned its currency peg policy. Today the franc exchanges approximately one for one with the euro, meaning that the franc has appreciated by approximately twenty percent against the euro.
As far as I know the SNB has made no official announcement of the reason for its surprise move. I suspect that the Swiss people had made themselves heard that they feared inflation from the ECB's imminent quantitative easing policy.  The Swiss gold referendum on November 30 would have required their central bank to hold a fixed percent of reserves in the form of gold. It was defeated only after the major political parties and the SNB amounted a concerted anti-referendum blitz. Still in control of their own currency, it was a relatively simple matter for Switzerland, in effect, to veto the ECB's proposed policy by abandoning the currency peg. This shows the rest of Europe that at least one nation does not fear returning to full control of its currency nor does it fear the consequences of a temporary drop in exports. (The drop will be temporary, because Swiss import prices will fall and eurozone users will be awash with depreciated euros and willing to pay more for the Swiss franc.)
The lesson is clear. If Switzerland can retake control of its money, so can any eurozone nation. The process may take longer, as the country reissues its own currency and re-denominates its bank accounts in local currency terms, but it can be done. Already there are reports that the Danish central bank is contemplating abandoning its currency peg of approximately 7.5 krone per euro.  If the sky does not fall on Switzerland and Denmark, other nations may follow. Does anyone know how to say deutsche mark?

Helicóptero. E se o BCE desse 500 euros a cada cidadão europeu?

Está lançado o desafio...

O que fazer com os 500 €?

a) trocar por barras de ouro
b) trocar por francos suíços
c) se demorar muito a decidir vai acabar por usar as notas como papel higiénico ou penso higiénico

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Por cada socialista... Um empreendedor...




tuk tuk alfacinha... bué de ecológica!




E de um dia para o outro os suíços ficaram mais ricos...

Banco Central da Suíça abandona o floor de 1.20 francos suíços por cada euro
O Banco Central da Suíça tomou, ontem, duas medidas de sinais contrários. Ao mesmo tempo que abandonava o seu objectivo de manter a sua taxa de câmbio acima de 1,20 francos suíços por cada euro, decidindo terminar com ofloor que não permitia que o cross euro/franco suíço estivesse abaixo da fasquia de 1.20, tomou também a medida de diminuir a sua taxa de juro dos depósitos para uma valor negativo de (-0.75%) para desestimular a procura por francos suíços. 
A redução da taxa de juro dos depósitos de (-0.25%) para (-0.75%), na prática um imposto de 0.75%, tenta contrabalançar o abandono do floor, e tem como objectivo impedir o parqueamento de mais dinheiro no Banco Central da Suíça e atenuar os efeitos do abandono do floor a 1,20, desincentivando a compra de francos. 
Em suma, com o desaparecimento do floor o câmbio euro/franco suíço tende a descer, provavelmente, para níveis perto da paridade, mas com uma maior penalização dos depósitos a procura por francos pode ser travada e a descida não ser tanto acentuada e, assim, minorar efeitos imediatos no turismo e nas empresas exportadoras helvéticas.

Na prática as duas medidas anulam-se mutuamente, mas será agora o mercado a ditar qual delas terá maior impacto e onde o cross entre as duas moeda encontrará o seu equilíbrio. É, então, uma política estéril? Não necessariamente, porque na realidade já não fazia grande sentido manter essa fasquia após a forte depreciação do euro nos últimos 6 meses.

O Banco Suíço tomou a medida do floor a 1,20 em Agosto de 2011 devido à crise das dívidas soberanas da Zona Euro ter despoletado uma procura por moedas refúgios, por parte dos detentores de euros, nomeadamente por portos seguros como o franco suíço. A moeda helvética tinha na altura valorizado mais de 30% em relação ao euro, de cerca de 1.50 para 1.10. O Banco Central da Suíça mantinha, a partir dessa data, a taxa de câmbio artificialmente acima dos 1.20, com a justificação de que estava a proteger o seu mercado exportador – em boa verdade, a Suíça exporta bens competitivos extra-preço, logo a taxa de câmbio tem uma relevância menor, no entanto a mainstream, a corrente dominante, defende que se deve influenciar a evolução das cotações das moedas, e muitas vezes também é preciso satisfazer pretensões de certos sectores influentes. 
Se a política do floor não existisse, o câmbio euro/franco suíço seria, hoje, provavelmente de 1, ou seja, estaria na paridade. Por isso, está aqui a justificação para a medida de sinal contrário espelhada no imposto de 0.75%, no intuito da moeda suíça não se afastar muito dos valores dos últimos 3 anos e, assim, manter a estabilidade.

As yields - as taxas de juros implícitas, rentabilidades das OT - das obrigações do tesouro suíço a 10 anos já estavam a 0.16% há 2 dias atrás e neste momento cotam a 0.07%. Qualquer dia quem emprestar dinheiro, a 10 anos, à Federação Helvética ainda terá que pagar, ou seja, receber menos na maturidade que o montante que investiu...

De salientar que a Suíça poderia fazer este tipo de política ad eterno, porque se tratava da apreciação da sua moeda, logo pode vender infinitamente francos suíços imprimidos na sua máquina de fazer notas, que só eles têm para fazer francos, e trocá-los por euros... e assim não permitir a apreciação da sua moeda. No entanto, o balanço do Banco Central da Suíça está inundado de euros, uma moeda, um activo que desvalorizou cerca de 15% no último ano, criando algum desconforto actualmente nas suas contas e explica, em parte, a tomada da medida de acabar com ofloor a 1.20 quando se aproxima a importantíssima reunião do Banco Central Europeu no próximo dia 22 de janeiro. 

Os países que tentam segurar a sua moeda, cuja tendência é de baixa devido aos fundamentais das suas economias, através de um peg (fixar o câmbio), principalmente em relação ao dólar, não o podem fazer eternamente, porque a sua moeda se deprecia e eles têm que vender as divisas, as moedas que têm em carteira, e comprar a sua moeda para a apreciar e trazê-la para o peg definido. Mas as reservas em moeda estrangeira não são inesgotáveis, um dia acabam e estes países perdem as reservas e perdem o peg. Políticas erradas que os países da América Latina, e de outras geografias e latitudes, muitas vezes seguem e acabam por ser penalizados. Um veneno altamente letal…

Muitos economistas defendem que os pegs são positivos porque, assim, as empresas exportadoras e os agentes económicos sabem quanto vão receber, sem existirem significativos riscos cambiais (a não ser em relação à moeda na qual se fixa o valor que varia no mercado, caso do dólar americano). No entanto há um desvirtuamento do mercado, enviesamento que um dia será corrigido e o ajuste terá prejuízos muito mais elevados que os benefícios que se foram colhendo ao longo do tempo com o peg, além de ter custos para o Estado, devido ao exaurir das reservas que depois podem ter que ser compensadas, infelizmente e mais uma vez com custos para o contribuinte, através do aumento de impostos. Mesmo que a subida de imposto não aconteça, dificilmente os agentes económicos, nomeadamente famílias e empresas, escaparão do imposto inflacionário...

Qual a justificação para o Banco Central da Suíça ter abandonado esta política? O euro vinha a perder terreno em relação a todas as majors, principais moedas mundiais, nomeadamente no que concerne ao dólar americano. Os comentários de Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, nos últimos 6 meses têm contribuído para a forte depreciação do euro. Draghi tem reafirmado constantemente que fará tudo o que estiver ao seu alcance para afastar o "demónio" da deflação. Também as perspectivas quanto à tomada de políticas inflacionistas mais enérgicas por parte de Draghi, já na próxima reunião do Banco Central Europeu, no dia 22 de janeiro, contribuem para a queda do euro face ao dólar americano.

Os bancos centrais ao alterarem as suas taxas de juro, influenciam directamente o nível dos juros nos mercados monetário e de capitais, e ao criarem dinheiro economicamente "falso" - leia-se não respaldado, não reflectido no aumento da produção, na existência de mais bens e serviços, no aumento do PIB, apesar de, obviamente, ser dinheiro legal pelo direito positivo, emanado pelas leis de um Estado de Direito - contribuem para a desestabilização cambial e para a contínua guerra cambial... O valor da moeda deve ser encontrado no mercado e não influenciado pelas autoridades monetárias. A não ser que os bancos centrais sejam uns iluminados… iluminados por uma qualquer entidade divina. Além destas medidas dos bancos centrais poderem desvirtuar a realidade.
Não seria mais salutar alterar o stock de moeda apenas quando temos um aumento do PIB? Ou nem sequer alterar e manter ad eterno o mesmo stock? Sim, teríamos deflação dos preços dos bens e serviços, mas essa realidade não seria um problema. No entanto os agentes económicos, muito provavelmente, não estariam mentalizados para essa mesma realidade... Mas adaptavam-se.

O problema da Zona Euro está espelhado no envelhecimento da sua população, na ausência de recursos energéticos, no rígido mercado laboral, na produtividade cada vez menor, na falta de uma estratégia comum, na fraca produtividade do trabalho – nomeadamente nos países do sul - e não é, obviamente, com políticas monetárias, influência das taxas de juro por parte de Mário Draghi que o trabalho, de um dia para o outro, se torna mais produtivo. Mas a mainstream aplaude estas políticas e refere que já vêm tarde, e não deixam de ter razão no curto prazo, o problema são os efeitos secundários no longo prazo destas decisões. Continuamos a olhar para a floresta com a mente de um pirómano. É como dar a um doente um medicamento para a gripe quando ele teve um enfarte do miocárdio…

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Servir a Máquina

(via Dragoscópio)


Curiosamente, se formos consultar o Dicionário Lello Ilustrado da Língua Portuguesa, por alturas da última década do século XIX, pode ler-se na definição de "Terrorismo": "Sistema, regime de Terror, em França (1793-1794). Por extens. Sistema de governo por meio do terror ou de medidas violentas.". Até 1974, a definição mantém-se a mesma.

E, dado que corresponde a uma realidade histórica muito concreta e bem documentada, não deixa de ser, no mínimo, irónico. Quer dizer, o resultado das ideias iniciadas por Descartes, Locke e Hobbes, prosseguidas e transpostas seguidamente pelos noctiluzes, vulgarmente conhecidos por iluministas, e aplicadas na prática pelos revolucionários de Paris, resultaram no triunfo duma  máquina, quer dizer no regime duma máquina - a guilhotina. Cuja invenção, recordo, e estudei a fundo a sua génese, obedeceu a critérios e preceitos humanitários. Não brinco: impunha-se executar o condenado com o menor sofrimento possível. Requeria-se o mais limpo e asséptico dos despachos. Doravante, ser executado já não doeria quase nada. Daí à banalização da degola benemérita, foi um pequeno passo. Afinal, a máquina inclina fatalmente à indústria, à produção em larga escala, no caso, ao abate em série. E em ambiente de festa. Como não festejar tamanho avanço do progresso, da tecnologia e, porque não dizê-lo, da própria ciência anestésica?!... Agora o crente, embora forçado, já não recorria ao confessionário para ablução dos pecados: era levado à guilhotina. Esta, com proficiência e rapidez, separava e removia a parte inconveniente.

Como refere Jaques Delarue, na sua "Profissão de Carrasco", acerca da filantrópica decapitadeira:

«Instrumento familiar, deram-lhe nomes ridículos e atrozes: postigonavalha de barba nacional,chapa de fazer notasgateiraencurtadora nacionalnavalha de barba à Carlitos, porque o carrasco, Charles Sanson, fora, havia muito tempo, baptizado Carlitos pela populaça. Nas bacias de barbeiro liam-se frases como esta: "A minha navalha é mais macia do que a do Carlitos!"
(...)

Subir ao cadafalso era jogar ao frio ou quente, fazer o pino, marcar hora no postigo, meter a cabeça na janelinha, espirrar no saco(...) e, depois de 1793, experimentar a gravata à Capeto.
(...)

Criou-se uma verdadeira imprensa especializada para celebrar as façanhas da máquina nacional. O cidadão Tisset publicava regularmente uma folha que trazia no frontispício cadáveres de gente da corte, bispos e generais empilhados junto ao cesto da guilhotina cheio de cabeças cortadas.

Por baixo deste desenho liam-se dois versos:

         Estes monstros empilhados por omnipotência divina
         Proclamam a obra da Santa Guilhotina

(...)
Por último, o mais célebre destes jornalistas muito especiais, Hébert, excitava diariamente com o seu Père Duchène os mais baixos instintos da populaça e injuriava as vítimas imoladas.»

Há, pois, um certo tipo de humor jornalista, bestialmente democrático, com tradições em França. Um riso típico das hienas nas imediações do açougue. Uma mistura de escárnio e injúria soez perante a desgraça (ou desclassificação) alheia. Um lançamento rapazola de carniça ao magote, um atiçar à matilha....à bulha.

A turba-multa da época alcunhara Carlos Samson, o carrasco, de Carlitos. Em francês, Charlie. Era o personagem mais pitoresco de Paris. Foi o único funcionário que transitou do Anciènt-regime para a revolução e seguintes. Decapitara, esquartejara e enforcara na monarquia, guilhotinou na república e no Império. E é a esse Charlie que, muito provavelmente, remonta o Charlie antes do Hebdo. Ao funcionarismo do abate. Só que agora, a bem da democracia, nem os mortos, nem os deuses escapam. Tortura-se, infama-se, expõe-se e pelourinha-se em vida e em éfigie. Ao gosto da moda ou do pagante. A nova revolução perpetua-se muito por regurgitação. Já nada promete: apenas rumina. Nutre-se no seu próprio vómito. O carlitos tem uma máquina cada vez maior, uma engrenagem cada vez mais voraz para servir. E uma plateia cada vez mais rasteira para entreter.

Em Paris, do parto iluminista, nasceu um novo e sempre viçoso totalitarismo: o Totalitarismo da Morte. Exactamente o mesmo que estas bestas do Estado Islâmico servem. Embora sem quaisquer preceitos filantrópicos nem dispositivos tecnológicos suavizantes. Degolam à mão. 


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O vandalismo revolucionário

Escreve Alexandre Gady: “Não há termos para exprimir a comoção de quem vê a escultura da “Virgem com o Menino”, do século XIII, sendo destruída à martelada. Não há palavras para descrever o que é presenciar uma catedral medieval ser dinamitada e reduzida a escombros (...)
Não há igreja, castelo ou cidade que não ostente tal estigma. Juntamente com os objectos e monumentos religiosos, as destruições mais sistemáticas voltaram-se contra as efígies reais. Com excepção de uma estátua em pé de Luís XIV, de Coysevox, poupada por milagre (encontra-se no Museu Carnavalet), não foi preservada nenhuma das estátuas equestres ou pedestres que ornamentavam os palácios reais e os edifícios públicos. Foram todas derrubadas, despedaçadas, espalhadas, pulverizadas (...)"
Em Setembro de 1792 foram massacradas em Paris 1400 pessoas pelos revolucionários. Enquanto matavam, elaboravam as Declaração dos Direitos Humanos.
“Destruam a Vandéia!” (Barrère); “A Vandéia deverá ser um cemitério nacional” (Turreau); “Serão todos exterminados” (Carrier); “Essa é uma gente maldita” (Lequinio).
De facto, a população de Vendéia foi objecto de um inacreditável empenho de extermínio. Prisões, campos de prisioneiros a céu aberto e barcos-prisões afundados tornaram-se leitos mortuários. No afã de acelerar os processos, recorria-se à guilhotina, aos fuzilamentos em massa e aos afogamentos. Mulheres e crianças não escaparam à carnificina. Os próprios revolucionários relataram as piores atrocidades. Do total de uma população calculada em 815.000 pessoas, a incursão republicana na Vandéia matou 117.000 habitantes - como consequência de uma “chacina populacional” cujos métodos inspirariam, no século XX, figuras como Lenine e Pol Pot.
À Igreja Católica coube oneroso tributo: a perseguição anti-religiosa, na Revolução Francesa, foi de uma extrema crueldade. Nela foram assassinados oito mil sacerdotes, religiosos, religiosas, e muitos milhares de leigos.
François Furet, partidário da corrente “revisionista” da Revolução Francesa, afirmou que o processo revolucionário trazia em si os germes do Terror. Por outras palavras, o período do Terror não teria sido apenas um episódio marginal, pois toda a Revolução Francesa ficou impregnada pela violência cruel e ferocidade sangrenta.
Os revolucionários de hoje, tal como os seus predecessores, também são "companheiros de viagem" da Revolução radical, consolidando à sua maneira as “conquistas” passadas, obtidas no decurso do período sangrento.
A Revolução Francesa é a matriz inspiradora da revolução comunista. O descrédito da segunda repercute-se sobre a primeira. Se as duas revoluções estão em crise irreversível, a alternativa lógica só pode ser aderir à Contra-Revolução.

Guilherme Koehler


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Liberdade Tradicional e a Nova Liberdade


Pedro Arroja Porto Canal 12-01-2015


De quem é que eu me esqueci?




Um contribuinte viu a sua declaração rejeitada pelas Finanças porque,
 aparentemente, respondeu incorrectamente a um dos itens.

No campo: Quantos dependentes tem a seu cargo.. o homem escreveu:

 - 50.000 imigrantes ilegais,
 - 10.000 tóxico-dependentes,
 - 200.000 subsidio-dependentes,
 - 13.000 criminosos nas prisões,
e ainda,
 - os deputados do parlamento,
 - e os políticos dos municípios espalhados pelo país.

As Finanças devolveram ao remetente exigindo a correcção.
Resposta do homem às Finanças:
 - De quem é que eu me esqueci?


Je Suis Charlatan II


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

sábado, 10 de janeiro de 2015

E se a Grécia sair do euro?


Sempre que um país passa por problemas económicos, surge um grupo de economistas dizendo que tudo pode ser corrigido caso o governo simplesmente desvalorize a moeda — isto é, deprecie sua taxa de câmbio.Não obstante não seja possível encontrar um só exemplo de país que tenha saído da pobreza e se tornado próspero depreciando sua moeda em relação às outras, tal "solução" segue impavidamente em voga. A desvalorização da moeda é uma panacéia que ainda atrai muitos "pensadores" e continua sendo uma ideia extremamente popular entre alguns círculos de economistas.

Aproveitando o momento, façamos um exercício mental para analisar as prováveis consequências da desvalorização.  Vamos utilizar a Grécia como exemplo.

Suponhamos que a Grécia, que hoje faz parte da zona do euro, conseguisse de alguma forma voltar a emitir um Novo Dracma, e que essa nova moeda se desvalorizasse rapidamente, passando de um dracma por euro para dois dracmas por euro em um curto período de tempo (um mês, talvez), o que representaria uma desvalorização de 50%.  

Vamos também supor que o governo estipule que todas as obrigações existentes em euro, tais como títulos e contratos trabalhistas, para todas as pessoas e entidades na Grécia, sejam convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro.

O dracma agora é uma moeda independente e com câmbio flutuante, e sua taxa de câmbio está relativamente estável perto de 2 dracmas por euro (uma taxa até bastante optimista).

Sendo assim, o valor total da dívida do governo da Grécia, em termos de euro, cai 50%.  As dívidas de todos os outros devedores da Grécia, tais como empresas, bancos e pessoas físicas, também são reduzidas em 50% em termos de euro.  (Se uma empresa devia 100 milhões de euros, agora ela deve 100 milhões de dracmas.  Mas como 1 dracma vale 0,50 euro, 100 milhões de dracmas são 50 milhões de euros.)

A princípio, isso não é um grande benefício para os endividados gregos, dentre eles o governo, pois a renda deles, denominada em dracmas desvalorizados, também caiu 50% em valores de euro.  Tanto a dívida quanto a receita tributária do governo foram simultaneamente desvalorizadas, e o mesmo ocorre com os salários das pessoas e suas dívidas. 

No entanto, não vai demorar muito para que as receitas tributárias, as receitas das empresas e os salários das pessoas comecem a subir (em termos nominais) em decorrência da inflação de preços gerada pela desvalorização da moeda.

Como consequência de tudo, os calotes nas dívidas diminuirão.  Os activos e os passivos dos bancos são simultaneamente desvalorizados, mas o declínio nos calotes irá permitir que os bancos gregos, até então descapitalizados por causa de empréstimos ruins, readquiram alguma saúde financeira.  Para completar, os activos estrangeiros dos bancos gregos (como títulos do governo alemão ou empréstimos feitos a empresas italianas e espanholas) irão dobrar de valor em termos de dracma, o que irá melhor seus balancetes consideravelmente.

Com a redução dos calotes, as falências corporativas também irão diminuir, o que significa menos desemprego.  Trabalhadores gregos, cujos salários foram reduzidos à metade em termos de euro, agora estão mais "competitivos" (isto é, recebem menos) que os de Portugal, Espanha e Itália. 
Por outro lado, as empresas gregas voltadas exclusivamente para o mercado interno não usufruirão grandes benefícios, pois os trabalhadores gregos não serão capazes de comprar muita coisa com seus salários desvalorizados.  O custo dos bens e serviços importados dobrou, o que reduz ainda mais a renda disponível dos trabalhadores.

Aqueles assalariados mais bem pagos da Alemanha e da Inglaterra, que querem escapar de seus respectivos invernos e estão à procura de uma praia (ou mesmo de um local barato para viver quando se aposentarem), trocarão a Espanha pela Grécia e aproveitarão todas as ofertas sendo oferecidas em dracmas desvalorizados.
Sendo assim, a Grécia vivenciará um forte aumento nos negócios e nas contratações.  A economia parecerá estar melhorando, e as receitas tributárias do governo estarão aumentando, ao menos em termos nominais de dracmas.  Os preços ao consumidor subirão aproximadamente 20% no primeiro ano da desvalorização, e os economistas aplaudirão efusivamente, pois a deflação de preços "foi superada".
Principalmente por ter começado com valores pequenos em decorrência da crise, a bolsa de valores da Grécia irá disparar.  Mas ela teria de subir pelo menos 100% apenas para se manter com o mesmo valor em termos de euros.

Esse cenário não parece bonito?

Mas há outros fenómenos ocorrendo.  O que acontecerá com todos os bancos alemães e franceses que fizeram empréstimos para empresas gregas?  O que acontecerá com todos aqueles títulos do governo grego em posse dos bancos alemães?  Os títulos e os empréstimos agora valem apenas 50% de seu valor de face em termos de euro.  Os bancos alemães e franceses terão de ser socorridos, e milhões de depositantes alemães e franceses darão esse socorro compulsório por meio de uma redução em suas contas bancárias (exactamente como ocorreu no Chipre).

Os destinos turísticos na Espanha e no sul da Itália perderão clientes e, como consequência dessa súbita perda de receitas, começarão a dar calotes em suas dívidas.  As indústrias de cimento e naval de outros países europeus não conseguirão concorrer contra as importações baratas da Grécia, e também começarão a dar calotes em suas dívidas.  O desemprego nestes países irá subir.

O trabalhador grego agora tem um novo emprego, mas seu salário, reduzido à metade em termos de euro, não mais compra tudo aquilo que antes ele conseguia comprar.  Os preços internos aumentam, e, embora seu salário também aumente em termos nominais, ele não acompanha a subida dos preços.  Os pensionistas gregos são os mais afectados, principalmente aqueles cuja poupança estava nos bancos gregos (e não em outros países da zona do euro).  Ao passo que seus semelhantes na França e na Alemanha tiveram uma perda de 30% em suas contas bancárias, os poupadores gregos descobrirão que agora compram 30% menos com sua poupança.

O sistema tributário grego certamente não será ajustado de acordo com a desvalorização.  A consequência será a de que, com rendas nominais maiores, uma maior fatia dos ganhos será tributada.  E o resultado final é que pessoas com renda real mais baixa — e até então isentas — também terão de pagar imposto de renda.  Isso gerará um grande fardo sobre toda a economia, o qual poucos serão capazes de identificar.  Tradicionalmente, a culpa será atribuída aos altos preços da energia importada.

Após algum tempo — talvez alguns anos —, os salários dos trabalhadores gregos já terão subido, em termos nominais, o bastante para acabar com aquela "vantagem comparativa" inicial.  Os impostos reais mais altos começarão a introduzir uma persistente obstrução na economia grega.
Adicionalmente, o sistema financeiro grego já se tornou deficiente e não confiável.  Após a desvalorização, ninguém mais está disposto a conceder mais empréstimos em dracmas.  Afinal, quem vai querer correr o risco de ter seus activos subitamente desvalorizados novamente?  As taxas de juros domésticas já subiram e estão altas, e o volume de empréstimos está baixo.  Grandes empresas ainda conseguem tomar empréstimos em euros, mas isso não estará disponível para famílias e pequenas empresas.  As famílias, que já foram prejudicadas uma vez, não irão manter sua poupança nos bancos gregos.  O mais provável é que elas descubram maneiras informais de poupar e investir sem recorrer ao sistema financeiro.  Já as famílias mais sofisticadas irão simplesmente utilizar os bancos alemães, e sua poupança e seu capital jamais retornarão à Grécia.

Por tudo isso, a economia grega apresentará uma baixa criação de capital, um ambiente de investimentos totalmente distorcido, no qual apenas as grandes corporações conseguem financiamento, e uma baixa criação de empregos.  A economia estagna.  Consequentemente, o governo volta a incorrer em deficits orçamentários, uma vez que as receitas tributárias começam a cair e as demandas por serviços assistencialistas cresceram.  Como o governo não mais consegue se endividar em dracmas — só a taxas de juros proibitivas —, ele terá de se endividar em euros.  Mas isso também será difícil, pois o governo já se mostrou não confiável.  A única opção restante será aumentar ainda mais os impostos. 

À medida que essas dificuldades vão se acumulando, alguns economistas acreditarão ter encontrado a solução: desvalorizar novamente! Essa ideia ganhará o imediato apoio dos grandes exportadores e do sector de turismo, os quais adorariam voltar a ter uma "vantagem competitiva" em termos de mão-de-obra barata.  Como esses sectores já haviam se beneficiado economicamente antes, eles se tornaram mais politicamente influentes.  Por outro lado, os sectores que foram prejudicados pela desvalorização, como as empresas que dependem de importações e as voltadas exclusivamente para o mercado doméstico, já perderam toda a sua influência política.  Sendo assim, o sistema político passa a ser guiado apenas pela ideia de mais desvalorizações.

Com a imposição de novas desvalorizações, todo o ciclo se reinicia: o sector exportador e o sector turístico ganham um impulso temporário, mas todo o restante dos trabalhadores gregos perde poder de compra, e seu custo de vida sobe.  A inflação de preços dá outro salto.  O imposto de renda continuará sem ser corrigido pela inflação — pois o governo precisa de todas as receitas possíveis —, o que gerará um confisco cada vez maior da renda real das pessoas e empresas, o que, por sua vez, prejudicará ainda mais os investimentos.

Já os outros países da zona do euro muito provavelmente não ficarão passivos perante os sectores exportador e turístico gregos.  É provável que imponham pesadas tarifas sobre as importações e também sobre a conversão de euros em dracmas.

A conclusão é que a desvalorização funciona apenas por algum tempo, e é benéfica apenas para poucos sectores muito específicos — e ainda assim apenas no curto prazo.

Em termos gerais, a desvalorização da moeda prejudica toda a população, pois esta é roubada do seu poder de compra e acaba ficando sem acesso a bens importados de maior qualidade. 

Um governo que desvaloriza sua moeda está, na prática, fechando suas fronteiras aos bens estrangeiros, isolando sua população, reduzindo sua renda, e destruindo enormemente seu padrão de vida.

Economista que realmente acredita que desvalorizar a moeda é o caminho para a prosperidade está, na prática, dizendo que uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem poder de compra é o arranjo ideal. Está dizendo que uma redução compulsória da renda total da população representa prosperidade e enriquecimento.  Não faz absolutamente nenhum sentido.

O que aconteceu com a Argentina em 2002, quando a súbita desvalorização do peso fez com que fosse quase impossível para muitas mães comprarem leite para seus filhos, pode perfeitamente acontecer com a Grécia em 2015.  É muito difícil uma desvalorização da moeda passar impune.

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