segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aristides de Sousa Mendes, um homem livre

A propósito da estreia do filme sobre a vida de Aristides de Sousa Mendes, gostaria de dar o seguinte ponto de vista:

Aristides de Sousa Mendes, antes de ser um cônsul português em Bordéus, era um homem livre, que pensava pela própria cabeça.
Tomou decisões baseadas na sua consciência, independentemente das ordens a que estava submetido, e como homem livre que era, assumiu-as, e responsabilizou-se por elas.

Mas Aristides de Sousa Mendes exorbitou nas suas competências, e como tal, sujeitou-se à lei de Salazar e ao regime policial que vigorava, tendo chegado ao ponto de ver revogada a sua carta de condução e acabando por viver com bastante dificuldades até à sua morte.

Ser verdadeiramente livre não é para todos, já que as consequências que tal postura acarreta exigem muita disciplina intelectual e sacrifícios de toda a ordem.
Ser livre desta forma até é, em certo sentido, uma conquista tardia na nossa civilização. São poucos os homens e as mulheres equipados com este arcaboiço mental, na medida em que as nossas vidas estão cheias de tradições, de comportamentos mecanizados, de moral e de mecanismos de sobrevivência, que relevam mais o comportamento grupal, de preservação da espécie, do que propriamente a valorização individual.
A tradição e a moral servem de escudo de proteção contra as correntes novas que aparecem.

É por tudo isto que Aristides de Sousa Mendes deve ser recordado, e não porque caiu nas mãos de uma máquina injusta que era o Estado Novo.
Aristides Sousa Mendes não foi uma vítima do sistema. Ele próprio violou o sistema e aceitou as consequências.

Se nos pusermos no lugar de Salazar, perceberíamos que a neutralidade portuguesa e espanhola dependia desta linha muita estreita que nos separava de Aliado e de Inimigo. Ao mínimo deslize, este novo "regime jurídico-diplomático" cairia por terra, e se a visibilidade dos comportamentos de Aristides de Sousa Mendes fossem muito mais evidentes, esse frágil equilíbrio estaria ameaçado. A neutralidade teve custos obviamente, mas também nos livrou desta guerra.

Se eu estivesse no lugar do Aristides? Provavelmente faria a mesma coisa

Se eu estivesse no lugar de Salazar? Chamaria Aristides a Lisboa, ouviria os seus motivos, e nos estritos termos da lei, destitui-lo-ia do seu cargo de cônsul. No plano pessoal, ajudá-lo-ia naquilo que pudesse.

Tiago Mestre

6 comentários:

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