quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um passo importante para o capitalismo...

Alemães sugerem 30 horas de trabalho contra o desemprego.

Um grupo de 100 académicos e políticos alemães estão a pedir um horário de 30 horas semanais sem um corte nos salários, noticia hoje o jornal alemão Tageszeitung, citado pela CNBC. Os peticionários argumentam que uma semana de trabalho mais curta é a melhor forma de lidar com o aumento da taxa de desemprego no país, contribuindo também para o aumento da produtividade dos trabalhadores.

aqui


Esta ideia pode e deve ser complementada de uma forma simples e aceitável estendendo a jornada laboral de uma empresa de 5 dias para 6 dias por semana (ou até em alguns casos  para 7 dias) em que a empresa passa assim a ter uma laboração contínua com cada um dos seus trabalhadores agora com uma ocupação laboral semanal de +/- 3,5 dias ou até mesmo de 3 dias (10h p/dia).

Quanto à questão salarial para as empresas se houver uma mobilização geral em torno da ideia o choque inicial do aumento de encargos para as empresas será rapidamente ultrapassado pois haverá aumentos de produtividade e as empresa têm agora à sua disposição uma ferramenta que permite a possibilidade de poder aumentar a sua laboração (em acordo com as suas necessidades e em alguns casos empresariais até podem mesmo preferir a diminuição do tempo). 


Nesta mudança do atual sistema de trabalho completamente ultrapassado não se deve excluir também o emprego em part-time, pois é uma ferramenta importante de acesso ao mercado para mães, estudantes, deficientes, desempregados de longa duração e todos aqueles que não sentem vontade em trabalhar de uma forma intensiva.

O capitalismo graças à acumulação de capital e ao aumento de produtividade permite que seja necessário cada vez menos esforço humano para a obtenção de um produto ou serviço e ao mesmo tempo consegue que os preços cheguem cada vez mais baixos às pessoas.

É uma mudança muito importante na gestão do trabalho e qualquer pedrada no charco é boa para mudar os paradigmas atuais que estão muito presos a acordos de sindicatos e a códigos laborais ultrapassados que já deixaram de ser solução há muito tempo.

Deve ser permitido nesta mudança de conceito laboral uma grande flexibilidade entre a empresa e o trabalhador quando atendem à realidade e à vontade de ambos.

No capitalismo, ao contrário do que muitos pensam, pretende-se que o tempo das pessoas seja cada vez mais livre e com custos menos dispendiosos.

Uma nova chamada para a questão salarial, com o tempo o mercado inevitavelmente irá modelar o mesmo em função da realidade existente.

Pensando em comprar uma casa no Rio?

6 Castelos mais baratos que imóveis no Rio de Janeiro

Morar em um castelo é bem melhor que em qualquer casa ou apartamento, é fato. Que mansão na Barra permite ter seu próprio fosso? Que casa no Leblon foi construída no século VII ou possui 40 banheiros? E nem é tão caro, na verdade bem mais barato que muito imóvel no Rio de Janeiro.

Veja só a lista (baseada em matéria do Buzzfeed):

Castelo na França – Midi-Pirinéus

Castelo na França – Midi-Pirinéus

Por R$ 3.600.000 este castelo na França tem 1.379 m² com um parque de 10 hectares, 6 quartos. O castelo tem salão com lareira, um imensa escada, elevador, uma sala de jantar com lareira, duas cozinhas, uma ala de quartos com uma sala que dá para o pátio, salas de estudo nas torres, duas garagens e capela.

Casa no Joá

Essa casa no Joá custa R$ 3.680.000, tem 450 m²…

Castelo na Normandia

Castelo na Normandia

Este belo castelo da Normandia, a menos de 2 horas de Paris, está por um preço convidativo para milionários, R$ 5,135,000. Partes do imóvel datam do século XV, antes do Brasil ser descoberto. Em seus 700 m² tem 8 banheiros, 10 quartos, dentro de um parque de 27 acres. Além de uma de adega, uma sala de jantar para 60 convidados, um bar com acesso ao jardim, duas estufas, casa para o caseiro, casa para hóspede e um salão de festas para 210 pessoas!

Casa na Barra

Esta casa na Barra custa R$ 5.498.000, tem 320 m² e um salão de 42 m² em porcelanato!

Castelo em Viena

Castelo em Viena

Um castelo em Viena custa R$ 5.760.000, é datado do século XIX. Com uma área de 800 m² em 4 andares, possui 7 banheiros, 7 quartos. Está dentro de um terreno de  66 hectares com uma paisagem de cair o queixo. Ainda vem com dois celeiros, estábulo e um pátio fechado.

Casa em São Conrado

Esta casa em São Conrado tem 526 m², custa R$ 6.000.000. Fica em um condomínio…

Castelo em Touraine, França

Castelo em Touraine, França

Um castelo em Touraine, França, com 1.200 m² em um parque fechado com 17 hectares custa R$ 8.350,530. Tem 12 quartos, 6 banheiros, casa de hóspedes e vista de Touraine. Além de estábulo e celeiro.

Casa em São Conrado

Esta casa em São Conrado custa R$ 8.5000.00 com 460 m² mas tem piscina e uma bela vista do mar

Castelo na Bélgica

Castelo na Bélgica

Por R$ 11.184.000 você pode ser dono deste castelo na Bélgica, que começou a ser construído no ano de 650!!! Pode ter 45 quartos e 45 banheiros!

Casa no Leblon

Já no Leblon você pode adquirir por R$ 11.500.000 uma casa com 4 suítes

Castelo em Aquitânia, França

Castelo em Aquitânia, França

Por R$ 12.525.000 você pode ser o proprietário de um belíssimo castelo com 2.050 m², em um terreno de 320 000 m²! 320 MIL! São 24 quartos!

Casa no Jardim Pernambuco

Ou você pode gastar R$ 14.7000.000 por uma casa de 650 m² no Leblon, “apenas” 7 quartos.


Paralelo assustador II

Então, eu - particularmente - acreditei mais nesse tipo de paralelo. O pessoal vem traçando há alguns anos, inclusive. Esse comportamento de expansão e quebra é semelhante - e bem parecido - em qualquer ativo que nós acompanhemos.

Se pegar o gráfico
do BIT-COIN e o do IBOVESPA no semanal perceberão que são bem semelhantes, inclusive.

A semelhança dos períodos impressiona, realmente! Há quem diga que estamos em ano de cavalo de madeira, que foi o mesmo ano da primeira guerra mundial. Tem gente falando em China e Japão como aquela Inglaterra e Alemanha da época. Falam pra cacete.

Uma verdade existe - e financeira: O FED injeta 85BI todo mês na economia Americana. Dinheiro do contribuinte. Caiu para 75 e parece que agora será reduzido para 65. Mas, mesmo assim, não podemos esquecer que esse foi um plano de incentivo criado lá em 2008, por decreto, para durar apenas ALGUNS MESES. E estamos há quase 06 anos com ele! Os estragos já foram enormes. O rombo é colossal. E, mesmo assim, após seis anos, o mercado de emprego e indústria dos EUA ainda não "deu confiança" aos analistas. Cacete! Tem algo errado então, não?

Em contra partida, a inflação nos últimos dez anos REAL nos eua foram de 44%. Inflação a lá América Latina.

O que segura os EUA ainda conseguindo vender confiança ao mundo é a completa inaptidão da comunidade Européia de aquecer a sua própria economia. Mas, por incrível que pareça, estão fazendo certo (meio certo) por meio de pacotes de austeridade (meio-austeridades) e sem impressão de dinheiro.

Petter Schiff falou em uma entrevista há 30 dias e está certo (aliás, ele tem essa mania chata de estar sempre certo!): O Crash não virá quando quisermos. O Crash virá quando os EUA pararem de imprimir dinheiro. Seja pelo teto (barrado pelo congresso) seja pela ausência de confiança do tomador estrangeiro.

Ou ninguém está achando estranho o fato do Obama já ter dito em dois discursos públicos que, se preciso, agiria sem anuência do congresso, em casos de interesse público? 


Interesse público? E quem é o congresso? A quem representa? Os caras estão a beira de um choque de gestão do tipo quando os senadores puxavam armas aqui no senado. Senador de Alagoas, inclusive.

Ícaro de Carvalho

Paralelo assustador



Bolsa americana dá sinais iguais ao do crash de 1929, vem queda forte por aí?

Segundo McClellan, que viu a correlação entre os dois períodos, não há garantia de que o mercado vai continuar seguindo o movimento de 1929, mas entre agora e maio de 2014 há uma série de razões para se ter cautela.
 


 
notícia completa aqui
 
 

Bitcoin update

É complicado escrever sobre a Bitcoin, na medida em que tem o grande mérito de ser uma moeda fora do circuito da manipulação política e governamental, mas ao mesmo tempo não é suportada por nada que represente riqueza física. A definição de valor da Bitcoin baseia-se sobretudo na perceção de risco que os investidores têm desta moeda.

Desta forma, a Bitcoin está desprotegida em relação a ataques ou problemas que inundam todos os dias os sistemas informáticos.
Sendo uma moeda fora do circuito político e que em certa medida o desafia, caso as coisas lhe corram mal, não há bailout, droga a que os investidores de hoje se habituaram para tudo o que é papel financeiro transacionável na net.

Nesta medida, caso as coisas corram mal para a Bitcoin, parece não haver fundo à vista, o que pode deixar os investidores permanentemente nervosos e com o dedo sempre apontado à tecla Sell.

Tecnicamente não percebo a explicação referida no artigo do ZeroHedge, mas que estas coisas parecem simples de manipular, lá isso parecem:

As the torch of responsibility is rapidly handed off from exchange to exchange to the Bitcoin source code, Gavin Andersen (one of Bitcoin's protocol core developers) explains just what is going on - and what it means for the 'wealth' stored in the virtual currency - "Users of the reference implementation who are bitten by this bug may see their bitcoins “tied up” in unconfirmed transactions" - so that's what 'bit' stands for in bitcoin...

You may have noticed that some exchanges have temporarily suspended withdrawals and wondering what’s going on or more importantly, what’s being done about it. You can be rest assured that we have identified the issue and are collectively and collaboratively working on a solution.

Somebody (or several somebodies) is taking advantage of the transaction malleability issue and relaying mutated versions of transactions. This is exposing bugs in both the reference implementation and some exchange’s software.

We (core dev team, developers at the exchanges, and even big mining pools) are creating workarounds and fixes right now. This is a denial-of-service attack; whoever is doing this is not stealing coins, but is succeeding in preventing some transactions from confirming. It’s important to note that DoS attacks do not affect people’s bitcoin wallets or funds.

Users of the reference implementation who are bitten by this bug may see their bitcoins “tied up” in unconfirmed transactions; we need to update the software to fix that bug, so when they upgrade those coins are returned to the wallet and are available to spend again. Only users who make multiple transactions in a short period of time will be affected.

As a result, exchanges are temporarily suspending withdrawals to protect customer funds and prevent funds from being misdirected.

Thanks for your patience.
As a reminder, Andersen previously explained:
Transaction malleability has been known about since 2011. In simplest of terms, it is a small window where transaction ID’s can be “renamed” before being confirmed in the blockchain. This is something that cannot be corrected overnight. Therefore, any company dealing with Bitcoin transactions and have coded their own wallet software should responsibly prepare for this possibility and include in their software a way to validate transaction ID’s. Otherwise, it can result in Bitcoin loss and headache for everyone involved.

Bitcoin is no longer in Phase 1 of its evolutionary cycle. I believe Phase 2 for Bitcoin began in earnest back in November 2013, when the Senate Committee on Homeland Security and Governmental Affairs held its first hearings on the topic. Those hearings made it clear that, at least for the moment, no significant roadblocks would be put in place to prevent people from transacting with one another using the crypto-currency. Phase 2 also saw the largest Bitcoin investment to-date, a $25 million infusion led by Silicon Valley VC firm Andreessen Horowitz, as well as acceptance by major U.S. retailers, with Overstock being the most significant. Bitcoin is becoming serious, and serious means serious accountability.
As a free market currency, the market will decide the products required to keep the Bitcoin protocol open and functioning to its highest potential.

O pobre é sempre quem mais sofre com o confisco



A pura prova da falta de respeito com o cidadão de bem, que sai cedo de sua casa, enfrenta um sol intenso em busca do sustento de sua família.

Eu te pergunto, o homem, que aparece na imagem, está praticando algum ilícito?

Não, pelo contrário, percebemos o semblante de tristeza do mesmo ao ter sua mercadoria apreendida pela fiscalização.

Qual crime ele estaria cometendo?.

Muitas vezes, por não ter conseguido êxito nas vendas, ele chega em casa de mão vazias. Mas, diferente do que mostra a imagem - a apreensão de seus produtos de comercialização -, ele sempre volta com estes produtos que comercializa.

Fiscalização para quem trabalha honesto tem, mas para procurar bandido e político ladrão...


AI TÁ DIFÍCIL!

(autor desconhecido)


Ciência económica socialista


sempre dá merda mas a culpa é do capitalismo...




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O segredo do sucesso de vendas do Meo



Lamento mas o segredo do sucesso está no comando.

Pois é RAP, o mercado é sempre imprevisível e nenhum socialista consegue controlar o comportamento da ação humana.

O comando é MEO  ;)


Os socialistas andam passados


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Esquerdilson, militante do partido "livre"



A essência do comércio

Por Fernando Pessoa,

Artigo publicado originalmente na Revista de Comércio e Contabilidade, ano de 1926, (1° trimestre)

Aqui há anos, antes da Grande Guerra, correu os meios ingleses, como exemplo demonstrativo da insinuação comercial alemã, a notícia do caso curioso das “taças para ovos” (egg-cups) que se vendiam na Índia.
O inglês costuma comer os ovos, a que nós chamamos “quentes”, não em copos e partidos, mas em pequenas taças de louça do feitio de meio ovo, e em que o ovo, portanto, entra até metade; partem a extremidade livre do ovo, e comem-no assim, com uma colher de chá, depois de lhe ter deitado sal e pimenta. na Índia, colónia britânica, assim se comiam, e naturalmente ainda se comem, os ovos “quentes”. Como é de supor, eram casas inglesas as que, por tradição aparentemente inquebrável, exportavam para a Índia as taças para este fim.
Sucedeu, porém, que, alguns anos antes da Guerra, as firmas inglesas exportadoras deste artigo notaram que a procura dele na Índia decrescera quase até zero. Estranharam o facto, buscaram saber a causa, e não tardou que descobrissem que estavam sendo batidas por casas exportadoras alemãs, que vendiam idêntico artigo ao mesmo preço.
Se as casas alemãs houvessem entrado no mercado indiano com o artigo a preços mais baixos, sem dúvida que os agentes dos exportadores ingleses teriam advertido estes sem demora. Mas, como o preço era igual, e a qualidade igual também, não era necessário o aviso; nem houve receio senão quando se verificou que havia razão para mais que receio – isto é, quando se verificou que, nestas condições de duvidosa vantagem para um novo concorrente, o artigo alemão vencera por completo.
Feita a averiguação curiosa da causa deste mistério, não tardou que se descobrisse. Os ovos das galinhas indianas eram − e naturalmente ainda são − ligeiramente maiores do que os das galinhas da Europa, ou, pelo menos, das da Grã-Bretanha. Os fabricantes ingleses exportavam as taças de tipo único que produziam para o consumo doméstico. Essas taças, evidentemente, serviam de um modo imperfeito aos ovos das galinhas da Índia. Os alemães notaram isto e fizeram taças ligeiramente maiores, próprias para receber esses ovos. não tinham de alterar qualidade (podiam, até, baixá-la), nem de diminuir preço: tinham certa a vitória por o que, em linguagem científica, se chama a adaptação ao meio. tinham resolvido, na Índia e para si, o problema de comer o ovo de Colombo.
*
Esta história, em aparência tão simples, encerra um ensinamento que todo o comerciante, que o não seja simplesmente por brincar às vendas, devia tomar a peito, compreender na sua essência.
Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que chama o seu “lucro”, pela prestação desse serviço. Ora, toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve − mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações; partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós, mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles: o que temos de ver é como é que eles efectivamente pensam, e não como é que nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem.
Nada revela mais uma incapacidade fundamental para o exercício do comércio do que o hábito de concluir o que os outros querem sem estudar os outros, fechando-nos no gabinete da nossa própria cabeça, e esquecendo que os olhos e os ouvidos − os sentidos, enfim − é que fornecem os elementos que o nosso cérebro há-de elaborar, para com essa elaboração formar a nossa experiência.
O estudo do público, isto é, dos mercados, é de três ordens − económico, psicológico, e propriamente social. isto é, para entrar num mercado, seja doméstico ou estranho, é preciso (1) saber as condições de aceitação económica do artigo e aquelas em que trabalha, e em que oferece, a concorrência; (2) conhecer a índole dos compradores, para, à parte questões de preço, saber qual a melhor forma de apresentar, de distribuir e de réclamar[1] o artigo; (3) averiguar quais são as circunstâncias especiais, se as houver, que, de ordem profunda e social ou política, ou superficial e de moda ou de momento, obrigam a determinadas correcções no resultado dos dois estudos anteriores.
É espantoso − não: é pavoroso − o número de comerciantes que cotam para um mercado, estrangeiro e até nacional, espontaneamente ou solicitados, sem averiguar se não estarão cotando um preço que seja um disparate de tal ordem que os desqualifique intelectualmente − e a desqualificação intelectual é por vezes pior do que a moral − no espírito dos que recebem a oferta.
Quando um comerciante, que use a cabeça para fins mais interiores do que a colocação do chapéu, verifica que lhe é impossível cotar convenientemente para certo mercado, deve responder a um pedido de cotação que, dadas estas ou aquelas circunstâncias, não pode cotar nesse momento; ou que oferece a um preço mais alto do que o do mercado (mas mostre que conhece o preço do mercado), porém que o artigo, se é mais caro, é porque é melhor; ou que, por não ter nesse momento disponível senão um tipo desse artigo, não pode cotar senão em determinadas condições.
A maioria dos comerciantes − sim, e infelizmente, a maioria! – não faz isto, nem nada que disto se aproxime. Cota um preço, porque esse preço lhe dará certo lucro, e não olha a mais. não lhe passa pela cabeça, sequer, que é preciso, às vezes, não cotar com lucro, sendo essa ausência de lucro uma autêntica despesa de publicidade. E porque não lhe passa isto pela cabeça? Porque vive só no presente, e tem casa comercial sem amanhã. Porque não pensa que, mesmo quando se não possa cotar convenientemente, se deve atrair convenientemente; e que a demonstração de inteligência e de estudo das conveniências e necessidades alheias é uma demonstração da posição sobre os ombros de uma cabeça que contém miolos.
*
O estudo psicológico do mercado é também importante; mas, ao passo que o seu estudo económico é essencial e fundamental em qualquer género de comércio, é o comércio de retalho, e as formas do outro comércio (de origem directamente industrial) que com ele têm semelhança, que mais têm de atender a este elemento. A maneira de fabricar, de apresentar, de distribuir e de réclamar um artigo varia conforme a índole geral dos indivíduos que compõem o mercado onde se pretende vendê-lo. num meio de gente educada as condições são diferentes, para todos estes casos, das de um meio de analfabetos. Um meio provinciano − educado ou não − tem uma psicologia distinta da de um meio de cidade.
O modo de encarar a vida, ou pelo menos certos aspectos da vida, varia de país para país, de região para região. a humanidade, sem dúvida, é a mesma em toda a parte. Sucede, porém, que em toda a parte é diferente. é a mesma nas coisas essenciais, nos sentimentos fundamentais; mas, as mais das vezes, não são as coisas realmente essenciais que ela tem por essenciais, nem os sentimentos fundamentais que a preocupam como fundamentais. Em todos os tempos, em todas as terras, é o local, o superficial, o ocasional, o que mais tem preocupado a humanidade. Ora, é ao que mais preocupa a humanidade, e constitui, portanto, as suas necessidades, que o comércio essencialmente se dirige. E é por isso que o comerciante, que deveras o seja, tem para consigo mesmo o dever de estudar psicologicamente, e um a um, os agrupamentos humanos a que destina os seus artigos.
*
O estudo propriamente social do meio é aparentado com o seu estudo psicológico, mas, ao mesmo tempo, distinto dele. O estudo psicológico tem por objecto a mentalidade típica dos componentes de um determinado meio comerciável; o estudo propriamente social tem por objecto os hábitos puramente exteriores, as convenções, permanentes ou de acaso (e as estas últimas chama-se modas), e os caprichos incaracterísticos desses mesmos indivíduos. é claro que esses hábitos e essas convenções formam parte da índole dessa gente; mas é uma parte “externa”, que não pode ser adivinhada através de um estudo cuidadoso dos indivíduos, mas tem de ser conhecida, mais propriamente, através do estudo do meio em que eles vivem, considerado como destacado deles.
Suponhamos que temos de introduzir determinado artigo na Itália. nem para todos os artigos se dará − mas sem dúvida haverá alguns para cuja colocação importe considerar (à parte as circunstâncias económicas, de que não estamos agora tratando) o italiano como italiano; o italiano como romano, veneziano, genovês, etc.; o italiano como governado pelo regime fascista; o italiano como crescentemente detestador da França; e assim indefinida, mas, ao mesmo tempo, muito definidamente.
Um industrial que inventasse e produzisse um tipo de whisky novo, bom e barato, teria um mercado certo nas ilhas britânicas; mas, se tivesse a lembrança de ornar as garrafas desse líquido de um rótulo com a bandeira daquele império, não deveria admirar-se de ver a maioria dos habitantes do Estado Livre da irlanda impor-se o honroso sacrifício de o não beber. O produto estava psicologicamente certo para esse meio, mas estava “socialmente” errado. Parece-nos que assim transmitimos claramente ao leitor a ideia da distinção entre o critério psicológico, e o, por assim dizer, sociológico no estudo comercial dos mercados.
*
Em resumo: o comerciante é um servidor do público; tem de estudar esse público, e as diferenças de público para público se o artigo que vende ou explora não é limitado a um mercado só. O comerciante não pode ter opiniões,como comerciante, nem deve fazer comercialmente qualquer coisa que leve a crer que as tem. Um comerciante português que faça um rótulo encarnado e verde, ou azul e branco, comete um erro comercial: quem segue a política das cores do rótulo não lhe compra o produto por isso, e quem segue a política oposta deixa muitas vezes de o comprar. Por um lado não ganha, pelo outro perde.
Mais incisivamente ainda: o comerciante não tem personalidade, tem comércio; a sua personalidade deve estar subordinada, como comerciante, ao seu comércio; e o seu comércio está fatalmente subordinado ao seu mercado, isto é, ao público que o fará comércio, e não brincadeira de crianças com escritório e escrita.
Fernando Pessoa foi poeta, escritor e filosofo. Tendo também trabalhado nas áreas de jornalismo, empreendedorismo, comentarista político, tradutor, crítico literário e muitas outras, é reconhecido não apenas como um dos maiores poetas da língua portuguesa como da literatura mundial.


Nota do redator:
[1] Termo que caiu em desuso e que significava publicitar, anunciar, chamar a atenção (do francês réclame).

O movimento surrealista de Abril



Patrimônio nacional em ruínas...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Experiências na construção do homem novo português



A democracia em Portugal foi uma festa!


O que no Brasil é palhaçada em Portugal vira tragédia...


Cinquenta e cinco anos de vida.

Filho de gente humilde. Filho da aldeia. Filho do trabalho. Desde criança fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, montei móveis, entreguei roupas, fui vendedor ambulante, servi à mesa e ao balcão. Limpei chãos, comi com as mãos, bebi do chão e nunca tive vergonha.

Na aldeia é assim, somos o que somos porque somos assim.

Cresci numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora. Cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água, sem luz, sem estradas e com uma oferta de trabalho árduo e feroz.

Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olha nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.

Cresci com amigos que estudaram e com outros que trabalharam. Os que estudaram, muitos à custa de apoios do Governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo. Os que sempre trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o país e a pouco se fazerem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e a nada receberem por produzir.

Cresci a ouvir dizer que éramos um País em Vias de Desenvolvimento e... de repente éramos já um País Desenvolvido, que depois de entrarmos para a União Europeia o dinheiro tinha chegado a "rodos" e que passamos de pobretanas a ricos "fartazanas".

Cresci assim, sem nada e com tudo.

E agora, o que temos nós?

1. Um país com duas imagens.

A de Lisboa: cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, o lugar onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado, presente e futuro.

E a do interior do país, território desertificado, envelhecido, abandonado, improdutivo, esquecido, pisado.


2. Um país de vícios.

Esqueceram-se os valores, sobrepuseram-se os doutores. Não interessa a tua história, interessa o lugar que ocupas. Não interessa o que defendes, interessa o que prometes. Não interessa como chegaste lá, mas sim o que representas lá. 

Não interessa o quanto produziste, interessa o que conseguiste. Não interessa o meio para atingir o fim, interessa o que me podes dar a mim.

Não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho. Não interessa que critiquem os políticos, interessa é estar lá. Não interessa saber que as associações de estudantes das universidades são o primeiro
passo para a corrupção activa e passiva que prolifera em todos os sectores políticos, interessa é que o meu filho esteja lá. 

Não interessa saber que as autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu pertença aos quadros.

Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o povo vá para o...


3. Um país sem justiça.

Pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias. Pedófilos que por serem políticos são pegados em ombros e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno.

Assassinos que matam por trás e que são libertados passados sete anos por bom comportamento!

Criminosos financeiros que escapam por motivos que nem ao diabo lembram.

Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou alguém questiona tais fortunas. Políticos que desgovernam um país e "emigram" para Paris. 

Bancos que assaltam um país e que o povo ainda ajuda a salvar.

Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica e chora.


4. Um país sem educação.

Quem semeia ventos colhe tempestades. 

Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente sofisticados, em Portugal a educação passou a ser um circo. 

Não se podem reprovar meninos mimados. 

Não se pode chumbar os malcriados. 

Os alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar. Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas. Os professores saem com os alunos e alunas e os alunos mandam nos professores.

Ser doutor, afinal, é coisa banal.


5. Um país que abandonou a produção endógena.

Um país rico em solo, em clima e em tradições agrícolas que abandonou a sua história.

Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país. Um país que julga que uma mega fábrica de automóveis dura para sempre.

Um país que pensa que turismo no Algarve é que dá dinheiro para todos. 

Um país que abandonou a pecuária, a pesca e agricultura. 

Que pisa quem ainda teima em produzir e destaca quem apenas usa gravata. 

Um país que proibiu a produção de Queijo da Serra artesanal na década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional. 

Um país que diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de excelência, carne mirandesa maravilhosa, Vinho do Porto fabuloso, Ginjinha deliciosa, Pastel de Tentúgal tentador, Bolo Rei português, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de Portugal para vender. 

E tanto, tanto mais... que sai da terra e da nossa história.


6. Um país sem gente e a perder a alma lusa.

Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, em arquitectos, em advogados, em médicos, em gestores, economistas e marketeers, em cursos profissionais, em novas tecnologias e em tudo o mais, e que agora fecha as portas e diz para os jovens emigrarem.

Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e sábia que não tem a quem passar tamanha sabedoria. Um país com jovens empreendedores que desejam ficar mas são obrigados a partir. Um país com tanto para dar, mas com o barco da partida a abarrotar. Um país sem alma, sem motivação e sem alegria. Um país gerido por porcaria.



E agora, vale a pena acreditar?

Vale. Se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e de mudar.

Porquê acreditar?

Porque oitocentos anos de história, construída a pulso, não se destroem em 40 anos. Porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o sol continua a brilhar e a nossa alma, ai a nossa alma, essa continua pura e lusitana e cada vez mais fácil de amar.


(autor desconhecido)


ritual de celebração da democracia em Portugal

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os resultados do governo socialista brasileiro




Debate direita / esquerda (via o Insurgente)