domingo, 15 de setembro de 2019

Salazar e a França



Salazar e a França

No capítulo da "Histoire des Idées Politiques" dedicado a Portugal, referem os autores a "referência Salazar" e acrescentam: "o elogio de Salazar é tradicional em certos meios da direita francesa e os livros à glória de Salazar não têm conta". Certamente nenhum outro país dedicou tanta atenção e admiração pelo Chefe português como a França. Para todos os efeitos, as claques políticas da direita francesa não diferenciavam da portuguesa, desde os monárquicos tradicionalistas, aos conservadores desencantados e aos nacionalistas autoritários.

Os maurrasianos jamais esmoreceram no entusiasmo ao regime que parecia concretizar as premissas do velho mestre da Action Française. Nem deixou o próprio Maurras de encontrar virtudes, tal como encontrara em Pétain. Mas Salazar era diferente, era a alternativa eficaz e coerente ao demo-liberalismo, no fundo uma articulação possível do constitucionalismo e do sistema representativo com as tendências autoritárias, encontrando ali justificação filosófica a um conservadorismo de base católica e anti-liberal. Regime que Jacques Bainville descreveu como uma "ditadura de professores", formulação lapidar dada a especificidade social do escol do regime composto sobretudo por professores universitários.

Serão maurrasianos os mais fascinados, desde Massis, que entrevista várias vezes Salazar, dizendo: "Aux noms de ces bienfaiteurs, je tiens à ajouter celui du Dr. Salazar car c'est au Portugal, c'est à la très noble nation à laquelle M. Salazar a donné sa personne (...)", a Ploncard d'Assac que escreverá uma biografia sobre o Chefe do regime português. No pós-guerra, a direita gaulista tecia rasgados elogios ao Professor de Coimbra. O próprio de Gaulle não escondia tão pouco a admiração. Paradoxo que levava a extrema-esquerda francesa a estabelecer um paralelo entre os dois. Para a oposição, o gaulismo mais não era do que um salazarismo adaptada a estruturas liberais, aliás muitas vezes salientando a "deriva salazarista" do general De Gaulle. Comparação implícita também feita por Helmut Schmidt.

A admiração da direita francesa encontrou talvez a mais elevada representação com Christine Garnier. O livro "Vacances avec Salazar" revela-se mais do que um testemunho, mas uma imagem de compaixão, de humanização, de revelação do homem por detrás do poder.

Nem seria inusitado referir, como Miguel Ayuso, relativamente aos regimes ibéricos, que estes realizavam uma formulação da "democracia-cristã autoritária". Era a aplicação da doutrina dos Papas sociais enquanto alternativa quer ao socialismo quer ao capitalismo: sistema constitucional autoritário, congregador, hierárquico, corporativo, católico, harmonizador e patriótico. Aliás, na senda do que referira também o insuspeito Oliveira Marques, quando caracterizava o Estado Novo como uma terceira via entre os regimes socialista do leste e os regimes demo-liberais do ocidente.

Especificamente, no pós-Concílio Vaticano II, também um baluarte da resistência contra a mudança perpetrada no seio da própria Igreja (como João Medina não deixou de referir), homens como Léon de Poncins não escondem o amor pelo Chefe português, o espírito da resiliência num mundo em acelerada mudança e da resistência católica tradicional e dos críticos do demo-liberalismo.

O salazarismo não encontrava fronteiras e, talvez, entre os maiores admiradores, tenham estado exactamente os intelectuais da direita francesa.

DS



quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Adivinhe quem é o morto!

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Frota Funerária à porta da Assembleia da República.  



sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A história de Portugal


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segundo os comunas e os socialistas...



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A tempestade perfeita




O exilado não se enganava

Do livro de João Medina sobre o exílio português de Ortega y Gasset. 
O exilado não se enganava.
JG
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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Ao seu mais alto grau de perfeição

"Não fossem os génios, os sábios e os heróis a humanidade ainda estaria na idade da pedra. 

A personalidade superior tem direitos aristocráticos e é isso que garante e assegura o desenvolvimento social, político e económico.

 Igualdade no sentido moderno é a receita para o naufrágio dos povos. Mas eu também não vejo o homem superior sob viés liberal dentro da noção norte-americana de "self made man". 

Os predestinados são aquele que sabem captar o espírito dum povo/raça e levá-lo ao seu mais alto grau de perfeição. 


RQ




sábado, 15 de junho de 2019

My name is Karamba




“My name is Karamba. Professor Karamba de Sousa.”
Sou especialista em todo o tipo de trabalhos ocultos como mudar direcções partidárias da Direita, ajudar o Costa, pôr azeite extrafino Galo, grau 7 de acidez, atrás da porta de potenciais concorrentes a Belém e dar manchetes ao Expresso. Também abano camas à distância para fingir que é um terramoto. Resultados rápidos e garantidos - vejam o estado em que deixei o Balsemão há mais de 30 anos - mesmo com comprovados totós. Dotado de um dom hereditário contra o mau olhado - a Avó Joaquina era danadinha para os trabalhos -, resolvo todos os problemas mesmo em casos mais desesperados: amor, negócios, casamento, impotência sexual, insucessos, depressão, doenças espirituais como gostar de ver telejornais, festivais da canção, marchas de Lisboa, Cristina Ferreira e debates sobre bola.

JG

sábado, 8 de junho de 2019

A Escravatura


"Quando se diz apenas e sem acrescentar mais que o povo português escravizou os povos de África durante 4 séculos.

O que se devia dizer era:

Depois de o povo português ter sido escravizado durante 7 séculos pelos romanos, 3 séculos pelos visigodos e 5 séculos por povos africanos estes também escravizaram durante 4 séculos povos africanos mas foi o segundo país do mundo a abolir a escravatura.

Assim para quem não sabe muito de história já pode ter uma visão completa dos acontecimentos! Pontos de vista podem mudar mas acontecimentos históricos comprovados não!

Portugueses não se deixem criticar por quem não sabe nada de história. 

A ignorância é uma benção mas também é uma maldição!"

DH

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Os parolos progressistas

Há uns anos largos, era eu puto, uma jovem vinda de Lisboa perguntou-me se havia pastilhas elásticas em Castelo Branco. Não me recordo do que lhe disse, mas imagino-me a replicar que não, que por lá só havia chupas.

Era assim, no início dos anos oitenta, final de setenta. Os parolos migravam para Lisboa, chegados lá sentiam que tinham visto o mundo e o regresso à província era-lhes doloroso mas, ao mesmo tempo, um momento único em que exibiam a sua nova condição de civilizados.


O país evoluiu (risos), a paisagem transformou-se, a televisão a cores chegou, depois veio o cabo e houve alegria. Mas os nativos continuaram iguais.


Os parolos deslumbravam-se agora com as auto-estradas, com a integração europeia, com os programas made in Bruxelas, com aquilo que consideravam ser o progresso. 


Começaram a viajar pela Europa, alguns aventuraram-se pelo exótico Oriente, tornaram-se cidadãos do mundo.

Espiritualmente também evoluiram (risos outra vez). Deixaram de lado as crenças de antanho, a própria palavra antanho era-lhes repugnante (sobretudo por não saberem o que significava, mas sabiam que lhes recordava o campo e os idosos reaccionários).


Importaram crenças progressistas, adoptaram causas, sentiram-se bem e viram-se como Deus- a sua obra era boa. Fizeram uma tatuagem, adoptaram novos ídolos, disseram que não tinham ídolos, eram eles, verdadeiros monumentos a Píndaro e Nietzsche. Se alguém lhes falasse no primeiro esboçariam um sorriso, mas ao saberem que era grego respiravam fundo e mostravam-se saudosos. Grécia, a Grécia, era o primeiro paraíso lgbt.


O país foi para a frente e assim continuou. Mas era ainda pouco. O progresso exigia mais. O tofu correu, os animais libertaram-se. Era agora ofensivo chamar-lhes animais, eram mais que irmãos, eram nossos pais, nossos filhos, nossos amantes, enchendo a solidão do t1 da Buraca preenchido com lembranças de viagens pelo mundo.


Foi assim no espaço de trinta anos. Não sei quando começou o mal, quando entrou em nós. Sei que se agravou depois da entrada na CEE. Aos pretos, nos Descobrimentos, levava-mos espelhos e contas e eles encantavam-se. A nós, cafres da Europa, deram-nos crédito, artefactos electrónicos e viagens. Sorrimos e sentimos-nos grandes. Lamentámos os velhos que lá pelo Interior ainda acreditavam em Deus e nunca
 fizeram reiki nem andaram em marchas pelo clima.

JV


sábado, 25 de maio de 2019

Dedicado à geração mais bem preparada de sempre

"Quando o seu filho ou filha quiser fazer greves pelo clima, tire-lhe o telemóvel, o pc, as baterias não são ecológicas, nem construir processadores, temos de salvar o planeta com medidas concretas, não se salva o planeta a fumar charros. 

Para cultivar a horta nada de máquinas, é farpão na mão e enxada seus hipócritas /ignorantes. 

Vamos a andar a pé, nada de viagens ao quintos dos infernos de avião, comboio, vão de burro montado em vocês.

Vão mas é trabalhar e deixem de ser marionetas de políticos."


GC


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Vem aí as eleições... seu merdocrata!



Viva a República Democrática da Lusitânia e a UERSS!




quinta-feira, 2 de maio de 2019

A Verdade

"A verdade é tão preciosa que não é para todos."

AM


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade no socialismo

Ao contrário do que se ensina nas escolas e na televisão, após a ditadura salazarista não se seguiu a democracia, seguiu-se a ditadura socialista, vejamos, temos uma constituição socialista, um parlamento socialista, um presidente da república socialista, um presidente do eurogrupo socialista, um presidente da ONU socialista, etc.

Precisam de um desenho?
.
Face a um regime não-democrático apresentou-se uma revolução marxista e posterior ditadura socialista como paradigma de liberdade. 

Uma manada infinda de idiotas úteis e imberbes intelectuais está profundamente convicta que é livre como que se pudesse haver liberdade no socialismo.
JA
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Tudo o que de catastrófico sucedeu depois do 25 de Abril

O incontornável Agostinho da Silva, uma das maiores referências do pensamento e da cultura portuguesa, um dos meus mestres, sempre igual a si próprio, verdadeiro.
Tudo o que de catastrófico sucedeu depois do 25 de Abril era contudo de prever, porque não se pode melhorar qualitativamente um país por uma revolução com cravos mas sem ideias, ou apenas (o que é o mesmo) com ideias feitas, convencionais, com ideias que não nasceram livre e espontaneamente do próprio povo, no sentido lato da palavra, isto é, que não promanaram da sua língua e da sua cultura, da sua história, e da sua problemática concreta, da criatividade e da actividade mental dos seus filósofos, escritores e artistas.

Não sendo possível a acção política sem pensamento político e não havendo entre nós, ao nível das classes dominantes e da universidade, nem pensamento político, nem pensamento filosófico capaz de o fundamentar, o resultado inevitável tinha de ser, ou a entrega do país e quem pensasse por ele (o que veio a suceder logo após o 28 de Setembro com o acesso de Vasco Gonçalves e com o domínio crescente do aparelho comunista) ou a proliferação de um pseudo-pensamento de cartilha, que, através dos diversos activismos grande ou pequeno-partidários, outra coisa não tinha ao seu alcance fazer do que tentar reproduzir no Portugal de hoje os seus diversos cenários de eleição: a Rússia dos anos 20, a França dos anos 30, a Jugoslávia dos anos 40, a Argélia dos anos 50, a China dos anos 60, etc., etc., etc., ou seja, anacronismos dentro de anatopismos, que não podem levar a perte nenhuma.
A própria «descolonização» que viemos a fazer para mal dos nossos pecados não foi mais do que um ersatz trafulha dos cenários das descolonizações inglesa ou francesa, com a diferença de que a Inglaterra ou a França souberam construir, ao mesmo tempo, a Commonwealth e a Union Française, enquanto nós tudo abandonámos sem contrapartida e sem honra, permitindo o êxodo vergonhoso de um milhão de portugueses metropolitanos, africanos ou timorenses.

terça-feira, 2 de abril de 2019

O fim da Europa


Provavelmente, a maioria das pessoas que assistiram à "Deutschland" dos Rammstein pensam que é sobre a Alemanha, quando na verdade é sobre a Europa. O fim da Europa.

AM





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Párias sociais

"O conhecimento é uma maldição que poucos suportam. Aguentar uma dose cavalar de realidade todo dia não é fácil. A mente não nos deixa descansar nas ilusões depois que atingimos certo nível de consciência. O drama disso tudo é continuar vivendo numa sociedade que se fundamenta na ilusão enquanto estamos despertos o que nos transforma, de certo modo, em párias sociais."

RQ




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O pioneiro da ética moderna

"Se a decadência moral no mundo ocidental continuar, é apenas uma questão de tempo até o nazismo deixar de ser considerado como uma aberração moral, mas como o pioneiro da ética moderna."

AM


domingo, 20 de janeiro de 2019

Partidos

"Em numerosos países, e em Portugal sem dúvida, a noção, o espírito, a finalidade dos partidos corromperam-se e as agremiações partidárias converteram-se em clientelas, sucessiva ou conjuntamente alimentadas pelo Tesouro. Findo o período romântico, ou até antes disso, que se segue às revoluções ditas liberais do começo do século XIX e em que os debates parlamentares revelavam com erudição e eloquência preferência pelas grandes aspirações nacionais, a realização partidarista começou a envilecer-se. Duvido se alguma vez representou o que se esperava; desde os meados do século passado até 1926 - em monarquia e em república - a vida partidária tem seus altos e baixos mas deixa de corresponder aos interesses políticos e distancia-se cada vez mais do interesse nacional. A fusão ou desagregação de partidos, as combinações políticas são fruto de conflitos e de paixões, compromissos entre facções concorrentes, mas nada têm que ver com o País e os seus problemas.

Aqui e além tenta-se regulamentar, moralizar, constitucionalizar a vida partidária. Tudo embalde. Um partido, vários partidos dispõem do poder - são governo; mas não se encontra, como poderia supor-se, relação concreta nem entre os actos de governo e os programas partidários nem entre os programas e as exigências da Nação. Nós chegámos aos últimos extremos na república parlamentar com 52 governos em menos de 16 anos de regime.

A única conclusão possível é que a fórmula partidária faliu e de tal modo que apregoá-la como solução para o problema político português não oferece o mínimo de base experimental que permita admiti-la à discussão. Mas pode ir-se mais longe e invocar para contra-prova a experiência de mais de vinte anos de política sem partidos, de política nacional simplesmente.

O espírito de partido corrompe ou desvirtua o poder, deforma a visão dos problemas de governo, sacrifica a ordem natural das soluções, sobrepõe-se ao interesse nacional, dificulta, se não impede completamente, a utilização dos valores nacionais para o bem comum. Este aspecto é para mim dos mais graves."

António de Oliveira Salazar

(«O Meu Depoimento», Discurso de S. Ex.ª o Presidente do Conselho, na Sessão Inaugural da II Conferência da União Nacional, no Porto, em 7 de Janeiro de 1949).