Já tinha sido desmistificada em Agosto de 2012
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
A MAIS PODEROSA DAS NAÇÕES HISPÂNICAS
“Cumpre ter sempre presente, que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das nações hispânicas; não provém a sua força do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de escravidão”.
Carta do ProCônsul Caio Lellio ao Senado de Roma
in "Viriato - História de uma Epopeia Lusitana", Teófilo Braga
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
A liberdade socialista na Avenida da Liberdade
UMA VERGONHA EM LISBOA!
A polícia Municipal de António Costa autuou há minutos, numa mega operação stop na Av. da Liberdade, esta perigosa idosa com o seu Corsa de 1999.
Já não há vergonha na capital... Esta ideia peregrina de António Costa é mais um falhanço de gestão pública.
Manuela Rodrigues
Se for para valorizar a saída do € não é difícil...
Patrick Barron: Switzerland Leaves the European Monetary Union
JANUARY 16, 2015Mises Institute
Patrick Barron writes:
Oh. You didn't know that Switzerland was part of the European Monetary Union? You thought that the Swiss used their own currency, the Swiss franc? In a definitional sense only, you are correct. Within its monopolized currency area, the political boundaries of Switzerland, the Swiss franc is legal tender. But for approximately three years the Swiss National Bank has maintained a Swiss franc to euro ratio of 1.2 francs per euro. The usual suspects, exporters, were the driving political force behind the SNB's policy. They feared fewer sales to eurozone countries should the franc cost more in euro terms. This policy made the European Central Bank (ECB) the determinant of monetary policy in Switzerland and relegated the Swiss National Bank to the mechanical role of currency board. When the Swiss franc started to appreciate against the euro, meaning that buyers were willing to accept fewer than 1.2 francs per euro, the Swiss National Bank printed francs and bought euros. Over the last three years as demand for Swiss francs from euro holders increased, the SNB's balance sheet exploded with new euro reserves. However, as the world now knows, in a surprise move the SNB abandoned its currency peg policy. Today the franc exchanges approximately one for one with the euro, meaning that the franc has appreciated by approximately twenty percent against the euro.
As far as I know the SNB has made no official announcement of the reason for its surprise move. I suspect that the Swiss people had made themselves heard that they feared inflation from the ECB's imminent quantitative easing policy. The Swiss gold referendum on November 30 would have required their central bank to hold a fixed percent of reserves in the form of gold. It was defeated only after the major political parties and the SNB amounted a concerted anti-referendum blitz. Still in control of their own currency, it was a relatively simple matter for Switzerland, in effect, to veto the ECB's proposed policy by abandoning the currency peg. This shows the rest of Europe that at least one nation does not fear returning to full control of its currency nor does it fear the consequences of a temporary drop in exports. (The drop will be temporary, because Swiss import prices will fall and eurozone users will be awash with depreciated euros and willing to pay more for the Swiss franc.)
The lesson is clear. If Switzerland can retake control of its money, so can any eurozone nation. The process may take longer, as the country reissues its own currency and re-denominates its bank accounts in local currency terms, but it can be done. Already there are reports that the Danish central bank is contemplating abandoning its currency peg of approximately 7.5 krone per euro. If the sky does not fall on Switzerland and Denmark, other nations may follow. Does anyone know how to say deutsche mark?
Helicóptero. E se o BCE desse 500 euros a cada cidadão europeu?
Está lançado o desafio...
O que fazer com os 500 €?
a) trocar por barras de ouro
b) trocar por francos suíços
c) se demorar muito a decidir vai acabar por usar as notas como papel higiénico ou penso higiénico
O que fazer com os 500 €?
a) trocar por barras de ouro
b) trocar por francos suíços
c) se demorar muito a decidir vai acabar por usar as notas como papel higiénico ou penso higiénico
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
E de um dia para o outro os suíços ficaram mais ricos...
Banco Central da Suíça abandona o floor de 1.20 francos suíços por cada
euro
O Banco Central da Suíça tomou, ontem, duas medidas de sinais contrários.
Ao mesmo tempo que abandonava o seu objectivo de manter a sua taxa de câmbio
acima de 1,20 francos suíços por cada euro, decidindo terminar com ofloor que
não permitia que o cross euro/franco suíço estivesse abaixo da
fasquia de 1.20, tomou também a medida de diminuir a sua taxa de juro dos
depósitos para uma valor negativo de (-0.75%) para desestimular a procura por
francos suíços.
A redução da taxa de juro dos depósitos de (-0.25%) para (-0.75%), na
prática um imposto de 0.75%, tenta contrabalançar o abandono do floor,
e tem como objectivo impedir o parqueamento de mais dinheiro no Banco Central
da Suíça e atenuar os efeitos do abandono do floor a 1,20,
desincentivando a compra de francos.
Em suma, com o desaparecimento do floor o câmbio
euro/franco suíço tende a descer, provavelmente, para níveis perto da paridade,
mas com uma maior penalização dos depósitos a procura por francos pode ser
travada e a descida não ser tanto acentuada e, assim, minorar efeitos imediatos
no turismo e nas empresas exportadoras helvéticas.
Na prática as duas medidas anulam-se mutuamente, mas será agora o mercado a ditar qual delas terá maior impacto e onde o cross entre as duas moeda encontrará o seu equilíbrio. É, então, uma política estéril? Não necessariamente, porque na realidade já não fazia grande sentido manter essa fasquia após a forte depreciação do euro nos últimos 6 meses.
O Banco Suíço tomou a medida do floor a 1,20 em Agosto de 2011 devido à crise das dívidas soberanas da Zona Euro ter despoletado uma procura por moedas refúgios, por parte dos detentores de euros, nomeadamente por portos seguros como o franco suíço. A moeda helvética tinha na altura valorizado mais de 30% em relação ao euro, de cerca de 1.50 para 1.10. O Banco Central da Suíça mantinha, a partir dessa data, a taxa de câmbio artificialmente acima dos 1.20, com a justificação de que estava a proteger o seu mercado exportador – em boa verdade, a Suíça exporta bens competitivos extra-preço, logo a taxa de câmbio tem uma relevância menor, no entanto a mainstream, a corrente dominante, defende que se deve influenciar a evolução das cotações das moedas, e muitas vezes também é preciso satisfazer pretensões de certos sectores influentes.
Na prática as duas medidas anulam-se mutuamente, mas será agora o mercado a ditar qual delas terá maior impacto e onde o cross entre as duas moeda encontrará o seu equilíbrio. É, então, uma política estéril? Não necessariamente, porque na realidade já não fazia grande sentido manter essa fasquia após a forte depreciação do euro nos últimos 6 meses.
O Banco Suíço tomou a medida do floor a 1,20 em Agosto de 2011 devido à crise das dívidas soberanas da Zona Euro ter despoletado uma procura por moedas refúgios, por parte dos detentores de euros, nomeadamente por portos seguros como o franco suíço. A moeda helvética tinha na altura valorizado mais de 30% em relação ao euro, de cerca de 1.50 para 1.10. O Banco Central da Suíça mantinha, a partir dessa data, a taxa de câmbio artificialmente acima dos 1.20, com a justificação de que estava a proteger o seu mercado exportador – em boa verdade, a Suíça exporta bens competitivos extra-preço, logo a taxa de câmbio tem uma relevância menor, no entanto a mainstream, a corrente dominante, defende que se deve influenciar a evolução das cotações das moedas, e muitas vezes também é preciso satisfazer pretensões de certos sectores influentes.
Se a política do floor não existisse, o câmbio euro/franco
suíço seria, hoje, provavelmente de 1, ou seja, estaria na paridade. Por isso,
está aqui a justificação para a medida de sinal contrário espelhada no imposto
de 0.75%, no intuito da moeda suíça não se afastar muito dos valores dos
últimos 3 anos e, assim, manter a estabilidade.
As yields - as taxas de juros implícitas, rentabilidades das OT - das obrigações do tesouro suíço a 10 anos já estavam a 0.16% há 2 dias atrás e neste momento cotam a 0.07%. Qualquer dia quem emprestar dinheiro, a 10 anos, à Federação Helvética ainda terá que pagar, ou seja, receber menos na maturidade que o montante que investiu...
De salientar que a Suíça poderia fazer este tipo de política ad eterno, porque se tratava da apreciação da sua moeda, logo pode vender infinitamente francos suíços imprimidos na sua máquina de fazer notas, que só eles têm para fazer francos, e trocá-los por euros... e assim não permitir a apreciação da sua moeda. No entanto, o balanço do Banco Central da Suíça está inundado de euros, uma moeda, um activo que desvalorizou cerca de 15% no último ano, criando algum desconforto actualmente nas suas contas e explica, em parte, a tomada da medida de acabar com ofloor a 1.20 quando se aproxima a importantíssima reunião do Banco Central Europeu no próximo dia 22 de janeiro.
As yields - as taxas de juros implícitas, rentabilidades das OT - das obrigações do tesouro suíço a 10 anos já estavam a 0.16% há 2 dias atrás e neste momento cotam a 0.07%. Qualquer dia quem emprestar dinheiro, a 10 anos, à Federação Helvética ainda terá que pagar, ou seja, receber menos na maturidade que o montante que investiu...
De salientar que a Suíça poderia fazer este tipo de política ad eterno, porque se tratava da apreciação da sua moeda, logo pode vender infinitamente francos suíços imprimidos na sua máquina de fazer notas, que só eles têm para fazer francos, e trocá-los por euros... e assim não permitir a apreciação da sua moeda. No entanto, o balanço do Banco Central da Suíça está inundado de euros, uma moeda, um activo que desvalorizou cerca de 15% no último ano, criando algum desconforto actualmente nas suas contas e explica, em parte, a tomada da medida de acabar com ofloor a 1.20 quando se aproxima a importantíssima reunião do Banco Central Europeu no próximo dia 22 de janeiro.
Os países que tentam segurar a sua moeda, cuja tendência é de baixa devido
aos fundamentais das suas economias, através de um peg (fixar
o câmbio), principalmente em relação ao dólar, não o podem fazer eternamente,
porque a sua moeda se deprecia e eles têm que vender as divisas, as moedas que
têm em carteira, e comprar a sua moeda para a apreciar e trazê-la para o peg definido.
Mas as reservas em moeda estrangeira não são inesgotáveis, um dia acabam e
estes países perdem as reservas e perdem o peg. Políticas erradas
que os países da América Latina, e de outras geografias e latitudes, muitas
vezes seguem e acabam por ser penalizados. Um veneno altamente letal…
Muitos economistas defendem que os pegs são positivos porque, assim, as empresas exportadoras e os agentes económicos sabem quanto vão receber, sem existirem significativos riscos cambiais (a não ser em relação à moeda na qual se fixa o valor que varia no mercado, caso do dólar americano). No entanto há um desvirtuamento do mercado, enviesamento que um dia será corrigido e o ajuste terá prejuízos muito mais elevados que os benefícios que se foram colhendo ao longo do tempo com o peg, além de ter custos para o Estado, devido ao exaurir das reservas que depois podem ter que ser compensadas, infelizmente e mais uma vez com custos para o contribuinte, através do aumento de impostos. Mesmo que a subida de imposto não aconteça, dificilmente os agentes económicos, nomeadamente famílias e empresas, escaparão do imposto inflacionário...
Qual a justificação para o Banco Central da Suíça ter abandonado esta política? O euro vinha a perder terreno em relação a todas as majors, principais moedas mundiais, nomeadamente no que concerne ao dólar americano. Os comentários de Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, nos últimos 6 meses têm contribuído para a forte depreciação do euro. Draghi tem reafirmado constantemente que fará tudo o que estiver ao seu alcance para afastar o "demónio" da deflação. Também as perspectivas quanto à tomada de políticas inflacionistas mais enérgicas por parte de Draghi, já na próxima reunião do Banco Central Europeu, no dia 22 de janeiro, contribuem para a queda do euro face ao dólar americano.
Os bancos centrais ao alterarem as suas taxas de juro, influenciam directamente o nível dos juros nos mercados monetário e de capitais, e ao criarem dinheiro economicamente "falso" - leia-se não respaldado, não reflectido no aumento da produção, na existência de mais bens e serviços, no aumento do PIB, apesar de, obviamente, ser dinheiro legal pelo direito positivo, emanado pelas leis de um Estado de Direito - contribuem para a desestabilização cambial e para a contínua guerra cambial... O valor da moeda deve ser encontrado no mercado e não influenciado pelas autoridades monetárias. A não ser que os bancos centrais sejam uns iluminados… iluminados por uma qualquer entidade divina. Além destas medidas dos bancos centrais poderem desvirtuar a realidade.
Não seria mais salutar alterar o stock de moeda apenas quando temos um aumento do PIB? Ou nem sequer alterar e manter ad eterno o mesmo stock? Sim, teríamos deflação dos preços dos bens e serviços, mas essa realidade não seria um problema. No entanto os agentes económicos, muito provavelmente, não estariam mentalizados para essa mesma realidade... Mas adaptavam-se.
O problema da Zona Euro está espelhado no envelhecimento da sua população, na ausência de recursos energéticos, no rígido mercado laboral, na produtividade cada vez menor, na falta de uma estratégia comum, na fraca produtividade do trabalho – nomeadamente nos países do sul - e não é, obviamente, com políticas monetárias, influência das taxas de juro por parte de Mário Draghi que o trabalho, de um dia para o outro, se torna mais produtivo. Mas a mainstream aplaude estas políticas e refere que já vêm tarde, e não deixam de ter razão no curto prazo, o problema são os efeitos secundários no longo prazo destas decisões. Continuamos a olhar para a floresta com a mente de um pirómano. É como dar a um doente um medicamento para a gripe quando ele teve um enfarte do miocárdio…
Muitos economistas defendem que os pegs são positivos porque, assim, as empresas exportadoras e os agentes económicos sabem quanto vão receber, sem existirem significativos riscos cambiais (a não ser em relação à moeda na qual se fixa o valor que varia no mercado, caso do dólar americano). No entanto há um desvirtuamento do mercado, enviesamento que um dia será corrigido e o ajuste terá prejuízos muito mais elevados que os benefícios que se foram colhendo ao longo do tempo com o peg, além de ter custos para o Estado, devido ao exaurir das reservas que depois podem ter que ser compensadas, infelizmente e mais uma vez com custos para o contribuinte, através do aumento de impostos. Mesmo que a subida de imposto não aconteça, dificilmente os agentes económicos, nomeadamente famílias e empresas, escaparão do imposto inflacionário...
Qual a justificação para o Banco Central da Suíça ter abandonado esta política? O euro vinha a perder terreno em relação a todas as majors, principais moedas mundiais, nomeadamente no que concerne ao dólar americano. Os comentários de Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, nos últimos 6 meses têm contribuído para a forte depreciação do euro. Draghi tem reafirmado constantemente que fará tudo o que estiver ao seu alcance para afastar o "demónio" da deflação. Também as perspectivas quanto à tomada de políticas inflacionistas mais enérgicas por parte de Draghi, já na próxima reunião do Banco Central Europeu, no dia 22 de janeiro, contribuem para a queda do euro face ao dólar americano.
Os bancos centrais ao alterarem as suas taxas de juro, influenciam directamente o nível dos juros nos mercados monetário e de capitais, e ao criarem dinheiro economicamente "falso" - leia-se não respaldado, não reflectido no aumento da produção, na existência de mais bens e serviços, no aumento do PIB, apesar de, obviamente, ser dinheiro legal pelo direito positivo, emanado pelas leis de um Estado de Direito - contribuem para a desestabilização cambial e para a contínua guerra cambial... O valor da moeda deve ser encontrado no mercado e não influenciado pelas autoridades monetárias. A não ser que os bancos centrais sejam uns iluminados… iluminados por uma qualquer entidade divina. Além destas medidas dos bancos centrais poderem desvirtuar a realidade.
Não seria mais salutar alterar o stock de moeda apenas quando temos um aumento do PIB? Ou nem sequer alterar e manter ad eterno o mesmo stock? Sim, teríamos deflação dos preços dos bens e serviços, mas essa realidade não seria um problema. No entanto os agentes económicos, muito provavelmente, não estariam mentalizados para essa mesma realidade... Mas adaptavam-se.
O problema da Zona Euro está espelhado no envelhecimento da sua população, na ausência de recursos energéticos, no rígido mercado laboral, na produtividade cada vez menor, na falta de uma estratégia comum, na fraca produtividade do trabalho – nomeadamente nos países do sul - e não é, obviamente, com políticas monetárias, influência das taxas de juro por parte de Mário Draghi que o trabalho, de um dia para o outro, se torna mais produtivo. Mas a mainstream aplaude estas políticas e refere que já vêm tarde, e não deixam de ter razão no curto prazo, o problema são os efeitos secundários no longo prazo destas decisões. Continuamos a olhar para a floresta com a mente de um pirómano. É como dar a um doente um medicamento para a gripe quando ele teve um enfarte do miocárdio…
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Servir a Máquina
(via Dragoscópio)
Curiosamente, se formos consultar o Dicionário Lello Ilustrado da Língua Portuguesa, por alturas da última década do século XIX, pode ler-se na definição de "Terrorismo": "Sistema, regime de Terror, em França (1793-1794). Por extens. Sistema de governo por meio do terror ou de medidas violentas.". Até 1974, a definição mantém-se a mesma.
E, dado que corresponde a uma realidade histórica muito concreta e bem documentada, não deixa de ser, no mínimo, irónico. Quer dizer, o resultado das ideias iniciadas por Descartes, Locke e Hobbes, prosseguidas e transpostas seguidamente pelos noctiluzes, vulgarmente conhecidos por iluministas, e aplicadas na prática pelos revolucionários de Paris, resultaram no triunfo duma máquina, quer dizer no regime duma máquina - a guilhotina. Cuja invenção, recordo, e estudei a fundo a sua génese, obedeceu a critérios e preceitos humanitários. Não brinco: impunha-se executar o condenado com o menor sofrimento possível. Requeria-se o mais limpo e asséptico dos despachos. Doravante, ser executado já não doeria quase nada. Daí à banalização da degola benemérita, foi um pequeno passo. Afinal, a máquina inclina fatalmente à indústria, à produção em larga escala, no caso, ao abate em série. E em ambiente de festa. Como não festejar tamanho avanço do progresso, da tecnologia e, porque não dizê-lo, da própria ciência anestésica?!... Agora o crente, embora forçado, já não recorria ao confessionário para ablução dos pecados: era levado à guilhotina. Esta, com proficiência e rapidez, separava e removia a parte inconveniente.
Como refere Jaques Delarue, na sua "Profissão de Carrasco", acerca da filantrópica decapitadeira:
«Instrumento familiar, deram-lhe nomes ridículos e atrozes: postigo, navalha de barba nacional,chapa de fazer notas, gateira, encurtadora nacional, navalha de barba à Carlitos, porque o carrasco, Charles Sanson, fora, havia muito tempo, baptizado Carlitos pela populaça. Nas bacias de barbeiro liam-se frases como esta: "A minha navalha é mais macia do que a do Carlitos!"
(...)
Subir ao cadafalso era jogar ao frio ou quente, fazer o pino, marcar hora no postigo, meter a cabeça na janelinha, espirrar no saco(...) e, depois de 1793, experimentar a gravata à Capeto.
(...)
Criou-se uma verdadeira imprensa especializada para celebrar as façanhas da máquina nacional. O cidadão Tisset publicava regularmente uma folha que trazia no frontispício cadáveres de gente da corte, bispos e generais empilhados junto ao cesto da guilhotina cheio de cabeças cortadas.
Por baixo deste desenho liam-se dois versos:
Estes monstros empilhados por omnipotência divinaPor baixo deste desenho liam-se dois versos:
Proclamam a obra da Santa Guilhotina
(...)
Por último, o mais célebre destes jornalistas muito especiais, Hébert, excitava diariamente com o seu Père Duchène os mais baixos instintos da populaça e injuriava as vítimas imoladas.»
Há, pois, um certo tipo de humor jornalista, bestialmente democrático, com tradições em França. Um riso típico das hienas nas imediações do açougue. Uma mistura de escárnio e injúria soez perante a desgraça (ou desclassificação) alheia. Um lançamento rapazola de carniça ao magote, um atiçar à matilha....à bulha.
A turba-multa da época alcunhara Carlos Samson, o carrasco, de Carlitos. Em francês, Charlie. Era o personagem mais pitoresco de Paris. Foi o único funcionário que transitou do Anciènt-regime para a revolução e seguintes. Decapitara, esquartejara e enforcara na monarquia, guilhotinou na república e no Império. E é a esse Charlie que, muito provavelmente, remonta o Charlie antes do Hebdo. Ao funcionarismo do abate. Só que agora, a bem da democracia, nem os mortos, nem os deuses escapam. Tortura-se, infama-se, expõe-se e pelourinha-se em vida e em éfigie. Ao gosto da moda ou do pagante. A nova revolução perpetua-se muito por regurgitação. Já nada promete: apenas rumina. Nutre-se no seu próprio vómito. O carlitos tem uma máquina cada vez maior, uma engrenagem cada vez mais voraz para servir. E uma plateia cada vez mais rasteira para entreter.
Em Paris, do parto iluminista, nasceu um novo e sempre viçoso totalitarismo: o Totalitarismo da Morte. Exactamente o mesmo que estas bestas do Estado Islâmico servem. Embora sem quaisquer preceitos filantrópicos nem dispositivos tecnológicos suavizantes. Degolam à mão.
Em Paris, do parto iluminista, nasceu um novo e sempre viçoso totalitarismo: o Totalitarismo da Morte. Exactamente o mesmo que estas bestas do Estado Islâmico servem. Embora sem quaisquer preceitos filantrópicos nem dispositivos tecnológicos suavizantes. Degolam à mão.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
O vandalismo revolucionário
Escreve Alexandre Gady: “Não há termos para exprimir a comoção de quem vê a escultura da “Virgem com o Menino”, do século XIII, sendo destruída à martelada. Não há palavras para descrever o que é presenciar uma catedral medieval ser dinamitada e reduzida a escombros (...)
Não há igreja, castelo ou cidade que não ostente tal estigma. Juntamente com os objectos e monumentos religiosos, as destruições mais sistemáticas voltaram-se contra as efígies reais. Com excepção de uma estátua em pé de Luís XIV, de Coysevox, poupada por milagre (encontra-se no Museu Carnavalet), não foi preservada nenhuma das estátuas equestres ou pedestres que ornamentavam os palácios reais e os edifícios públicos. Foram todas derrubadas, despedaçadas, espalhadas, pulverizadas (...)"
Em Setembro de 1792 foram massacradas em Paris 1400 pessoas pelos revolucionários. Enquanto matavam, elaboravam as Declaração dos Direitos Humanos.
“Destruam a Vandéia!” (Barrère); “A Vandéia deverá ser um cemitério nacional” (Turreau); “Serão todos exterminados” (Carrier); “Essa é uma gente maldita” (Lequinio).
De facto, a população de Vendéia foi objecto de um inacreditável empenho de extermínio. Prisões, campos de prisioneiros a céu aberto e barcos-prisões afundados tornaram-se leitos mortuários. No afã de acelerar os processos, recorria-se à guilhotina, aos fuzilamentos em massa e aos afogamentos. Mulheres e crianças não escaparam à carnificina. Os próprios revolucionários relataram as piores atrocidades. Do total de uma população calculada em 815.000 pessoas, a incursão republicana na Vandéia matou 117.000 habitantes - como consequência de uma “chacina populacional” cujos métodos inspirariam, no século XX, figuras como Lenine e Pol Pot.
À Igreja Católica coube oneroso tributo: a perseguição anti-religiosa, na Revolução Francesa, foi de uma extrema crueldade. Nela foram assassinados oito mil sacerdotes, religiosos, religiosas, e muitos milhares de leigos.
François Furet, partidário da corrente “revisionista” da Revolução Francesa, afirmou que o processo revolucionário trazia em si os germes do Terror. Por outras palavras, o período do Terror não teria sido apenas um episódio marginal, pois toda a Revolução Francesa ficou impregnada pela violência cruel e ferocidade sangrenta.
Os revolucionários de hoje, tal como os seus predecessores, também são "companheiros de viagem" da Revolução radical, consolidando à sua maneira as “conquistas” passadas, obtidas no decurso do período sangrento.
A Revolução Francesa é a matriz inspiradora da revolução comunista. O descrédito da segunda repercute-se sobre a primeira. Se as duas revoluções estão em crise irreversível, a alternativa lógica só pode ser aderir à Contra-Revolução.
Guilherme Koehler
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
De quem é que eu me esqueci?

Um contribuinte viu a sua declaração rejeitada pelas Finanças porque,
aparentemente, respondeu incorrectamente a um dos itens.
No campo: Quantos dependentes tem a seu cargo.. o homem escreveu:
No campo: Quantos dependentes tem a seu cargo.. o homem escreveu:
- 50.000 imigrantes ilegais,
- 10.000 tóxico-dependentes,
- 200.000 subsidio-dependentes,
- 13.000 criminosos nas prisões,
e ainda,
- os deputados do parlamento,
- e os políticos dos municípios espalhados pelo país.
As Finanças devolveram ao remetente exigindo a correcção.
Resposta do homem às Finanças:
- De quem é que eu me esqueci?
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