terça-feira, 20 de setembro de 2016

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A formação do Brasil


''O Brasil formou-se, despreocupados os seus colonizadores da unidade ou pureza de raça. Durante quase todo o século XVI a Colônia esteve escancarada a estrangeiros, só importando às autoridades coloniais que fossem de Fé ou Religião católica. Handelmann notou que para ser admitido como colono do Brasil no século XVI a principal exigência era professar a religião cristã: 'somente cristãos' -- e em Portugal isso queria dizer católicos -- 'podiam adquirir sesmarias'...
Através de certas épocas coloniais observou-se a prática de ir um frade a bordo de todo navio que chegasse a porto brasileiro, a fim de examinar a consciência, a Fé, a religião do adventício. O que barrava então o imigrante era a heterodoxia; a mancha de herege na alma e não a mongólica no corpo. Do que se fazia questão era da saúde religiosa... O frade ia a bordo indagar da ortodoxia do indivíduo como hoje se indaga da sua doença e da sua raça... O português esquece raça e considera ser igual aquele que tem religião igual à que professa.
Essa solidariedade manteve-se entre nós esplendidamente através de toda a nossa formação colonial, reunindo-nos contra os calvinistas franceses, contra os reformados holandeses, contra os protestantes ingleses. Daí ser tão difícil, na verdade, separar o brasileiro do católico: o catolicismo foi realmente o cimento da nossa unidade.''

Gilberto Freyre. ''Casa-Grande & Senzala''. Edit. José Olympio, São Paulo, 1946, pp., 121-123

FL


sábado, 17 de setembro de 2016

O espírito de partido


«... Em numerosos países, e em Portugal sem dúvida, a noção, o espírito, a finalidade dos partidos corromperam-se e as agremiações partidárias converteram-se em clientelas, sucessiva ou conjuntamente alimentadas pelo Tesouro. Findo o período romântico, ou até antes disso, que se segue às revoluções ditas liberais do começo do século XIX e em que os debates parlamentares revelavam com erudição e eloquência preferência pelas grandes aspirações nacionais, a realização partidarista começou a envilecer-se. 
Duvido se alguma vez representou o que se esperava; desde os meados do século passado até 1926 - em monarquia e em república - a vida partidária tem seus altos e baixos mas deixa de corresponder aos interesses políticos e distancia-se cada vez mais do interesse nacional. A fusão ou desagregação de partidos, as combinações políticas são fruto de conflitos e de paixões, compromissos entre facções concorrentes, mas nada têm que ver com o País e os seus problemas.
Aqui e além tenta-se regulamentar, moralizar, constitucionalizar a vida partidária. Tudo embalde. Um partido, vários partidos dispõem do poder - são governo; mas não se encontra, como poderia supor-se, relação concreta nem entre os actos de governo e os programas partidários nem entre os programas e as exigências da Nação. Nós chegámos aos últimos extremos na república parlamentar com 52 governos em menos de 16 anos de regime.
A única conclusão possível é que a fórmula partidária faliu e de tal modo que apregoá-la como solução para o problema político português não oferece o mínimo de base experimental que permita admiti-la à discussão. Mas pode ir-se mais longe e invocar para contra-prova a experiência de mais de vinte anos de política sem partidos, de política nacional simplesmente.
O espírito de partido corrompe ou desvirtua o poder, deforma a visão dos problemas de governo, sacrifica a ordem natural das soluções, sobrepõe-se ao interesse nacional, dificulta, se não impede completamente, a utilização dos valores nacionais para o bem comum. Este aspecto é para mim dos mais graves».

Oliveira Salazar («O Meu Depoimento», Discurso de S. Ex.ª o Presidente do Conselho, na Sessão Inaugural da II Conferência da União Nacional, no Porto, em 7 de Janeiro de 1949).


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A censura prévia

"Uma das melhores características do regime salazarista em Portugal foi a existência da Censura Prévia. Graças a esta Portugal manteve-se longe da subversão comunista, afastou gramscinianos, cortou indecências e manteve a sua ordem pública. Infelizmente, os comunistas e outras pessoas de ideologias subversivas ousaram acabar com esta. E, por isso, estamos onde estamos. Com manuais escolares comunistas, jornais impregnados de valores do marxismo cultural, publicidades relativistas e indecência."

DT




Tempos de farsa na Civilização Ocidental

"Finalmente, a democracia entrou na sua fase de farsa."

Antony Mueller




Fim-de-Semana com o Morto



sábado, 10 de setembro de 2016

Extinguir Comandos

Acabado de ler na capa do Expresso:
"Governo admite extinguir Comandos".
Há 41 anos que o PCP os tem atravessados na garganta. Em 25 de Novembro de há 41 anos foram os Comandos que nos safaram de nos tornarmos uma Albânia, foram os Comandos que travaram o totalitarismo comunista, o PCP tem memória não perdoa nem esquece. À custa do Alguidar de Banha tem aqui a oportunidade de repor a "verdade histórica". É desta que vamos ver se temos Generais a sério e um CMDT Supremo das FA? Cheira-me que não.

HF




terça-feira, 6 de setembro de 2016

Rasputin

Tudo o que você achava que sabia sobre Rasputin é uma mentira colossal.

Ele foi um dos maiores heróis russos sempre.



Regresso à Escola

"Crucifixos não deviam estar nas escolas. Devem ser retirados"
Vera Jardim in “DN”

Pois, olha, eu não gosto de "triângulos", "compassos", "pirâmides", etc .. (símbolos da peste que nos atormenta) …. e as escolas estão cheias deles!
Como vamos fazer?
(Ah! também não gosto de "foices" e "martelos")

RG


sábado, 3 de setembro de 2016

Quando o iluminismo chegou, Portugal ficou na escuridão



Neste dia de 1759 era ordenada a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal e do Império.
Encerrava-se violentamente um ciclo grandioso da Cultura portuguesa e inaugurava-se o atraso que nos iria caracterizar até meados do século XX, agravado com a extinção das Ordens em 1834.
Com os jesuítas desaparecia a segunda universidade portuguesa (a de Évora), uma das mais prestigiadas na Europa do seu tempo a par de Coimbra. Desaparecia também a rede de Colégios que, das primeiras letras aos estudos médios e superiores, constituíram a elite do ensino e da cultura portuguesa durante 200 anos.
Eram mais de 30 colégios (só no Reino) que por alturas do seu encerramento ensinavam cerca de 20 000 alunos (seriam precisos quase 200 anos para voltar a esses níveis), desde os currículos tradicionais às principais inovações científicas da época, muitas delas nascidas das escolas jesuítas.
Entre eles os famosos Colégio das Artes de Coimbra (reputado como o melhor do mundo), o Colégio de Santo Antão o Novo de Lisboa (onde era famosa a Aula da Esfera), o Noviciado da Cotovia de Lisboa (cujo património, biblioteca e instrumentos transitariam para o Colégio dos Nobres), ou o Colégio de São Paulo de Macau (a primeira instituição de cariz universitário do Oriente e grande formador das elites que penetraram nos impérios Chinês e Japonês).
Não esquecendo a rede que do Brasil a Goa foi responsável pela formação dos agentes do Padroado e constituíram a mais densa rede cultural do Império Português.
Os seus contributos para todas as áreas do Saber são inestimáveis e marcaram a História do Ocidente como nenhuma outra Ordem nesse tempo.
O que os substituiu, como se sabe, foi o Nada. O afã pombalino-josefino na extinção da Companhia não só cá, como no mundo, apenas permitiu à Rússia o aproveitamento desse imenso manancial de sábios e cientistas que lá se refugiaram e que contribuíram para o salto russo rumo à afirmação como grande potência. Por cá o seu património foi esbulhado entre o Estado e as outras Ordens e seria completamente destruído a partir do saque a que essas Ordens foram sujeitas com o Liberalismo. Sem gente para substituir os jesuítas, Portugal amputou as suas elites e fechou-se à inovação científica e cultural: a tão proclamada "renovação científica" pombalina traduziu-se num gigantesco nada, incapaz de se afirmar e de se enraizar por não haver quem a dirigisse.
Nesta imagem, a fachada da Sé Nova de Coimbra, antiga casa jesuítica, no estilo que seria disseminado por todo o mundo e que faria - também a sua arquitectura - um marco na história da globalização e da portugalidade no mundo.

LRP

sábado, 27 de agosto de 2016

Burkini na Europa?


E que tal mais civilização e tradição...  e menos modas malucas.



terça-feira, 23 de agosto de 2016

A ruptura no Ocidente


A revolução cultural, herética e anti-católica, produzida pela Reforma protestante e pelo Renascimento liberalizou e paganizou a sociedade. Isto provocou o fim da unidade do Ocidente que tinha como base a unidade religiosa. O protestantismo tomou conta de muitas nações, os sistemas aristotélico e tomista foram substituídos pelo pensamento cartesiano.
Voltaram os costumes pagãos: a usura, os negócios escuros, o culto da vaidade, o luxo, a deformação das artes, a falta de regras e de disciplina, a escravidão, o despotismo e a tirania. Desenvolveu-se um terreno favorável ao avanço do secularismo que culminou nas novas correntes de pensamento como o laicismo, o liberalismo, o socialismo, o comunismo, o fascismo, obras organizadas e materializadas pela maçonaria como ela própria assumiu.
Estas ideias, até aí solitárias e ocultas, ganhavam adeptos que começavam a actuar às claras, de forma arrogante e altiva. A razão deixou de ser um juízo equilibrado, para se tornar uma crítica ousada. Punham-se dúvidas em tudo, o que era universalmente aceite, deixou de o ser. Renegou-se o divino e o homem passou a ser a medida de todas as coisas, era a sua própria razão de ser e o seu fim.
Entra-se numa política de Direito abstracto contra a do Direito divino, uma religião sem mistério, uma moral sem dogmas.
A consciência europeia entrou em crise, talvez a mais importante na História das Ideias. A nova ordem construiu a moderna civilização alicerçada nos direitos da consciência individual, nos direitos da crítica, nos direitos da razão, nos direitos do homem e do cidadão, em contraste com a que estava estabelecida: a civilização cimentada na ideia do dever, deveres para com Deus e para com os poderes instituídos.
Vivemos no Estado moderno: um Estado amoral, omnipotente, relativista,… um monstro que falsamente diz defender a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

Guilherme Koehler

sábado, 20 de agosto de 2016

"Um juízo sobre o Estado Novo à luz da História?



"Um juízo sobre o Estado Novo à luz da História? Mas a História é uma mão-cheia de interpretações de factos que existiram ou que se supõe terem acontecido.

Eu considero este período, de quase quarenta anos, como um dos poucos em que houve ordem em Portugal, onde se conseguiu trabalhar eficazmente. Foi o único período desde D. João V em que não obedecemos a pressões dos credores e batemos o pé às grandes potências. É que nós andávamos muito atrasados e não me parece que os passos na Primeira República tivessem avançado muito...

Nos principais anos da minha longa vida fui duas dezenas de vezes intimado a voltar para casa por uns senhores com cartucheiras e espingardas às costas, que exerciam a profissão de revolucionários civis: "Hoje não há escola", "Hoje não há liceu"... Já professor de liceu, via as aulas do Pedro Nunes interrompidas por outros profissionais que já ostentavam petardos nos cintos. O Rato era o local interdito nesses tempos em que não existia a Avenida Álvares Cabral. Como passar para as Avenidas Novas? Lá ia eu, chapéu de coco e bengala, distribuir garotagem que morava para lá do Parque Eduardo VII. Outros professores chefiavam outros grupos. De vez em quando encontrávamos patrulhas, ora de revolucionários civis, ora de "outros" revolucionários. Obrigavam-me a gritar "Viva a República" ou "Abaixo a militança!".

Viveram-se assim dezoito anos! Não venham com "teorias" os que os não sofreram!. Não evoquem o mito da liberdade! Não tínhamos Armada, não tínhamos Marinha Mercante, não tínhamos Exército! Teimámos em ir à guerra contra o parecer da nossa Velha Aliada, que sabia que nada iríamos fazer à Flandres.
Durante três ou quatro anos vi as ruínas das "régions devastées", como um turista que visitasse as ruínas de Pompeia. Havia mesmo comboios especiais com horários diários. Com o coração amargurado só ouvi falar da intervenção da nossa tropa em Armentières e em La Couture. Vi as ruínas de Espanha. Vi ruínas novamente em França, na Alemanha, em Inglaterra, na Bélgica, na Holanda.

O Estado Novo conseguiu equilibrar-se numa neutralidade que permitiu acolher crianças austríacas e gentes em fuga temerosa. Numa terra de solo paupérrimo e de subsolo desconhecido, iniciámos uma marcha para a prosperidade que ia impante por sermos dirigidos pelo único Homem de Estado surgido em Portugal desde os começos do século passado. Um homem honrado, não egoísta, missionário da ideia de que qualquer sociedade tem de ser hierarquizada para poder trabalhar com método na execução de um plano. Do que aconteceu depois da revolução de 1974, pouco sei. Nestes últimos anos passei a França e daí ao Brasil, onde fui encontrar duas centenas de milhar de Portugueses fugidos da Europa e de Angola. Alguns milhares de fugitivos conseguiram transportar consigo móveis, tapeçarias, loiças, pratarias, quadros, livros, obras de arte... Como foi isto possível, não sei... Portugal ficou imensamente mais pobre, mas deu ensejo à formação de fortunas de antiquários portugueses nascidos da competição.

(...) Desde a Revolução Francesa que Portugal sempre obedeceu aos seus credores ou às potências poderosas no mar. Salazar não obedeceu aos credores porque acabou com eles. "Orgulhosamente só", conseguiu poupar Portugal à guerra que destrói choupanas e monumentos, museus e bibliotecas, florestas, pomares e prados; que mata gado e populações que surgem amalgamadas num número e sob a designação de "mortos de guerra".

Ficam heróis, ficam mitos, renascem ódios. Espera-se que o tempo esfarele essas realidades momentâneas. Ficarão Histórias e historietas, que são tentativas de interpretação, convicções de historiadores!».

Francisco de Paula Leite Pinto (in «Salazar visto pelos seus próximos - 1964-68»).



quarta-feira, 17 de agosto de 2016