sábado, 27 de agosto de 2016

Burkini na Europa?


E que tal mais civilização e tradição...  e menos modas malucas.



terça-feira, 23 de agosto de 2016

A ruptura no Ocidente


A revolução cultural, herética e anti-católica, produzida pela Reforma protestante e pelo Renascimento liberalizou e paganizou a sociedade. Isto provocou o fim da unidade do Ocidente que tinha como base a unidade religiosa. O protestantismo tomou conta de muitas nações, os sistemas aristotélico e tomista foram substituídos pelo pensamento cartesiano.
Voltaram os costumes pagãos: a usura, os negócios escuros, o culto da vaidade, o luxo, a deformação das artes, a falta de regras e de disciplina, a escravidão, o despotismo e a tirania. Desenvolveu-se um terreno favorável ao avanço do secularismo que culminou nas novas correntes de pensamento como o laicismo, o liberalismo, o socialismo, o comunismo, o fascismo, obras organizadas e materializadas pela maçonaria como ela própria assumiu.
Estas ideias, até aí solitárias e ocultas, ganhavam adeptos que começavam a actuar às claras, de forma arrogante e altiva. A razão deixou de ser um juízo equilibrado, para se tornar uma crítica ousada. Punham-se dúvidas em tudo, o que era universalmente aceite, deixou de o ser. Renegou-se o divino e o homem passou a ser a medida de todas as coisas, era a sua própria razão de ser e o seu fim.
Entra-se numa política de Direito abstracto contra a do Direito divino, uma religião sem mistério, uma moral sem dogmas.
A consciência europeia entrou em crise, talvez a mais importante na História das Ideias. A nova ordem construiu a moderna civilização alicerçada nos direitos da consciência individual, nos direitos da crítica, nos direitos da razão, nos direitos do homem e do cidadão, em contraste com a que estava estabelecida: a civilização cimentada na ideia do dever, deveres para com Deus e para com os poderes instituídos.
Vivemos no Estado moderno: um Estado amoral, omnipotente, relativista,… um monstro que falsamente diz defender a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

Guilherme Koehler

sábado, 20 de agosto de 2016

"Um juízo sobre o Estado Novo à luz da História?



"Um juízo sobre o Estado Novo à luz da História? Mas a História é uma mão-cheia de interpretações de factos que existiram ou que se supõe terem acontecido.

Eu considero este período, de quase quarenta anos, como um dos poucos em que houve ordem em Portugal, onde se conseguiu trabalhar eficazmente. Foi o único período desde D. João V em que não obedecemos a pressões dos credores e batemos o pé às grandes potências. É que nós andávamos muito atrasados e não me parece que os passos na Primeira República tivessem avançado muito...

Nos principais anos da minha longa vida fui duas dezenas de vezes intimado a voltar para casa por uns senhores com cartucheiras e espingardas às costas, que exerciam a profissão de revolucionários civis: "Hoje não há escola", "Hoje não há liceu"... Já professor de liceu, via as aulas do Pedro Nunes interrompidas por outros profissionais que já ostentavam petardos nos cintos. O Rato era o local interdito nesses tempos em que não existia a Avenida Álvares Cabral. Como passar para as Avenidas Novas? Lá ia eu, chapéu de coco e bengala, distribuir garotagem que morava para lá do Parque Eduardo VII. Outros professores chefiavam outros grupos. De vez em quando encontrávamos patrulhas, ora de revolucionários civis, ora de "outros" revolucionários. Obrigavam-me a gritar "Viva a República" ou "Abaixo a militança!".

Viveram-se assim dezoito anos! Não venham com "teorias" os que os não sofreram!. Não evoquem o mito da liberdade! Não tínhamos Armada, não tínhamos Marinha Mercante, não tínhamos Exército! Teimámos em ir à guerra contra o parecer da nossa Velha Aliada, que sabia que nada iríamos fazer à Flandres.
Durante três ou quatro anos vi as ruínas das "régions devastées", como um turista que visitasse as ruínas de Pompeia. Havia mesmo comboios especiais com horários diários. Com o coração amargurado só ouvi falar da intervenção da nossa tropa em Armentières e em La Couture. Vi as ruínas de Espanha. Vi ruínas novamente em França, na Alemanha, em Inglaterra, na Bélgica, na Holanda.

O Estado Novo conseguiu equilibrar-se numa neutralidade que permitiu acolher crianças austríacas e gentes em fuga temerosa. Numa terra de solo paupérrimo e de subsolo desconhecido, iniciámos uma marcha para a prosperidade que ia impante por sermos dirigidos pelo único Homem de Estado surgido em Portugal desde os começos do século passado. Um homem honrado, não egoísta, missionário da ideia de que qualquer sociedade tem de ser hierarquizada para poder trabalhar com método na execução de um plano. Do que aconteceu depois da revolução de 1974, pouco sei. Nestes últimos anos passei a França e daí ao Brasil, onde fui encontrar duas centenas de milhar de Portugueses fugidos da Europa e de Angola. Alguns milhares de fugitivos conseguiram transportar consigo móveis, tapeçarias, loiças, pratarias, quadros, livros, obras de arte... Como foi isto possível, não sei... Portugal ficou imensamente mais pobre, mas deu ensejo à formação de fortunas de antiquários portugueses nascidos da competição.

(...) Desde a Revolução Francesa que Portugal sempre obedeceu aos seus credores ou às potências poderosas no mar. Salazar não obedeceu aos credores porque acabou com eles. "Orgulhosamente só", conseguiu poupar Portugal à guerra que destrói choupanas e monumentos, museus e bibliotecas, florestas, pomares e prados; que mata gado e populações que surgem amalgamadas num número e sob a designação de "mortos de guerra".

Ficam heróis, ficam mitos, renascem ódios. Espera-se que o tempo esfarele essas realidades momentâneas. Ficarão Histórias e historietas, que são tentativas de interpretação, convicções de historiadores!».

Francisco de Paula Leite Pinto (in «Salazar visto pelos seus próximos - 1964-68»).



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A Crise Florestal



Ao contrário de uma certa crença muito difundida, o processo de desarborização – a chamada crise florestal – não é um fenómeno recente, mas iniciou-se nos séculos XV e XVI com a destruição da economia rural medieval. Arroteamentos, alargamento do espaço destinado ao pastoreio extensivo e procura de madeira «grossa» destinada aos estaleiros navais de Lisboa, Porto, Aveiro, Viana e Lagos, provocaram a destruição das paleo-florestas.
No início do século XIX, quase todas as terras estavam nuas de arvoredo e os bosques das terras altas recebiam golpe sobre golpe num país onde a lenha rareava. Os quadros oferecidos pela literatura portuguesa de base provinciana são eloquentes desse país escalvado, poeirento e pedregoso.
Em 1867, o Relatório da Arborização, primeiro estudo sério produzido em Portugal, mostrava que apenas 7% do território era arborizado. Portugal era um imenso deserto. Com a criação do Regime Florestal (1901), o governo da monarquia apontou o rumo para a rearborização do território entre o Minho e o Tejo. Contudo, a implantação da república, a crise económica, a penúria crónica e a desorganização do Estado tornaram impossível responder à grave crise ambiental que assumia proporções de desastre. Teve de se esperar pelo advento do Estado Novo para que entrasse em execução o Plano de Povoamento Florestal (1938), inspirado nos programas então em voga nos EUA e Europa, o qual prolongou-se até 1972 e foi efectivamente cumprido.
Optou-se pela plantação extensiva do pinheiro bravo, a melhor solução para impedir a erosão dos solos, mas igualmente pela criação de uma polícia florestal e quadros técnicos do Estado com a incumbência de preservar o património florestal. Em 1965, 33% da superfície do país estava já coberta de matas. Os incêndios rareavam. A área de fogos nas décadas de 1950 e 1960 não excedia os 5000 hectares/ano. 
Veio a revolução, as estruturas entraram em colapso e só em 1975 arderam 80.000 hectares ou seja, o equivalente à soma de todos os incêndios verificados no país entre 1951 e 1974. A devastação continuou. Entre 1976 e 1981, a área anual de fogos foi de 40.000 hectares. O que restava da indústria das florestas entrou em colapso ao longo das décadas de 1980 e 1990. Desde então, verifica-se uma perda anual de 2% da superfície da mancha florestal.
A agravar o quadro de desastre, a indústria das celuloses entrou em força, implantando o famigerado eucalipto, espécie voraz que devastou os solos, a mata e a flora nativas, esgotando igualmente os lençóis freáticos. Ao longo das últimas duas décadas, tendo perdido competitividade, a indústria do papel entrou em recessão. Não sabendo o que fazer com o que restava das nossas florestas, o “poder autárquico” aproveitou-se da falta de autoridade do poder central e lançou mão à destruição do mínimo de racionalidade ainda existente. 
A absurda política de abertura de estradas para nenhures, as célebres “rotundas”, os loteamentos, os “parques industriais” que jamais passaram da fase de destruição dos bosques pré-existentes, os campos de golfe e “projectos de urbanização” que retiraram populações de cidades e vilas para a conurbação dos velhos centros urbanos, empurrando-as para áreas de bosque, deixaram-nos à beira do precipício. 
Ora, como as matas não dão votos, e como todo o regime vigora nesta criminosa inconsciência demagógica de “obras”, o que resta da floresta portuguesa está condenada à desaparição. 
O regime encontrou um país verde e quis à viva força que a paisagem regressasse à terra escalvada do século XIX. Este regime é uma maravilha.
Não, a floresta europeia não está em regressão, mas em expansão. A excepção é Portugal. Porquê ?"

Miguel Castelo Branco

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Soberania do Povo


"Enquanto a fantasia dos ideólogos não descobriu a soberania do povo, o povo era feliz. Trabalhava nos campos, nas oficinas e nos seus misteres: poetava; cronicava; descobria novas terras, novos mundos, novos mares; erguia as pirâmides do Egipto; criava a arquitectura grega; escrevia a Eneida e a Divina Comédia; enchia as páginas do martirológio cristão; formava os impérios dos Carlos Magnos e dos Carlos quintos; elaborava a sínteses filosóficas de Aristóteles e S. Tomás; numa palavra: atingiu os altos cumes da civilização. Essa maravilha das maravilhas que é Europa da Idade-Média, quando a Cruz e a Espada aliadas e irmanadas são o símbolo máximo da Ordem máxima, foi obra do Povo, — mas não do Povo Soberano.
Mas um dia, começaram a dizer ao Povo que ele era soberano. E quando o Povo, convencido da sua soberania, na ilusão de que lhe era possível efectivá-la, a reclamou, e o Poder constituído e legítimo se viu obrigado a reconhecer-lha, — o Povo talhou por suas próprias mãos, a mais pesada, a mais execranda das tiranias.
Nunca o Povo foi tão escravo como no dia em que começou a ser soberano! E quanto mais soberano se julga, tanto mais escravo na realidade, ele é.
O que é a soberania do Povo? A soberania do Povo é a tirania irresponsável e anónima. É a tirania dos partidos políticos. É a tirania das manobras dos clubs e dos grupos. É a tirania do acaso eleitoral. É a tirania do voto conquistado ou pela compra, ou pela vigarice, ou pela ameaça, ou pelo interesse mesquinho de uma coterie. É a tirania do Número contra a Razão. É a tirania do Número contra a Inteligência. É a tirania do Número contra o Saber. É a tirania do Número contra a Bondade. É a verdadeira tirania da Força contra o Direito.
A soberania do Povo é a negação do próprio Povo, porque é a sua sujeição à mais cobarde das tiranias: a do Número irresponsável e anónimo.
Quem governa, no Povo soberano? O voto. Quem decide sobre a Guerra e sobre a Paz? O voto. Quem resolve os problemas da Instrução, da Higiene, da Defesa nacional, do Fomento, das Colónias, da Ordem, da Moral? O voto. Quem julga o Passado do Povo? O voto. Quem prepara o Futuro do Povo? O voto. Mas quem é o voto? O voto é a mistificação legal. Quem governa, no Povo soberano, é a mistificação."

Alfredo Pimenta

O Ouro do Brasil, a pesada herança fassista e o Estado Sucial



Enviado por JARF

Evidentemente que é uma paródia e vale o que vale uma paródia. É claro que o dinheiro correspondente ao défice deixado pelo PT não se evaporou - foi enterrado em elefantes brancos e nos bolsos da rede de corrupção montada pelo PT de onde saiu para pagar gastos sumptuários, isto é consumos que, segundo as teorias vigentes na Mouse School of Economics, fazem crescer a economia.

Já o ouro trazido pelos portugueses foi de facto extraído aos brasileiros e teve mais ou menos ou mesmo destino: elefantes brancos, que com uma pátina de 400 anos são considerados monumentos nacionais, e sustento de uma corte ociosa e parasitária.

Em 1926, quando caiu a 1.ª República os cofres estavam vazios. Em 48 anos o salazarismo deixou à democracia em herança cerca de 866 toneladas de ouro - deve ser a isso que a esquerdalhada chama «pesada herança do fascismo» - por coincidência uma quantidade comparável à que o Portugal colonial extraiu do Brasil. Durante os 42 anos seguintes, o Estado sucial vendeu cerca de 60% da herança.

Via Impertinências


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Democracia à moda do Nero



Como eram as coisas há 76 anos 
(Fonte: Amorim Girão, Geografia de Portugal, Portucalense Editora):





























Como eram há 13 anos 
(Fonte: Espécies Florestais 2002, Direcção-Geral dos Recursos Florestais)



O que só pode ter os resultados que se conhecem 
(Fonte: Fogos florestais ocorridos entre 1990 e 1998, Direcção-Geral dos Recursos Florestais) 




(Gráficos via Impertinências)



Um retrato de Salazar



"Na sua extrema complexidade, Salazar foi acima de tudo uma vontade inquebrantável, com domínio constante e absoluto sobre todo o seu ser.


Da sua energia íntima retirava toda a sua força. Sensível, nervoso, emotivo, permanecia contudo sempre sereno, frio, sem cóleras, desapaixonado, sem pressas, sem excitação, em particular quando em torno de si todos se mostravam incertos e perplexos. Nunca o abandonava a sua lucidez, que usava como método de penetração e conhecimento da realidade, nem jamais se obscurecia ou enfraquecia a sua capacidade de análise demorada, lenta, minuciosa, de que extraía conclusões e sínteses, arquivava-as de forma sistemática, e dava depois a sensação de haver reflectido durante séculos sobre cada assunto ou situação. 

Aderia e entregava-se a tudo quanto o cercasse em cada instante; cuidava de cada problema com uma absorção exclusiva e intensa, como se nenhum outro existisse e como se, para encontrar a melhor solução, tivesse à sua frente a eternidade.

Criador da lei, era o seu primeiro escravo, e submetia-se-lhe como seu mais humilde servo. Defensor do Estado, não subordinava essa defesa a quaisquer outros critérios ou considerações; era glacial no tratamento e condução dos negócios públicos; e por acto de vontade calcava gostos pessoais, vencia emoções, suprimia ressentimentos, desconhecia ofensas. Escutava sem interromper, com atenção concentrada, e retinha com fidelidade quanto se lhe dizia; não se sentia afrontado com objecções ou ideias opostas; não era impressionável, nem influenciável; mas factos e argumentos alteravam a sua posição. 

Era intransigente nos princípios, mesmo que pudesse correr risco de destruição; mas era flexível na táctica e subtil na mudança de rumo; e dava à nova linha que prosseguisse uma nova construção lógica, de modo a não se contradizer nem desmentir. Considerava-se emanação genuína do povo, de cujos interesses se sentia universitário, e cujos sentimentos misteriosamente compreendia e avaliava. Era céptico e indiferente perante as elites. 

Delegava autoridade, e aguardava que cada um cumprisse o seu dever; mas não tinha no íntimo a segurança de que o fizessem. 

Não pedia favores, e não aceitava obséquios que lhe criassem dependências ou familiaridades. Interessava-se por tudo, e informava-se nos mínimos pormenores; e sabia em cada momento qual a posição política e pessoal de cada homem que contasse no País.

Tinha acima de tudo um ângulo de visão só nacional." 

Franco Nogueira

sábado, 6 de agosto de 2016

Mais uma farsa das muitas farsas

"Lembro-me como continentes inteiros tinham a Olimpíada como algo muito sério e contavam as medalhas como equivalentes às suas armas nucleares. 

Estou feliz que hoje se reconhece os Jogos como são: mais uma farsa das muitas farsas no jogo irónico da história."

AM



Não aldrabem a história


Ponte Salazar
Inauguração: 6 de agosto de 1966

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