sábado, 4 de junho de 2016

A democracia é o caminho errado

"Se o caminho não vale a pena, então o objectivo ainda menos."

AM




Touradas & Putas - A cada povo a sua cultura

"Um holandês que pertence a uma agremiação que se chama 'Vegan Strike Group' invadiu hoje o recinto do Campo Pequeno, porque é contra as touradas. Alegadamente, levou uns sopapos.
A cada povo a sua cultura. Eu nunca invadi as montras das prostitutas em Amsterdão, e sou contra."

MC



Conselho para férias

"Nestas férias não abandone o seu cão. Pode ser preso. Abandone antes o seu avô."

MM


Um país de tradição católica que anda ao comando de partidos é o mesmo ou até pior que estar entregue a uma seita de protestantes.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

A cultura protestante é uma cultura livre?

EUA
População: 316 milhões
População Prisional: 2.239.751
Índia, Indonésia, Japão, Bangladesh, França e Alemanha
População: 1.950.000
População Prisional: 792.000
Fonte: The International Spectators


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Admirável mundo novo



Acordo com a União Europeia tenta combater posts que possam ser considerados racistas e xenófobos.
G1.GLOBO.COM



quarta-feira, 1 de junho de 2016

A destruição da cultura brasileira (ou a amerdicação do Brasil)


Alexander Dugin e o Logos de Ariel
De forma brilhante, o Professor Alexander Dugin, em seu livro “O Logos de Ariel”, explica através de diversos estudos de autores essencialmente latinos e, de acordo com as manifestações das Américas, como os “novos povos” são diferentes daquilo que foi formado na América do Norte pelos invasores protestantes. Sua análise é muito precisa e desce às profundezas daquilo que compõe a mentalidade brasileira, tanto em suas raízes como em seu desenvolvimento. De forma complementar, podemos analisar o seguinte:
A cultura brasileira é um fenómeno único e singular. Segundo Darcy Ribeiro, a formação dos “povos novos” ocorreu entre a síntese do ibérico com os escravos e índios, formando algo que não é indígena, nem africano ou europeu. Entretanto, cada componente forneceu uma impressão profunda na alma dos “povos novos”. Aqui, é importante salientar uma diferença fundamental entre a mentalidade colonial ibérica e a mentalidade saxónica. Portugueses e espanhóis, tanto durante as descobertas do Novo Mundo como durante o período colonial, estavam afastados das reformas modernistas dos saxões – um fato que se deve à forte presença católica romana entre os ibéricos. Essa diferença de mentalidade se reflectiu na formação dos “povos novos” e, no Brasil, na formação de uma cultura própria, envolvendo não só a formação social como novas manifestações religiosas e uma cosmovisão muito particular.
Quando olhamos, por exemplo, a questão da religião afro-brasileira, notamos uma diferença fundamental: enquanto nos EUA os escravos eram espalhados pelo continente, sem qualquer agrupamento étnico ou cultural, a organização no Brasil, em irmandades, que organizavam os negros em nações, para que fossem catequizados no Catolicismo, como a Confraria do Senhor da Redenção, dos negros daomeanos. Tais irmandades, embora combatessem o culto africano e buscassem a conversão dos negros, foram fundamentais para a sobrevivência das tradições africanas no Brasil, ainda que em formas sincréticas e em um novo sentimento religioso, que influenciou a formação de um culto diferente do culto africano[1]. Da mesma forma, a relação dos portugueses com os índios era diferente da relação dos puritanos: portugueses buscavam a catequização dos índios, enquanto ingleses buscavam o extermínio. As culturas indígenas e africanas não sobreviveram nos EUA como no Brasil por uma questão muito simples: o português, ainda imbuído do espírito católico, buscava “ganhar almas”, o inglês, com base no puritanismo racista do Protestantismo, buscava apenas varrer o Novo Mundo, visto como a nova “Terra Prometida” e, os locais, vistos como os povos habitantes da antiga Terra Prometida e inimigos do povo eleito. Uma diferença que reflecte a diferença entre as teologias cristãs: a Teologia Católica, da Igreja Visível e Universal, e a Teologia Protestante, a Igreja dos eleitos, restrita aos modos protestantes. Portanto, a abertura do catolicismo para outras culturas é inegável, enquanto a mentalidade protestante é essencialmente saxã – e entenda, aqui, não a mentalidade verdadeiramente saxã, mas a mentalidade deturpada formada pelo Protestantismo.
Os “novos povos”, portanto, foram formados por essa mentalidade que, quando em contacto com os índios e africanos, formou não só novas misturas culturais, mas também religiosas e culturais. Enquanto os poucos sobreviventes indígenas dos EUA foram obrigados à completa imersão na vida americana ou à vida em pequenas reservas restritas, e os negros absorvidos por completo no modo de vida americano, inclusive religioso, no Brasil surgiu um novo modo: um sincretismo completo que formou um catolicismo singular, uma religião afro-brasileira singular e uma cultura indígena, em até certo ponto, particular. Obviamente, isso não quer dizer que muitos actos dos colonizadores portugueses foram legítimos, como a escravidão, assassinatos, conversões forçados etc. Entretanto, a mentalidade ibérica permitiu a sobrevivência de diversos outros elementos culturais e a formação de um “novo povo”.
Cultura Negra Brasileira e Cultura Americana
Quando falamos em cultura popular, a questão da diversidade é muito mais presente no Brasil do que entre os estadunidenses. A cultura que prevaleceu entre os estadunidenses é essencialmente branca e de moral Protestante. Até mesmo entre os negros, pouco da cultura negra sobreviveu, quando comparados aos brasileiros. O negro americano, mais americano e mais preso ao ideal Protestante de buscar a riqueza, difere daquilo que era, antes da invasão mediática, do negro brasileiro, mais ligado às raízes e sua herança. É interessante notar, por exemplo, o fascínio que o Islão exerceu em muitos activistas negros estadunidenses, algo que não ocorreu no Brasil[2]: a falta de qualquer resquício cultural da cultura negra nos EUA fez com que o Islão surgisse, para eles, como um factor libertador, justamente por ser o contrário da mesquinhez racistas do Puritanismo: afinal, o primeiro muezim do Islão foi um escravo negro.
A cultura musical negra, por exemplo, embora também tratada como marginal em seu início, nunca reflectiu elementos culturais propriamente africanos. O Blues, embora nascido nos cantos dos afro-americanos para embalar o trabalho nas plantações, possui um carácter muito mais melancólico do que o Samba brasileiro – o Samba, embora repleto de letras melancólicas, de saudades e tragédias, não possui o mesmo carácter essencialmente melancólico do Blues. Um exemplo:
I got stones in my passway
And my road seem dark as night
I got stones in my passway
And my road seem dark as night
I have pains in my hearts
They have taken my appetite
I have a bird to whistle
And I have a bird to sing
Have a bird to whistle
And I have a bird to sing
I got a woman that I’m loving
Boy, but she don’t mean a thing
My enemies have betrayed me
Have overtaken poor Bob at last
My enemies have betrayed me
Have overtaken poor Bob at last
And here’s one thing certainly
Robert Johnson – Stones In My Passway
Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira
Não sei quantas vezes subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando.
Quando o tempo avisar
Que não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade
Folhas Secas – Nelson Cavaquinho
O Blues americano representa uma completa melancolia resignada, causada pela identidade perdida, um pessimismo de alma. O Samba brasileiro, mesmo em seus momentos mais melancólicos, apega-se ao passado ou a um renascimento. O sentimento do negro brasileiro é aquele de quem perdeu alguma coisa e encontrou algo novo. É uma consequência entre a saudade e uma nova descoberta. O do negro americano, pelo contrário, é apenas desolação.
Desta forma, enquanto o brasileiro esteve separado da cultura americana, a entidade brasileira foi preservada. As músicas populares, em diversos ritmos, retratam as raízes locais, o sentimento do negro e do índio, a vida no campo, as mazelas sentimentais curadas pela bebida ou por um novo amor.
É preocupante, entretanto, como a influência da cultura americana tem deteriorado a noção do brasileiro em relação à sua identidade. A música negra moderna dos estadunidenses não busca as raízes perdidas, não busca uma libertação de fato, mas sim a mesma forma de escravidão já sofrida pelos brancos, uma escravidão ao consumismo e ao modelo esclavagista americano. Pois o sistema de consumo, baseado na usura bancária, é um navio negreiro – errados estão aqueles que, em situação económica pior, imaginam que a libertação está em subir alguns degraus na escravidão, sem lutar pelo fim do sistema esclavagista. A “libertação” proposta pela ideologia da música negra pop americana não é uma libertação, é apenas uma cobiça. Isso ocorre pela falta de identidade – no Brasil, não precisamos disso.
Uma Nova “Cultura Brasileira”
O que se vê no Brasil, tanto nas manifestações ideológicas como culturais, é uma tentativa desesperada para encontrar algum sentido em ideologias, manifestações culturais e ideias estrangeiras. De um lado, conservadores adulam um conservadorismo que é o completo oposto às raízes do nosso povo, do outro, vemos uma flutuação absurda entre o niilismo e a “moral de pressão” dos grupos pós-modernos, que é apenas um moralismo formado por valores falsos dos grupos de pressão. Assim, a discussão está sempre entre “isso é uma degeneração”, “é amoral”, “é contra os valores judaico-cristãos” e “isso é manifestação cultural dos oprimidos”, “voz da periferia”, “empoderamento” – dos dois lados, temos apenas zurros, imbecis buscando justificar preconceitos e burrices. Ninguém se dá conta que o problema está no ataque directo ao dasein brasileiro, ao que é nossa identidade. Toda sociedade, ao perder sua identidade mais profunda, caminha para a barbárie e para a polaridade. Sem uma identidade única, a sociedade é dividida entre “nós” e “eles”, que são na verdade uma forma revivida de Gog e Magog. São urubus lutando pelos últimos pedaços da carniça.
Desta forma, o conservador que defende a ideologia de um Russel Kirk é tão burro e perdido quanto qualquer MC de favela que canta um “nóis chega”. O discurso pode ser mais bonito, mas a cegueira é a mesma. O imbecil defensor de valores estadunidenses e britânicos no Brasil acaba, por ironia, lutando ao lado do funkeiro de favela que busca a cultura do consumismo e da ostentação.
Enquanto a verdadeira cultura brasileira exalta, em diversos ritmos, sotaques, danças, lendas e outras manifestações os valores ibéricos, católicos, africanos e indígenas, o idiota do baile funk veste uma camisola de alguma equipa europeia e outras quinquilharias de marcas importadas. Ao mesmo tempo, o “conservador” idolatra figuras tipicamente estadunidenses: a caça desportiva, a vestimenta “conservadora”, adopta uma postura quase “britânica”.
O problema, portanto, não está centrado na degeneração “moral“. O problema é a falta de identidade cultural. O funk não é fruto da ausência moral – é fruto da nossa morte cultural. É fruto da invasão cultural estadunidense, financiada desde as camadas mais exaltas da sociedade, que hoje também consomem todas as formas da nossa degeneração cultural. Não vivemos um problema “racial”, vivemos um problema cultural.
Embora esta ideia pareça um tanto reaccionária para alguns antropólogos, que acreditam na cultura “viva” e em constante transformação e, portanto, todo fenómeno cultural, independente da influência externa, é “cultura”. De fato, assim pode ser considerado de acordo com fins exclusivamente académicos – entretanto, quando partimos de um ponto de vista superior, sabemos que não é assim. Basta analisar, primeiro, de acordo com um olhar histórico: a formação do dasein brasileiro com os “novos povos”, na união entre o sentimento do negro, o sentimento do índio e as intenções dos colonizadores ibéricos difere bastante da influência estadunidense. Em um caso, ocorreu um verdadeiro “casamento alquímico” que, mesmo na união, preservou diversos elementos. No outro, temos apenas a influência de valores decaídos de uma mentalidade completamente estranha à cultura local. Pois não é preciso ser partidário da chamada escola “perenialista” para notar certa semelhança entre as diversas civilizações antigas – qualquer pessoa em sã consciência consegue notar pontos semelhantes entre a cosmovisão ibérica e os diversos povos africanos, por exemplo, mas o mesmo não ocorre quando você analisa a civilização ibérica em comparação à civilização anglo-saxónica.
Portanto, a questão do actual choque cultura não é apenas ideológica. São filhos do mesmo pai brigando por uma fatia do bolo, talvez a última da festa, pois a destruição daquilo que é a essência de uma civilização só pode acabar em banho de sangue e extinção.
[1] O culto afro-brasileiro é diferente do culto africano em vários aspectos. Em primeiro lugar, o sentimento de “banzo” é uma marca dos afro-brasileiros e influenciou a questão do candomblé no Brasil. Orixás como Okô, da agricultura, é muito pouco cultuado no Candomblé, praticamente esquecido, pois não fazia sentido pedir a proteção para uma colheita que não era dos trabalhadores escravos, mas dos portugueses. A tradição afro-brasileira é uma tradição que reivindica mais justiça, vingança e outros elementos relacionados ao exílio, vingança e justiça – algo que influenciou inclusive a formação de outros cultos baseados nos elementos afro-brasileiros, como a Umbanda e Quimbanda. Além do mais, o sincretismo com os índios e portugueses também formou uma característica única ao Candomblé brasileiro, como o “Candomblé de Caboclo”, um sincretismo entre nações africanas e elementos indígenas. Podemos citar ainda outras manifestações, como o Catimbó. Uma figura muito importante na análise deste fenômeno é o célebre Pai de Santo Joãozinho da Gomeia (1914-1971), que recebeu o apoio de uma tradicional Mãe de Santo, Mãe Menininha do Gantois, para tocar seu Candomblé peculiar.
[2] Actualmente, o mesmo fenómeno começa a ocorrer no Brasil, através da invasão do rap nas comunidades carentes de São Paulo.

NRB

sábado, 28 de maio de 2016

O mito do Colonizador Protestante


Da cultura protestante...

Óculos deixados no chão de museu nos EUA são confundidos com obra de arte

Reprodução/Twitter
Visitantes confundem óculos no chão como obra de arte nos EUA

A velha história do atraso dos países de cultura católica




Hoje a propósito da velha história do atraso dos países de cultura católica demonstra como a tese de Weber tem grandes adeptos, ainda que não totalmente original, já tinha sido antecedida cerca de trinta anos pela tese de Antero de Quental com o sugestivo título de "Causas da decadência dos povos peninsulares" (mas claro, como é português a relevância é menor). Ambas as teses estão viciadas, mas não cabe aqui discutir isso (1).
É interessante como mesmo catedráticos e estudantes quase divinizem uma teoria que várias vezes já foi refutada pela historiografia. Talvez porque a tese de Weber pareça elegante a olhos deslumbrados, principalmente a povos como os de cultura católica que sempre desprezaram a sua identidade para preferir imitar o estrangeiro (i,e., os povos protestantes). E não é de admirar que um professor de direito se sinta tentado a preferir o protestantismo ao catolicismo, o próprio direito português é muitas vezes copiado de países protestantes (a Alemanha principalmente).
O trauma em questão vem a propósito do suposto atraso das nações católicas em relação ás nações protestantes, um velho estribilho oitocentista que ganhou raízes profundas nas nossas academias. O argumento é falso e já o demonstrarei. Ofereço a proposta de Hayek que no discurso perante a Academia Sueca citou dois escolásticos ibéricos: Luís de Molina e Juan de Lugo, afirmando que a análise económica austríaca não era uma novidade, já tinha sido formulada nos século XVI e XVII e tinham origem católica e espanhola.
Exactamente, as ideias do capitalismo emergiram da Europa mediterrânica, herdeira da tradição grega, romana e tomista (3), influência muito mais decisiva do que na tradição dos filósofos escoceses do século XVIII (Adam Smith e David Hume). Um mesmo Hayek cita diversas vezes Molina, sim, Luís de Molina um padre jesuíta espanhol, a propósito da ideia do equilíbrio natural do mercado na formação do «preço natural» ou do «preço justo».
Aliás, foram dominicanos e jesuítas, professores de moral e teologia em universidades, como a de Salamanca e a de Coimbra, que constituíram os focos mais importantes do pensamento durante o Século de Ouro espanhol, antecedendo Smith e antecipando em séculos a escola Austríaca. E mesmo as teorias do protestante John Locke sobre o consentimento popular e a superioridade popular no governo já tinham encontrado fundamento num escolástico de Salamanca chamado Juan de Mariana, embora também descritas por Suarez, outro grande teólogo (e o fundador do direito internacional moderno).
Quanto ao capitalismo das nações protestantes, tanto Hugh Trevor Ropper, como Michael Novak (4), tinham já explicado que «a ideia de que o capitalismo industrial de larga escala era ideologicamente impossível antes da Reforma é negada pelo simples facto de que ele já existia.» (ROPPER) Aliás Michael Novak descobre o desenvolvimento do capitalismo em cidades como Antuérpia, Lisboa, Milão, Lucena, refutando assim a tese de Weber da "ética protestante".
E vem acrescentar ainda Henri Pirenne, uma década depois da publicação do livro de Weber ("A Ética protestante e o espírito do capitalismo"), baseando-se em documentação anterior à Reforma, de que "os aspectos essenciais do capitalismo - iniciativa individual, avanços no crédito, lucros comerciais, especulação, etc. - se podem encontrar a partir do século XII nas cidades-república da Itália - Veneza, Génova e Florença".
Como explicar então o declínio Peninsular? O que aconteceu deve-se aos ciclos históricos de ascensão e decadência dos povos. Simplesmente, aproveitando as palavras de Rodney Stark, os países protestantes do Norte ocuparam o lugar outrora "ocupado pelos velhos centros capitalistas do Mediterrâneo". Depois os países mediterrânicos, Portugal e Espanha, falharam em deduzir o sistema económico para o qual tanto contribuíram e perderam o passo do tempo. Tragicamente, também povos que passaram os últimos duzentos anos a copiar instituições contrárias à sua cultura, o que resultou em guerras e revoluções constantes ao longo do século XIX até ao século XX.
Mas não perdendo o fio ao pensamento. O ciclo dos pensadores da escolástica da Salamanca teria ainda um novo fôlego com o catalão Jaime Balmes (1810-1848), que além de teólogo foi economista e político católico, foi ele quem elaborou a lei da utilidade marginal vinte e sete anos antes de Carl Menger.
Sim, é verdade que o capitalismo tem origem religiosa, mas não é protestante, mas católica.


(1) uma desmistificação da tese de Weber: "Max Weber: The Lawyer as Social Thinker" Frank Parkin,Stephen P. Turner,Regis A. Factor (pp.162, 164, 165).
(2) "The Victory of Reason - How Christianity Led to Freedom, Capitalism and Western Success", Rodney Stark (pp.11-12)
(3) "As raízes escolásticas da Escola Austríaca e o problema com Adam Smith", Jesús Huerta de Soto
(4) mais uma desmistificação de Weber: "The Spirit of Democratic Capitalism", Michael Novak (pp.276-277)

Leitura Complementar:




quarta-feira, 25 de maio de 2016

Venham as próximas eleições! Méhhh


Áustria & e o Partido das Melancias (por fora são verdes mas por dentro são vermelhos)

A Áustria acaba de eleger um esquerdista como presidente: Alexander Van der Bellen. É uma história que tem tudo para não acabar bem.
Uma frase estampada num cartaz do ex-partido de Van der Bellen produzido em 2007, época em que ele era seu líder, dizia "qualquer um que diga que ama a Áustria é um merda". O Partido Verde da Áustria é conhecido por ser contra a própria existência do país como entidade autónoma e soberana. Outro líder do partido recentemente declarou que "a Áustria é um detestável pedaço de merda e isso não é uma questão subjectiva, é fato".
Van der Bellen e seus ex-correlegionários acreditam que a Europa deveria ser integrada num único grande país, fazendo com que a Áustria e seus vizinhos se tornassem meros estados de uma grande federação, algo como os Estados Unidos da Europa.
O novo presidente é filho de russos e mostra pouca afinidade com o país. Ele é, evidentemente, um defensor ferrenho da imigração em massa de refugiados do Oriente Médio que são chamados por ele de "jovens e inteligentes trabalhadores".
É para estes radicais do Partido Verde austríaco que toda a imprensa ocidental torceu como louca, jogando seu jogo habitual de chamar de extremista o outro lado. Com o medo despertado pelas posições dos verdes, a resposta de muitos é diminuir o papel do presidente já que a Áustria é parlamentarista, mas é inegável que Van der Bellen terá densidade política e poderá influenciar directamente os rumos do país.
O resultado desta eleição é um país dividido por duas razões realmente preocupantes:
1. Numa eleição com 4,6 milhões de votos, Van der Bellen venceu Norbert Hofer por míseros 31 mil votos. Como 700 mil votos foram enviados pelo correio, há fortes suspeitas de fraude eleitoral envolvendo estes votos, o que tira ainda mais a legitimidade do vencedor.
2. 81% dos austríacos com nível superior votaram em Van der Bellen, enquanto 86% dos trabalhadores sem diploma votaram em Norbert Hofer. Traduzindo: enquanto a elite vota num comunista que quer literalmente acabar com o país e encher seu território de imigrantes do Oriente Médio, o trabalhador médio está aterrorizado com a invasão e em total oposição à elite. A Áustria virou uma panela de pressão.
O mais preocupante é que qualquer partido político na Europa que ouse emitir uma opinião contra a invasão indiscriminada de imigrantes do Oriente Médio é tachado pela imprensa e pela academia de "extrema-direita xenófoba e racista", o que pode indicar um caminho sem volta para a Europa.
Enquanto a imprensa comemora a vitória do seu comunista (A.K.A. "ambientalista") de estimação, a Áustria começa a flertar com a ruptura do tecido social. Quem ainda não conhece a Europa, recomendo que vá logo. Em alguns anos, o velho continente que você conhece dos livros pode virar apenas uma vaga lembrança.

AB



O erro dos libertários

"Os libertários fazem um grande erro quando eles colocam o indivíduo no centro, quando na verdade deveria ser a família que conta."

AM

terça-feira, 24 de maio de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A inspiração de Salazar

Reparem, Senhores: o pensamento político de Salazar que se denuncia nas Festas centenárias que idealizou e promoveu, que raízes tem? De que sangue se alimenta? Em que doutrinas se funda? Numa palavra, – de onde emana, o Pensamento político de Salazar?

É, porventura, da ideologia que inspirou as disposições da Constituição de 1911? É por acaso do Verbo dos agitadores da plebe da geração de 90, e das gerações suas discípulas?

É, porventura, dos princípios fixados pela Tábua dos Direitos do Homem, ou das doutrinas execráveis da Enciclopédia do século XVIII? Quem foram os mestres desse Pensamento? Rousseau e Voltaire, Lamartine e Victor Hugo? Mouzinho e Oliveira Martins? Guilherme Braga e Junqueiro? Todos nós sabemos que esses doutrinadores são antitéticos da orientação de Salazar.

Leiam-se os discursos políticos deste; interpretem-se as suas posições, não sob o ângulo da hora em que são ditas, mas à luz da crítica filosófica, e, sem dificuldades, se verá que os seus Mestres foram Maurras e Le Play, Jean Guiraud e Menendez y Pelayo, Leão XIII e Pio X, os Mestres da contra-revolução portuguesa, e Alberto Sampaio. E se, algum dia, os seus olhos se poisaram em rimas ou estrofes, para receber os eflúvios espirituais que contêm foi – nas de Camões ou Bernardes, Sá de Miranda ou Correia de Oliveira, António Nobre ou Eugénio de Castro, Guilherme de Faria ou Mário Beirão, – poetas cristãos e genuinamente portugueses e não em certos pretensos modernistas, deformadores ou falsificadores da Beleza pura e da Poesia em si.

Ora tudo isto traduz, não Revolução francesa – alma mater do Liberalismo comunizante, mas Realeza tradicional de Portugal.

Veja-se a orgânica política do Estado Novo – obra de Salazar: a Assembleia política, reduzida ao mínimo, no tempo, e nas funções; quase só consultiva e esclarecedora, é a versão actual das nossas Côrtes tradicionais; a Câmara corporativa é o reconhecimento legal dos grandes elementos tradicionais da Nação – desde a Família à Província, desde as Corporações aos ofícios; o predomínio da Autoridade, benéfico para todos, sobre a Liberdade, prejudicial para todos; o predomínio do Bem comum sobre o Bem individual; o conceito da Família primando sobre o conceito do Indivíduo; o Social preferido ao Individual; o Bem de cada um consequência do Bem de todos, em vez do Bem de todos consequência do Bem de cada um – tudo isto que é se não de origem tradicional, obra da Realeza secular da nossa terra?

E se isto não bastasse, tínhamos no princípio da reeleição presidencial sem limites, garantindo na Constituição em vigor, o reconhecimento da grande virtude da Realeza, – como adopção da minha velha lei: «a República é tanto mais perfeita quanto mais se aproximar da Monarquia, sem nunca a atingir».

Qual tem sido o grande fundamento da obra de Salazar?

A continuidade no Poder.

Há perto de trinta anos que eu formulei, diante do público, as condições essenciais de um governo fecundo:estabilidade, continuidade e homogeneidade – características específicas da Realeza hereditária.

Têm essas características sido o instrumento feliz da política de Salazar. Estabilidade: – há mais de dez anos que governa o País; Continuidade: – promete e realiza, porque a Estabilidade lho permite; Homogeneidade: – com todas as suas falhas e desvios, os elencos ministeriais têm-se, mais ou menos, adaptado ao pensamento director do Presidente do Conselho.

A sua política, quer nas directrizes de técnica constitucional, quer nos processos realistas da execução, é de pura inspiração monárquica, e anda manifestamente distante do Estado de coisas que preparou o regime de 5 de Outubro.

E Salazar, o homem profundamente nacionalista, católico como o Portugal de sete séculos; ele que proclamou D. Afonso I «fundador do nacionalismo» português; Salazar, o espírito culto e reflectido que é, não podia sonhar para os tempos novos que idealiza, para o futuro português que prepara, outros alicerces morais que não fossem os do Catolicismo, e outros alicerces políticos que não fossem os da Realeza hereditária, matriz admirável em que se criou Portugal: ou sejam – o Trono e o Altar.

Portugal foi durante sete séculos um Estado hierarquizado, vertebrado – imagem do Homem ou imagem de Deus: um pensamento a mandar; órgãos a executar; e o corpo a obedecer.

Só assim o Rei D. Afonso I pôde fundar Portugal, e o Rei D. João IV pôde restaurar a sua Independência.

Só assim Portugal pôde realizar a grande obra de seus descobrimentos e do seu Império.

Pulverizem a Autoridade de um só; invertam as funções, e ponham o dirigente à mercê dos votos ou caprichos dos dirigidos – e nem Portugal se teria fundado, nem Portugal se teria restaurado, nem o Império português se criaria.

Como podia Salazar inspirar-se no Portugal acéfalo ou anárquico, invertebrado e catastrófico da Demência parlamentar e liberal que a Revolução de 1820 introduziu entre nós, e a de 5 de Outubro consagrou, se tudo nele é propósito realizador, dentro do mais estreme nacionalismo?

Alfredo Pimenta in «A Fundação e a Restauração de Portugal», 1940.

(via Acção Integral)

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