segunda-feira, 4 de novembro de 2013

OIT e companhia a enganar o pagode


Hoje vi na tv que a Organização mundial do comercio defende que o Governo aumente o salário mínimo, os apoios sociais, e haja mais investimento público.

Claro que agora os socialistas de todos os quadrantes vão se agarrar a este "relatório" e vão defender que o que é preciso é que o Governo abandone as politicas de austeridade, conclusão vão berrar mais do mesmo.

Mas o que leva a uma tal organização a defender algo que foi encetado nos últimos 30anos em Portugal e que deu no que deu?

Isto leva-nos a algo que a esmagadora maioria das pessoas desconhece, o pensamento económico não é todo igual.

Existem dois tipo de analise económica a analise positiva e a normativa, vejamos a diferença

"A economia positiva debruça-se sobre os aspectos de carácter objectivo da economia, descrevendo,analisando e relacionando factos e fenómenos económicos, buscando regras e leis que os expliquem e que permitam o estabelecimento de relações causa-efeito entre as variáveis económicas."

"
a economia normativa tem como incumbência o estabelecimento de regras para a actuação sobre variáveis económicas de acordo com os juízos de valor pessoais e subjectivos da pessoa que decide.esta vertente da economia preocupa-se com "aquilo que deve ser", e não com "aquilo que é ou poderia ser", como é o caso da economia positiva."(1)

São importantes, estas duas distinções, mostram nos que a maioria dos comentadores, observatórios, etc... praticam analises normativas e não positivas.
Como nós, seres humanos, não somos senhores de toda a verdade, quando emitimos uma análise normativa, corremos o risco(enorme) de incorrer em erro, dado que estamos a dar a nossa opinião, verdade que é uma opinião mais esclarecida (há partida) do que um leigo, mas não deixa de ser uma opinião.
Não deixa de ser uma análise em que vemos a realidade pelos "nossos olhos", com os nossos valores e moral, claro é uma análise limitada, dado que todos somos limitados.

Além desta grande diferença, os economistas tem todos uma escola de pensamento por detrás, existem várias sendo que os neo clássicos constituem a esmagadora maioria do pensamento main stream económico.
Estas escolas influenciam não a analise positiva mas sim a normativa, em casos como a OIT levam a que esta abandone a analise positiva para apenas fazer analises normativas, mesmo que Estas levem a abandonar leis da economia.

Uma das mais importantes leis da economia é a da OFERTA e da PROCURA.

Esta diz-nos que quando a procura aumenta há medida que o preço diminui, ceteris paribus (tudo o resto constante).A oferta aumenta há medida que o preço sobe, ceteris paribus.
O equilibrio dá-se quando a quantidade procurada é igual a oferecida.



Porque foco esta Leis da economia?

Bem, a OIT resolveu manda la janela fora.

O salário é um preço, como todos os outros na economia, e rege-se pelas leis da economia.

Sabemos que a Lei da oferta e da procura, diz nos que se o preço é fixado acima do preço de equilibrio, irá ocorrer um excesso oferta e um deficit procura.
Para um nível salarial mais elevado, existe um maior numero de pessoas interessadas em trabalhar, mas menos pessoas interessadas em empregar, gerando se um maior desemprego.

O empregador tende a empregar os trabalhadores pagando lhes um salário igual a sua produtividade marginal, isto é, ele vai pagar um salário idêntico a produtividade que retira de acrescentar mais um trabalhador, deixa de empregar quando o salário é mais elevado que a produtividade marginal.

Se o preço é aumentado artificialmente, colocando o a um nível superior ao preço de mercado o que ocorrerá é naturalmente um excesso de procura e uma menor oferta, levando a existência de mais desemprego.

O desemprego é uma variável micro e não macro, é um fenómeno pessoal, e não deve ser gerido de forma macro. Ao aumentar o salário mínimo o que vai ocorrer é que os que tem uma produtividade marginal mais baixa serão arredados do mercado de trabalho.

Imaginemos que um trabalhador perde o emprego na banca, foi bancário durante 20anos, e que é obrigado a mudar de ramo, a sua produtividade noutro ramo qualquer será necessariamente mais baixa, logo o seu salário será necessariamente mais baixo.

O mesmo se aplica a um jovem, sem experiência o seu salário será mais baixo porque a sua produtividade será menor.
O canudo não confere competências, apenas diz aos empregadores que aquele trabalhador em média será mais produtivo que o trabalhador sem canudo (2).

Estes exemplos demonstram que seja primeiro emprego, mudança de ramo de actividade, a produtividade será sempre menor, logo o salário será naturalmente mais baixo(3).

Criar um salário mínimo mais elevado funciona sempre contra os menos qualificados e os jovens.

Se existe excesso de oferta como é o caso do mercado de trabalho português aumentar o nível para o qual é possível empregar só levará a um ainda maior desemprego.

A escola da OIT é keynesiana, isto é, acredita que o caminho é mais consumo,e que se o consumo aumentar o desemprego baixa.
É um erro crasso.

A teoria austríaca e não só esta já demonstraram que não é com manipulações que se atinge o objectivo do pleno emprego.





(1)
http://www.infopedia.pt/$economia-normativa;jsessionid=TvweD58jnIc9B2ZT0tX6lA__
(2) existem profissões que o Estado obriga a deter um certificado para trabalhar, excluindo estas.
(3) em média

Os mitos sobre o Embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba

embargo-cuba

Há alguns mitos que rondam o Embargo comercial dos Estados Unidos à Cuba, imposto em 1960 pelo então Presidente dos Estados Unidos da América, Dwight David Eisenhower, ainda como um “embargo parcial” em resposta à política de confisco de propriedades de norte-americanos na Ilha. Em 1962, o Presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy (JFK), decretou o “embargo total” a Cuba, instituindo que produtos cubanos seriam ilegais nos Estados Unidos e criando diversas restrições às exportações de empresas estadunidenses à Ilha.
Atualmente as empresas dos Estados Unidos podem vender alimentos e medicamentos a Cuba e cidadãos norte-americanos podem viajar a Havana, porém, havendo algumas restrições quanto aos grupos que podem aproveitar essa “flexibilização”.
O embargo econômico limita as relações comerciais entre empresas dos Estado Unidos e Cuba e é acusado pelo regime castrista de ser o causador das mazelas na Ilha Cárcere, sendo este o primeiro e maior mito sobre o tema. É fácil constatar que Cuba contorna tranquilamente esse embargo há décadas, primeiro através dos investimento da União Soviética até 1991 e do comércio com o bloco de países que a compunham entre 1972 e 1989. Foram US$3 bilhões ao ano recebidos por Cuba vindos da URSS entre 1970 e 1991. Além disso, Cuba vendia açúcar acima do preço do mercado mundial à URSS e esta lhe vendia petróleo a preços ínfimos.
Mesmo com todos esses recursos Cuba não obteve o crescimento esperado e com o colapso da URSS em 1991 viu sua economia regredir e o PIB cair 35% em 2 anos, sendo a pior crise da história do país. Durante o período da URSS, Cuba também negociava com países como a França, que em 1967 vendeu mercadorias no montante estimado de US$70 milhões e importou de Cuba US$34 milhões em bens.
Após o colapso de 1991 da URSS, Cuba se viu obrigada a gerar novas receitas. Surge a solução com a abertura da Ilha ao turismo e intensificação das relações com outros países como Grã-Bretanha, Venezuela e Brasil. As exportações de níquel, açúcar e café ajudaram Cuba, mas o grande alívio veio com a eleição de Hugo Chávez para Presidente da Venezuela em 1999.
Chávez se aproximou de Fidel Castro e iniciou uma política com Cuba parecida com a mantida pela União Soviética. Atualmente a Venezuela fornece 120 mil barris de petróleo ao dia à Cuba que paga com o envio de profissionais cubanos de setores estratégicos, principalmente da saúde, para atenderem aos pobres na Venezuela. Só em 2008 o comércio com Venezuela chegou aos US$2.698 bilhões, com a China a US$2.457, Canadá US$1.41 bilhão e Espanha US$1.154 bilhão. Em 2013 já bateu US$600 milhões só com o Brasil.
O material humano virou produto de exportação em Cuba, que tem aproximadamente 15 mil profissionais da saúde atuando por todo o mundo, número que aumentará com as importações de médicos cubanos ao Brasil. Na Venezuela o pagamento feito a Cuba é de US$8 por consulta, no Brasil serão R$10 mil mensais, sendo R$7 mil diretamente nas mãos dos Castro. A África do Sul paga US$ 7 mil à Cuba por cada médico. Aproximadamente US$5 bilhões entram em Cuba todos os anos devido à exportação desses profissionais pelo regime castrista. Fora o comércio com outros países e com o próprio Estados Unidos, que atualmente é o 4º maior parceiro comercial de Cuba e o 5º maior fornecedor.
Agora eu pergunto: e o embargo? Mas que embargo? Ora, está claro que o embargo não impede o comércio de Cuba com outros países e até com empresas norte-americanas, logo, não pode ser culpado pelas mazelas econômicas da Ilha Prisão. E todo o dinheiro da URSS? Foi empreendido para criar e manter o oitavo maior exercito do mundo, garantir a manutenção do poder dos Castro e mal administrado, como também são os demais recursos que anualmente entram em Cuba. O modelo socialista é o responsável pela crise econômica na Ilha.
Antes do embargo de 1960, em 1959 para ser exato, entrou em vigor a lei que proibia a compra e venda de carros registrado a partir daquele ano. Até hoje vemos carros antiguíssimos na Ilha. Recentemente o governo de Raul Castro decretou a possibilidade de vender o veículo aos cubanos, mas para isso é necessário enfrentar toda a burocracia cubana, que não é pouca. Ou seja, antes de o Estados Unidos se fechar para Cuba, Fidel estava fechando Cuba aos Estados Unidos.
Dizer até que produtos norte-americanos além de alimentos e medicamentos não consegue chegar à Ilha é incorreto, pois há vídeo games, DVDs, filmes, cópias do sistema Windows, entre outros, normalmente pirateados. Haverá a desculpa de que Cuba foi empurrada à pirataria pelo embargo, mas isso não mudará o fato que os produtos entram do mesmo jeito, com a diferença de que quem está perdendo com isso são as empresas do Estados Unidos.
O Brasil além de financiar o regime castrista através do pagamento pela mão de obra dos médicos cubanos, também empresta dinheiro à Cuba através do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com financiamento à projetos de infraestrutura e operações de crédito direto aos Castro. Só o Porto de Mariel e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Mariel em Cuba custarão R$700 milhões aos cofres brasileiros. Até os irmãos Castro reconhecem que o fracassado modelo socialista não serve mais e é necessário a transição de Cuba para uma economia de mercado mais liberal, sob a desculpa “atualização do socialismo”, Raul Castro implanta reformas nessa direção.
O embargo não é culpado pela economia de Cuba naufragar, mas o próprio governo cubano e seus ideais comunistas que assolam a Ilha desde 1959. Se o embargo econômico fosse retirado, quanto tempo será que o regime castrista duraria sem essa desculpa para esconder suas falhas e o fracasso do seu modelo? Se o socialismo é tão bom, porque 2 milhões de cubanos se refugiaram no Estados Unidos? E esses exilados ajudam a economia de Cuba com doações em dólares para seus parentes na Ilha Prisão, que não tiveram a mesma sorte. Fora as 73 cooperativas autorizadas em 24/09/2013, uma só para a exportação de aves ornamentais que passa dos US$700 mil no país e pretendem chegar ao milhão com essa cooperativa.

domingo, 3 de novembro de 2013

Com o PREC a economia é quem acabou no estaleiro


Em 1972 Lisboa possuía o terceiro maior estaleiro de reparações navais da Europa, onde eram recebidos anualmente seiscentos (600) cargueiros estrangeiros, dando trabalho a 5000 (cinco mil) operários.

Cuba: antes e depois do socialismo


Nem sequer levarei a poeira

“Com efeito, Salazar vive do seu ordenado: 15 mil escudos mensais. Praticamente deveria viver a expensas do Estado, visto que a lei concede ao Presidente do Conselho uma casa, mobílias, roupas e pessoal de serviço. Contudo apenas aceitou a casa e paga o combustível e as criadas. Em Lisboa, vive em três pequenas divisões, que ele próprio mobilou. Fechou nos armários os serviços de mesa solenes e comprou copos e toalhas a seu gosto. Os seus escrúpulos são extremos. Por princípio, recusa todas as vantagens que poderiam advir-lhe do cargo e do nome. Lembro-me de uma das suas frases: «Hei-de virar e sacudir as algibeiras antes de deixar o poder. Dos meus anos passados, nem sequer levarei a poeira.»"

 "Férias com Salazar" (1952), Christine Garnier

O grande esquema por trás do dinheiro


Como responder aos argumentos socialistas...



sábado, 2 de novembro de 2013

Quem fala assim, é um canalha

 «está-se a chegar a momentos de fratura» e que é «preciso que as pessoas se envolvam na política», que «estejam dispostas a sujar as mãos, que estejam dispostas até a levar porrada quando decidam vir ajudar à saída».

É por estas e por outras que Salazar foi chamado ao poder para acabar com as seitas e restaurar a comunidade.

Enganam-se os que pensam que o comunismo está morto e enterrado

Enganam-se os que pensam que o comunismo está morto e enterrado. Nada mais falso. Se o marxismo económico morreu, o marxismo cultural está mais vivo do que nunca e disseminou-se como um vírus em todos os estratos da sociedade universal.

Muito haveria a dizer sobre o marxismo cultural ou “gramsciano” que vai penetrando lentamente nas mentes sob a forma do “politicamente correcto”. Em poucas décadas, o marxismo cultural tornou-se a única força organizada à escala planetária com influência em múltiplos sectores das sociedades e tradicionais meios de comunicação de massas – televisão e imprensa e nas redes sociais onde se dissemina de forma vertiginosa.

O “politicamente correcto”, é marxismo com tudo o que esta ideologia tem de nefasto: perda de liberdade de expressão, polícia do pensamento, inversão da ordem social e tradicional e, por fim, um Estado totalitário.


Eles actuam onde os comunistas sempre actuaram mas por outros meios. A relação estreita do marxismo económico e o marxismo cultural, são apenas caminhos diversos que visam atingir os mesmos objectivos.

Como pensar que o comunismo já não assombra os cérebros dos vivos se, depois da sua pretensa extinção, toda tentativa para investigar e divulgar a extensão dos seus crimes é condenada publicamente como um pecado imperdoável, um “reaccionarismo” a combater?

Se alguém defendesse publicamente o nazismo, certamente seria banido, perseguido (e muito bem) como portador de patologia mental. O que se passa com os epígonos do comunismo?

Como acreditar que o comunismo desapareceu, quando Álvaro Cunhal e tantos outros comunistas são homenageados não só como grandes figuras da vida intelectual e artística mas como campeões da liberdade e dos direitos humanos e notórios militantes sobem ao poder por via eleitoral em várias nações do Terceiro Mundo?

Não se pense que o perigo comunista desapareceu enquanto se ouvirem apenas críticas muito vagas e genéricas aos múltiplos genocidas que lideraram essa seita assassina enquanto ao mesmo tempo criticam as democracias liberais como o pior dos males.

Ao contrário do nazismo, o movimento comunista internacional não foi desmantelado, nem debilitado, muito menos acusado do que quer que fosse. Na Rússia, em Portugal, mas não só, os comunistas mesmo que a coberto de outras siglas conservam um bom número de cadeiras nos parlamentos e disseminam a sua influência nas respectivas sociedades.

Para além da China, Vietnam, Coreia do Norte, Cuba, também na América Latina, e em África, regimes pró-comunistas chegaram ao poder.

O comunismo não acabou, a múmia de Lenine ainda procria.


O marxismo enquanto ciência e técnica da acção revolucionária, não depende em nada da base económica que o sustenta. 

A esquerda ficou órfã com o fim da Guerra- Fria; derrotados na base económica pelo avanço avassalador do capitalismo, o seu ódio pelo sistema nunca acalmou, apenas se transformou noutras causas.

Aqueles que imaginam ter destruído o marxismo porque refutaram os seus princípios económicos, estão enganados. O marxismo deve ser encarado e estudado como uma cultura. 

E o que dela resulta é tão eficiente que há cerca de um século e meio, o comunismo é o único movimento político organizado unitariamente em escala mundial e dotado de uma consciência clara da sua continuidade bem como das suas metamorfoses estratégicas. Todos os seus pretensos adversários são fenómenos locais e passageiros, incapazes não só de fazer face à máquina compressora do movimento comunista mas até de entendê-lo como um todo.

É interessante observar que nenhuma acção comunista tem jamais um objectivo único e linear. Todas as decisões do comando estratégico comunista são sempre de natureza dialéctica e experimental. De um lado jogam sempre com uma multiplicidade de forças em conflito não interferindo jamais no quadro antes de ter uma visão clara das contradições em jogo e dos múltiplos sentidos em que elas podem ser trabalhadas. 

Repare-se a que ponto vai a “língua dupla comunista”: ao esconderem as suas intenções, por trás das chamadas “minorias” que a sua versão caviar tanto gosta – o multiculturalismo, o ambientalismo, o gaysismo, o feminismo, o racialismo etc…adquiriram um grau de censura no discurso político como nunca poderiam ter imaginado se tivessem declarado abertamente as suas intenções de transformar radicalmente a civilização Ocidental destruindo-lhe os fundamentos. 

Por outro lado, repare-se que estas causas jamais foram defendidas muito menos praticadas nos países comunistas. 

Eis um exemplo da duplicidade estratégica do movimento comunista.


Floriano Mongo

Porque a esquerda detesta Olavo de Carvalho


Oferecer resistência ao comunismo

"Oferecer resistência explícita e consciente ao comunismo é um ato de caridade para com os próprios comunistas. Ninguém matou tantos comunistas quanto Stálin, Mao Dzedong e Polpot. Qualquer comunista estaria mais seguro na Itália de Mussolini ou na Espanha de Franco do que na URSS, na China Comunista ou no Camboja."

"Nem falo, é claro, da segurança e bem-estar que os comunistas desfrutam nas democracias ocidentais. Usei o exemplo dos países fascistas só para enfatizar, com casos reais, o quanto o comunismo é perigoso para os comunistas. Mais até do que qualquer regime fascista."

"NÃO pode ter sido uma coincidência, nesse sentido, que o pensamento marxista se desenvolvesse muito mais no Ocidente do que nos países comunistas."

Olavo de Carvalho


Democracia e Soberania Popular

Não é difícil encontrar conhecidos autores que se manifestaram, toda a vida e toda a obra, contra a Democracia, ou pelo menos contra o controlo demagógico de alguns sectores políticos sobre as Massas.

Podemos contar, entre os mais fantásticos (e que eu conheço, pelo menos levemente) como Edmund Burke, Donoso Cortés, Alexis de Tocqueville, Erik Kuenheldt-Leddihn, Alexandre Herculano, Maurras, Marx, Proudhon, Platão, Bainville, Aristóteles, Ortega e São Tomás de Aquino.

Nunca a democracia concedeu tal apelo aos intelectuais, não tanto quanto o apelo da tremenda irracionalidade que viram nela um instinto mais baixo da vida social humana estes homens de elevado génio.

A irracionalidade do Sistema Democrático explica-se facilmente.

Estes 15 pontos explicam a irracional crença que o Homem Comum tem na regra da maioria, e explicam também a razão pela qual, se queremos ter uma Constituição saudável com instituições democráticas saudáveis, temos de aprender a temer a democracia e a limitá-la.

Passo a numerar e a expôr, a negrito, as tais falácias:

1- A crença infundada de que todos os homens são iguais. Esta sobre-simplificação é muitas vezes imposta. A igualdade de nascimento custou à Europa muita da sua diversidade cultural. Uma coisa é crer que todos os homens são iguais perante as leis de Deus e por tal dos homens. Outra é querer que todos nascem com as mesmas competências e as mesmas aptidões.

2- A crença de que um ser humano pode errar, mas um conjunto de seres humanos - especificamente a maioria de seres humanos numa comunidade - está impermeável ao erro.

3- Todos são capazes de julgar, por si próprios, uma decisão ou situação política.

4- Todos os homens honestos e inteligentes são populares.

5- O valor funcional do ignorante e do sábio é exactamente o mesmo.

6- As Massas têm um instinto infalível ao erro (cada resultado favorável numa eleição é um sinal de inspiração divina, ou do Povo, como se o Bem fosse adoptado por um instinto de colmeia inapto ao ser humano).

7- As Maiorias estão providas de um sentido inato de justiça (como se vê, todos os dias, quando partidos e sindicatos apelam ao povo, às massas de manifestantes, para "tomarem as rédeas dos acontecimentos").

8- Nenhum ser humano é indispensável, e a sua dispensabilidade pode e deve ser considerada pela Maioria (caso do referendo ao Aborto).

9- A Maioria é a melhor parte do Todo.

10- A Verdade prevalece sozinha, sem apoio. A Mentira nunca vence.

11- Mais progresso material implica mais felicidade para os povos.

12- Uma maioria suprimindo uma minoria é um mal muito menor à opressão de uma maioria por parte de uma minoria. Isto relega à dicotomia pensamento religioso (cristão) vs. pensamento materialista. Para o cristão, uma cidade de pecadores oprimindo um sofredor é um mal muito maior que um pecador injustiçando uma maioria de sofredores. O pensamento materialista limita-se ao sofrimento, esquecendo o factor pecado. Aplicam-se medidas cuja conclusão lógica é a supressão de um indivíduo ao bem-estar da maioria, i.e. eutanásia.

13- Oclocracia é um sinónimo de Liberdade.

14- As Massas valorizam, acima de tudo, a Liberdade. Isto é uma óbvia mentira. Sendo que Liberdade é não sofrer qualquer tipo de coação no prosseguimento de escolhas que não prejudiquem a esfera de direitos de outrem, esfera essa que deve ser na medida exacta da dos restantes cidadãos, poucos - ou nenhuns - movimentos de massas foram feitos tendo como principal motivo o desejo das pessoas de serem "deixadas em paz" - pressuposto passivo. Todos se basearam em pressupostos activos - expropriação de propriedades da Igreja, expropriação da propriedade de algumas minorias, construção de uma sociedade socialista, construção de uma sociedade capitalista/mercantilista, destruição da cultura de um país, nacionalismo - criação de uma entidade colectiva etérea, estranha às pequenas comunidades, panegírico de alguns meios intelectuais - , fascismo, etc.

15- Liberdade, progresso, "democracia", paz e justiça social são processos interligados.
Todos estes processos são independentes um dos outros.
Podemos afirmar que na URSS havia (uma espécie de) democracia - os sovietes e demais instituições eleitas pelos cidadãos - e havia progresso, estavam previstas na Constituição as primeiras grandes medidas de justiça social, mas não havia liberdade para os cidadãos se associarem livremente e constituírem novos partidos, ou deterem propriedade privada, etc.
O mesmo se pode afirmar da França Jacobina, e algo semelhante se poderá dizer dos estados de Cuba e Venezuela.

Numa perfeita sociedade democrática, onde o sistema parlamentar democrático funcione exemplarmente, é necessário que a sociedade civil seja uma sociedade empenhada e alerta, pronta a mobilizar-se para os propósitos a atender, e assim seguir os líderes das facções políticas que atraiam de forma mais convincente as paixões das Massas.
De salientar que, nesta sociedade democrática, está obviamente presente a necessidade de todas as sociedades pela Unidade e Estabilidade. Sendo que estas estão dependentes da regra da maioria, a sociedade democrática veria com maus olhos factores de discórdia e não-conformistas. Tal seria (e é) visto como tentativa de dificultar a tarefa de governar de acordo com a "Vontade Geral". A minoria inconformista estaria a cometer o erro de se colocar no lado da vedação mais despovoado da quinta do Rei Demos.
É importante que um país se governe de forma a que as populações sejam ouvidas no acto de legislar ou administrar.
No entanto, Governo Representativo não quer dizer, obrigatoriamente, Majority Rule. O sistema americano assim o prova.
Por isso o sistema americano será melhor classificado como republicano do que democrático.
Democracia não quer dizer Liberdade, ou Direito à Propriedade, ou à Saúde, ou à Segurança Social, etc.
A discussão democrática legítima, aquela que é feita sem coerção física e segundo um conjunto de regras próprias de uma civilização (supostamente) avançada e de um Estado de Direito, limita-se a procurar uma solução que seja do agrado à Maioria das pessoas envolvidas nela.
Quem defende a Democracia alega que há uma necessidade de Educação da população para conseguir que esta não caia no erro de eleger líderes incompetentes ou decidir questões que são moralmente erradas ou prejudiciais para as suas comunidades e, claro, para elas próprias.

É tudo uma questão de ceder Informação ao Povo, por assim dizer. Quer me parecer que é esta a visão comum dos democratas do nosso tempo (ou melhor, de todos os tempos).
No entanto, quer me parecer também que esta análise peca por uma abstracção quase total da realidade (tão própria dos círculos académicos).
Falo baseado na minha pequena experiência que o voto do cidadão não é mais que uma conjugação de interesses que cada um faz de forma a preservar melhor o que é seu ou as suas ideias e perspectivas.
E passo a explicar.

No processo eleitoral pairam os grupos oligárquicos e sectoriais, desde partidos a seitas, de sindicatos a clubes de futebol.
Organizações que se encontram mais próximas do cidadão do que a ideia mítica (injuriada e injuriosa) do Bem Comum.
Não creio que um enorme conjunto de Informação dada aos cidadãos portugueses preveniria cada um de olha por si e por aquilo que estima.
Formemos os petizes em Filosofia ou Ciência Política desde a 4ª classe, e o resultado será o mesmo.
Apenas uma educação digna do brain wash das repúblicas socialistas soviéticas, ou do nacional-socialismo alemão, seriam capazes de destruir toda a escala de valores das pessoas e das suas comunidades (algo para o qual caminhamos, nesta Sociedade cada vez mais Igual) e impor-lhes a ideia altruísta do Bem Comum de acordo com a directivas de um grupo de gurus.

A democracia num estado de direito só funciona estando prevista a liberdade de associação. A razão para isso, quer-me parecer, é o facto de a Democracia ser muito mais que o exercício de uma escolha individual:
Não tenho dúvidas nenhumas que, nas Sociedades Modernas (as liberais-democracias), a Democracia é uma luta entre Grupos Oligárquicos baseados no seu poder sobre o Dinheiro (a Oligarquia Financeira e Económica), a Comunicação (a “Teatrocracia”) ou o Número (as Massas e a Demagogia).
A procura incessante das democracias globais por governos de conciliação, por Alianças Partidárias entre forças que se crêem fidagais inimigas, levou a um crescimento exponencial da intervenção do governo na vida dos cidadãos.
Aos ocidentais, particularmente, e aos povos que lhes seguiram as pisadas, em geral, trocou-se o pesado fardo do absolutismo monárquico e a exclusividade aristocrática por parlamentos democráticos que possuem um poder estupidamente superior àquele que os anteriores possuíam.
O egoísmo do Monarca Iluminado foi substituído pelo Nostrismo do colectivismo democrático, apoiado pelo seu irmão de século, o nacionalismo étnico.
Daí termos tido, até agora, governos que aumentam os défices e as despesas, que gastam e gastam, que usam o Estado para as suas jogadas pessoais ou vendem-no aos seus amigos e conhecidos, que trocam lugares e hierarquias entre as diferentes forças Oligárquicas.
As confrarias políticas, sejam partidos ou não, estejam representados ou não, negociarão entre si contra uma outra que lhes seja inimiga comum, muitas vezes aliar-se-ão com outras cujos interesses parecem inconciliáveis, mas fá-lo-ão sempre com o objectivo de usar o Poder e dispor dele entre si. A própria ideia de soberania parece-me, cada vez mais, um jogo cansado.

A teoria da soberania popular assenta no pressuposto, na ficção, da existência de uma massa homogénea e com vida própria, o Povo.
Esse Povo, constituído por Homens isolados que tomariam as decisões conforme a sua moralidade e concordância, ocupa o lugar que estava reservado aos Nobres e aos Reis das cidades e Estados das eras Pré-Modernas e Antigas.
Penso que já dei a entender o meu ponto de vista de como tudo isto é falso. As pessoas reúnem-se como bem querem, e exercem a sua opinião conforme o seu interesse pessoal, (e por tal, comunitário ou familiar ou oligárquico ou sectorial) e não público (o bem de todos - definido por uma alta autoridade conciliadora - para o meu bem também).
Em democracia o Povo é "soberano" - na medida em que, sendo todos soberanos, ninguém é soberano, uma soberania de 1/10 Milhões não é soberania nenhuma- , mas o Estado dependerá sempre de conjugações de interesses entre os grupos sociais e políticos.
Estas definições difíceis, com as quais se podem concordar ou não, são vitais à nossa coexistência social.
A soberania popular parece-me, de facto, algo muito irracional.
No entanto, isso não tira aos Povos o direito, a necessidade e o dever de participar no processo político ao eleger uma Câmara que controle o exercício dos Executivos e da Administração, e que legisle.
No entanto, e pelas razões expressas, a participação directa do Povo na governabilidade deve ser limitadíssima, a meu ver, à circunscrição local e à matéria de política regional ou munícipe.

O problema complica-se ainda mais no que toca à Democracia Directa.
Dar à Maioria o direito de exercer a sua prerrogativa moral quanto ao direito de uns a casarem, ou de outros a abortarem uma vida humana, ou até outras questões mais complicadas e inacessíveis, como a entrada para uma confederação ou organização federativa internacional, é entregar a decisão política, que deve ser ponderada e séria, numa luta de interesses e sectores da sociedade que nivelará pelo mais baixo possível da discussão civilizada.


E assim o vimos em todos os referendos que vimos até agora, cá dentro e lá fora.