segunda-feira, 6 de maio de 2013

A bolha do Sr. X


Pobre Eike Batista

Como o bilionário perdeu parte de sua fortuna – e, com a credibilidade abalada, tenta se reerguer com a ajuda de bancos e empresas estatais


CAINDO REAL O sonho de Eike –  tornar-se o homem mais rico do mundo – ficou mais difícil de realizar (Foto: Patrick Fallon/Bloomberg via Getty Images)


tombo dolorido (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)
Eike não dá sinal, em nenhum momento do texto, de que estava prestes a viver o maior estresse de sua vida empresarial. Nas autobiografias precoces, o capítulo seguinte acaba escrito pela vida real – e, no caso de Eike, não seria o mais brilhante da história. Pouco depois de lançar o livro, as coisas começaram a desandar, no maior teste para sua capacidade de crescer na adversidade. Seu império bilionário, erguido velozmente em sete anos, começou a desmoronar em ritmo ainda mais rápido.

O estouro da “bolha Eike” transformou-se em tema de conversas entusiasmadas em Brasília, Londres e Nova York, nos bancos e na Bolsa de Valores, nos jornais e nas mesas de bar. Ele formou um dos maiores grupos empresariais do Brasil, com projetos bilionários em áreas-chaves da economia, como petróleo, energia, logística, construção naval e portos. No total, estima-se que eles já tenham consumido mais de R$ 50 bilhões, entre recursos captados na Bolsa e empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por bancos comerciais, estatais e privados. “Apesar das dificuldades vividas pelo grupo, é prematuro dizer que ele quebrará”, afirma o presidente de um grande banco do país. Desde já, porém, pode-se dizer que o Eike que sobreviverá deverá ser uma fração daquele que parecia ter conquistado o Everest dos negócios. “Eike nunca mais voltará ao patamar em que estava”, diz Luiz Cezar Fernandes, sócio da Gradual Investimentos, de São Paulo, e fundador do antigo banco Pactual, que deu origem ao BTG Pactual.
>> Eike Batista cai 93 posições no ranking de mais ricos da Forbes

As dificuldades de Eike têm repercutido negativamente no exterior, onde muitos investidores haviam apostado em seu sucesso comprando papéis emitidos pelas empresas do grupo. Os principais veículos de economia e negócios, que antes exaltavam Eike, noticiaram em reportagens recentes os problemas que ele enfrenta. No final de março, o Wall Street Journal publicou um artigo com o título “Para Eike Batista, a realidade chegou”. No início de abril, uma reportagem da revista Forbes dizia que “Eike Batista está se tornando rapidamente o pobre menino rico do Brasil”. “Outro dia, durante uma viagem de negócios ao exterior, encontrei um grande investidor estrangeiro com muito caixa para aplicar, sempre em busca de oportunidades no Brasil”, diz um gestor brasileiro de fundos de risco. “Ele investiu um bom dinheiro nos negócios do Eike e estava louco da vida. Quando perguntei se ele continuaria a investir no Brasil, ele disse: ‘Me arruma um brasileiro sério, em quem eu possa confiar, que eu invisto agora’.”
Em 2012, Eike foi, disparado, o maior perdedor no ranking dos maiores bilionários globais. Passou de 7º para 100º lugar na lista da revista americana Forbes. Em um ano, sua fortuna pessoal diminuiu em dois terços. Passou de US$ 30 bilhões para US$ 10,6 bilhões – uma perda equivalente a US$ 53 milhões por dia ou US$ 2,2 milhões por hora. Trata-se de um golpe duro para quem costumava alardear, em tom de chacota, que não sabia se ultrapassaria o mexicano Carlos Slim, primeiro colocado na lista, “pela esquerda ou pela direita”. As principais empresas do grupo EBX, que Eike controla, fecharam 2012 no vermelho. (Todas as empresas de Eike têm, na sigla do nome, a letra X, o símbolo da multiplicação.) O prejuízo total ficou em R$ 2,5 bilhões. Só a OGX, do setor de petróleo, perdeu R$ 1,1 bilhão. Na BM&F Bovespa, o valor de mercado dos maiores empreendimentos de Eike caiu, de R$ 54,7 bilhões, na data de lançamento das ações, para R$ 16 bilhões, na última sexta-feira, 26 de abril. 
As razões da queda
O que, afinal, aconteceu? Como um dos mais promissores e ousados empreendedores brasileiros, alguém capaz de encantar Wall Street, passou, de uma hora para outra, a depender da ajuda do governo para não quebrar? Para entender as razões da queda de Eike, é preciso penetrar nos detalhes da complexa estrutura empresarial que ele construiu em torno da letra X. Como na Xanadu do imperador mongol Kublai Khan, descrita pelo poeta romântico Samuel Coleridge, o castelo de Eike foi projetado em torno de jardins de fertilidade, de onde o mel verteria como gotas de orvalho e seria possível tomar o leite do Paraíso. Suas árvores eram identificadas pelas siglas OGX, OSX, LLX, MMX, MPX e CCX. No centro, a petrolífera OGX, anunciada como uma nova Petrobras. Como na Xanadu descrita por Coleridge, porém, o castelo de Eike foi erguido no ar.

A maior falha de Eike foi não entregar o que prometera em seus projetos, em especial no caso da OGX. Ela chegou a representar três quartos do grupo em valor de mercado, em 2011. Hoje, representa um terço. Dos 30 blocos exploratórios de petróleo que a OGX detém, só três estão em funcionamento e, mesmo assim, com produção limitada. A promessa era, já em 2011, extrair por dia 20 mil barris de petróleo, com apenas um poço em operação. Em março passado, a OGX produziu 15.100 barris por dia nos três poços que opera – 25% abaixo da meta. Não há, de acordo com os analistas, perspectiva de aumento até 2014. A própria empresa informa que seriam necessários 70 mil barris por dia para o balanço sair do vermelho. “Companhia de petróleo não é para qualquer executivo chegar lá e fazer”, afirmou na semana passada a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, durante palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, em um recado velado a Eike.
NO AUGE Lançamento de ações da petrolífera OGX na BM&F Bovespa, em junho de 2008. O momento favorável do mercado facilitou o maior lançamento de ações da história da Bolsa (Foto: Michel Filho/Ag. O Globo)
De acordo com um ex-executivo do grupo X, Eike deveria ter se concentrado no aumento da produção dos primeiros poços. Em vez disso, gastou a maior parte do dinheiro captado de bancos e investidores para furar novos poços. O objetivo era passar ao mercado a percepção de que encontrara mais petróleo e, assim, captar mais recursos para financiar sua expansão.

A produção em marcha lenta afetou as demais árvores plantadas, em torno da OGX, no Xanadu de Eike. A missão da OSX, um estaleiro, seria fornecer navios para transportar o petróleo da OGX – ou, nas palavras de Eike, seria uma “Embraer dos mares”. Em menor escala, o desempenho da OGX afetou também a LLX, uma empresa de logística responsável pela construção do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, criado para atender principalmente os petroleiros da OSX. Contaminou até as outras três companhias de Eike com ações negociadas na Bolsa – a MMX, do setor de mineração, criada para ser uma “mini-Vale”, a MPX, de energia, e a CCX, cujo principal ativo é uma mina de carvão na Colômbia.
Como um bom vendedor, Eike embalou bem os projetos que apresentou aos investidores, com a promessa de gerar resultados em prazos relativamente curtos. A certa altura, começou a ficar claro que ele não cumpriria suas metas. Com isso, a credibilidade de Eike, conquistada em negócios anteriores na área de mineração ficou seriamente arranhada. Como costuma dizer o próprio Eike, “o capital é covarde”. Subitamente, as portas se fecharam para ele. A bicicleta, impulsionada pelo dinheiro farto dos bancos e do mercado de capitais, parou de girar. O caixa para tocar os projetos e honrar as dívidas de suas empresas, sem o ingresso das receitas planejadas, ficou curto. “Eike foi tão bom vendedor de seus projetos e sonhos que ele mesmo acreditou na fantasia”, diz o economista Rodrigo Constantino. “A sensação é que ele juntou o egocentrismo e a megalomania evidentes e surtou. Ficou tão grande que se achou invencível.”
>> Eike Batista: "É preciso ter algum tipo de estresse"

De repente, o que antes era “vendido” por Eike como virtude quando as coisas iam bem – a interdependência dos projetos da OGX, OSX e LLX –, passou a trabalhar contra quando as coisas começaram a ir mal. Eike sabia tudo de mineração – um fato reconhecido pelo mercado –, mas quase nada de petróleo e gás quando decidiu investir no setor. Projetos que encantaram os investidores tinham problemas. O grupo nega, mas empresários que atuam no setor de infraestrutura afirmam que a construção do Porto de Açu foi iniciada sem os estudos geológicos necessários. Segundo eles, isso obrigou a LLX, responsável pelo empreendimento, a instalar estacas mais profundas do que se previa inicialmente, em razão do terreno arenoso, quase um mangue. Isso aumentou os custos. Empresários de mineração afirmam também que o minério de ferro da MMX tem baixa qualidade e exige muita água para ser limpo – informação também contestada pelo grupo de Eike. Resultado: mais custos de produção.

Como se não bastassem as árvores de seus projetos bilionários na área de infraestrutura, Eike plantou também diversas outras plantas e arbustos em seu Xanadu. Está envolvido na exploração de ouro, por meio da AUX, e na produção de chips, por meio da SIX Semicondutores, cuja fábrica fica em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. É dono de um restaurante de comida chinesa e do Hotel Glória, no Rio, em reforma. Tornou-se sócio do empresário Rubem Medina no Rock in Rio, por meio de sua empresa de entretenimento, a IMX. Criou até o próprio time de vôlei, o RJX, com jogadores de seleção brasileira, como Bruninho e Dante. Agora, quer assumir a gestão do Maracanã, que deverá reabrir oficialmente para o público em junho, com um amistoso entre Brasil e Inglaterra, pouco antes da Copa das Confederações. Pretende, ainda, implementar um projeto urbanístico que inclui um prédio na Marina da Glória, um dos principais cartões-postais cariocas. “Eike abriu demais o leque”, afirma um banqueiro com experiência na reestruturação de empresas. “Se ele tivesse escutado o pai (o ex-presidente da Vale Eliezer Batista), teria feito metade dos investimentos que fez. Agora, está pagando o preço da ousadia.”

Uma intensa rotatividade de executivos, pouco usual em empresas de grande porte, ampliou as dúvidas sobre a habilidade de Eike para tocar os negócios e manter os talentos necessários a seu desenvolvimento. Desde 2010, Eike trocou em suas empresas nada menos que 31 altos executivos, entre eles nove presidentes. Seduzidos pelas promessas de bônus generosos, boa parte em ações, muitos saíram quando Eike os convidou a aplicar parte do que haviam recebido nas próprias empresas, cujos papéis estavam em queda, após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008.
A queda (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)




















A maior e mais conflituosa perda de Eike naquele período foi o engenheiro Rodolfo Landim. Ele fora trabalhar com Eike em maio de 2006 como seu braço direito. Saiu em abril de 2010, por não ter concordado em diminuir seus bônus e ceder parte das ações que recebera para capitalizar os negócios de Eike. Ex-funcionário de carreira da Petrobras com respeitável conhecimento técnico do setor, Landim galgara os degraus mais altos na estatal, como presidente da BR Distribuidora e da Gaspetro. Com Eike, liderou as operações bem-sucedidas de lançamento das ações de cinco empresas do grupo X na Bolsa – MMX, MPX, LLX, OGX e OSX. Pelas contas de Landim, a MMX, a primeira a abrir o capital, valia R$ 600 milhões quando ele chegou. Quatro anos depois, quando saiu, o grupo se multiplicara e se diversificara. Valia R$ 82,4 bilhões. No período em que esteve com Eike, Landim acumulou um patrimônio pessoal estimado em R$ 200 milhões, entre salários, bonificações e ações, algo como R$ 50 milhões ao ano.

Hoje, dono de sua própria petrolífera, a Ouro Preto Petróleo e Gás, e sócio da Mare Investimentos, uma empresa de gestão de recursos, Landim disputa com Eike uma ação na Justiça que poderá torná-lo quase R$ 500 milhões mais rico. Ele cobra uma participação de 1% na holding pessoal de Eike, a Centennial Asset Mining Fund, com sede no Estado americano de Nevada, que controla grande parte de suas ações nas empresas do grupo X. Segundo Landim, essa participação lhe fora prometida num bilhete escrito por Eike numa viagem de avião de Londres para o Rio de Janeiro, em dezembro de 2006. A Justiça entendeu, porém, que o manuscrito não tinha valor jurídico e rejeitou o pedido de Landim em segunda instância. Seu advogado, Sergio Tostes, entrou com um embargo declaratório no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para questionar se Eike não violou o “princípio da boa-fé”, ao alegar que o bilhete não tem valor jurídico, apesar de reconhecer que ele o escreveu e o assinou. A decisão final da corte ainda está pendente.

No começo de 2013, depois de 50 dias trabalhando como vice-presidente da EBX, a holding do grupo, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), pediu demissão. De acordo com quem convive ou conviveu com ele, Eike escuta bem menos as opiniões de seu pessoal do que diz em seu livro. “O Eike é um cara complicado”, diz Landim. “Ele gosta que as pessoas o elogiem o tempo todo.”
As relações com o governo
Eike tem boas relações em várias esferas do governo e com políticos – do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador do Rio, Sérgio Cabral. Foi um dos principais doadores de recursos para as campanhas eleitorais de ambos e também da presidente Dilma Rousseff. Eike também doou R$ 1 milhão para o filme Lula, o filho do Brasil, lançado em 2009. Em janeiro, a bordo do jatinho de Eike, Lula o acompanhou numa visita ao Porto de Açu.

Conseguiu uma audiência com Dilma para conversar sobre a crise de seus negócios. “Eike Batista não é diferente de nenhum outro empresário”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

ÉPOCA revelou dias atrás a operação hospital que era articulada em Brasília para ajudar Eike a sanar os problemas do Porto de Açu. O empreendimento ainda não atraiu investimento suficiente para torná-lo sustentável sem os embarques de petróleo da OGX previstos no projeto. A pedido de Lula, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, acionou o embaixador brasileiro em Cingapura, Luís Fernando Serra. Ele atuou como intermediário para tentar convencer a empresa SembCorp Marine a transferir o estaleiro Jurong Aracruz do Espírito Santo para o Porto de Açu. Com a divulgação do lobby de Eike, a operação foi abortada.
>> Consórcio de empresa de Eike Batista oferece R$ 180 milhões pelo Maracanã

A Petrobras é candidata a tomar parte no socorro ao grupo X. A estatal nunca manifestara interesse em se instalar em Açu, mas informou que poderá usar o porto de Eike como base de petroleiros. Também poderá encomendar navios e plataformas à OSX, que tem capacidade ociosa. Talvez até adiante algum dinheiro para a empresa de Eike, antes mesmo de receber as encomendas. “É um negócio, não se trata de ajuda”, afirmou Graça Foster, da Petrobras, ao comentar as negociações com o grupo X. “Como o Eike se dimensionou para uma OGX muito maior, ele agora tem braços especializados e equipamentos, mas não tem óleo, enquanto a Petrobras tem óleo, mas não tem equipamentos suficientes para fazer a extração”, diz um banqueiro familiarizado com as negociações. “Deve haver um ponto de intersecção construtivo para as duas companhias.”
Tudo ao mesmo tempo (Foto: Custódio Coimbra, Paulo Nicolella/Parceiro/Ag. O Globo, Buda Mendes/LatinContent/Getty Images (3) e Pedro Teixeira/Parceiro/Ag. O Globo)
Também se discute no governo o leilão de um trecho que ligará o Porto de Açu à malha ferroviária nacional. O BNDES, que irrigou generosamente as empresas do grupo X, poderá conceder novos créditos ou até comprar mais ações – hoje, o banco já detém participações relevantes em duas, CCX e MPX, de 11,72% e 10,34%, respectivamente. Na semana passada, o BNDES anunciou um crédito suplementar de quase R$ 1 bilhão para a mineradora MMX. Nascido para operar por conta própria, longe dos úberes generosos do Estado, o grupo de Eike poderá se tornar cada vez mais dependente das benesses oficiais.

A operação salvamento de Eike também tem outros atores. No início de março, uma parceria foi fechada com o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, para reestruturar o grupo X. Apoiada pelos principais credores, ela incluiu uma linha de crédito adicional de R$ 1,3 bilhão, além dos cerca de R$ 300 milhões que o BTG já emprestara a Eike. Como Eike, Esteves cultiva boas relações em Brasília, e seu apoio poderá ajudar o grupo X a receber dinheiro do governo. O retrospecto de Esteves no mercado financeiro sugere que dificilmente ele se envolveria com os negócios de Eike se não acreditasse que é possível salvá-los e lucrar com isso. ÉPOCA apurou que, se tiver sucesso, sua remuneração deverá ser calculada com base na valorização dos papéis de Eike na Bolsa, tendo como base o dia do fechamento da parceria, em 6 de março. Até agora, a reação dos investidores não correspondeu às expectativas. Os preços das ações da OGX caíram cerca de 40% desde então. Em 2014, se a empresa aumentar a produção de petróleo, é possível que haja um salto nas cotações.
O impacto da crise
Numa reviravolta inimaginável até pouco tempo atrás, Eike é hoje lembrado mais por suas dívidas que por sua fortuna, mais pelas dificuldades de seus negócios que por suas conquistas. Só o BNDES emprestou R$ 10 bilhões ao grupo, incluindo o crédito à MMX em abril. Desse total, estima-se que Eike ainda esteja devendo R$ 5,5 bilhões ao BNDES. Como boa parte dos empréstimos foi repassada às empresas do grupo por bancos comerciais, são eles que assumem o risco das operações, e não o BNDES, diz um dos credores. A exposição direta do BNDES ao grupo X é, segundo ele, inferior a R$ 500 milhões – R$ 109 milhões, de acordo com Eike.

No total, incluindo os repasses do BNDES, os bancos comerciais têm cerca de R$ 16 bilhões emprestados às empresas de Eike. Perto de R$ 3 bilhões foram concedidos à EBX, holding do grupo, pelo Itaú Unibanco e pelo Bradesco, os maiores credores, a maior parte com garantia em ações das empresas. Nos últimos meses, a desvalorização dos papéis gerou desconforto nos dois bancos, especialmente no Itaú, que passou a cobrar novas garantias e ameaçou não renovar os empréstimos. No final, o problema parece ter sido resolvido, ao menos temporariamente.

Ainda é preciso incluir na conta cerca de US$ 3,6 bilhões (R$ 7,2 bilhões) em papéis emitidos pela petrolífera OGX no exterior e vendidos a investidores privados. Somando todas as dívidas do grupo, o total gira em torno de R$ 25 bilhões, além dos cerca de R$ 27 bilhões captados no mercado acionário. A Moody’s, uma das maiores empresas internacionais de classificação de risco, anunciou em abril o rebaixamento da avaliação da OGX e deixou aberta a possibilidade de fazer novo rebaixamento no futuro. Curiosamente, a desvalorização dos papéis até agora foi menor que a das ações da empresa.

Para tentar contornar essa situação dramática, o BTG sabe que é preciso, antes de tudo, resgatar a confiança dos investidores. Na visão do banco, MMX, MPX e CCX, além da AUX, a mineradora de ouro, de capital fechado, são projetos que funcionam de forma relativamente independente. A LLX também é um caso visto como menos problemático que OGX e OSX, pois é um projeto que pode ser implementado em fases, de acordo com a demanda e a disponibilidade de caixa. “O grande problema são as empresas que começam com O”, diz um executivo envolvido na parceria. São aquelas que dependem de óleo. 
Uma equipe de sócios e executivos do BTG está mergulhada no grupo X, para fazer uma avaliação de cada negócio e adequar a gestão a novas metas. Como o grupo X precisa gerar caixa rápido, está em andamento uma renegociação das dívidas. Poderá haver redução do ritmo ou até a paralisação de projetos. A venda de participações e de ativos também deverá reforçar o caixa. No final de março, foi anunciada a venda de metade da participação de Eike na MPX para a E-On, maior empresa de energia da Alemanha, por R$ 1,4 bilhão. Agora, há rumores de que o BTG está negociando a venda de uma fatia da OGX, o epicentro da crise, para a Lukoil, segunda maior petrolífera da Rússia, ou para a Petronas, a estatal de petróleo da Malásia.

No final, a participação de 60% a 70% que Eike detém no capital das empresas do grupo X deverá diminuir para 20% ou 30%, como no caso da MPX. As empresas precisam de sócios que entrem com dinheiro para ajudar a levar os projetos adiante. Eike, em vez de se envolver no dia a dia, deverá continuar no Conselho de Administração das empresas. Só coletará dividendos se – e quando – as empresas derem lucro.

Diante de seu perfil arrojado, muita gente vê Eike como arrogante e parece torcer para vê-lo beijar a lona. Num país carente de empreendedores capazes de correr riscos e ter sucesso graças a seu arrojo e tino empresarial, que possam servir de exemplo não apenas para os mais jovens, mas para toda a sociedade, seria uma derrota ver alguém como ele acabar dependendo de favores do governo para sobreviver. Qualquer que seja seu futuro, porém, seu caso trará lições para as novas gerações. Se conseguir se recuperar, ele poderá se tornar um exemplo de como é possível aprender na adversidade e reerguer um império abalado. Ou – caso ele perca, seja obrigado a recorrer ao governo ou a se desfazer de suas empresas – de como o pior inimigo de um homem de negócios pode ser a confiança em si mesmo. Em ambos os cenários, uma coisa sua história já deixou clara: os castelos erguidos no ar e os jardins de Xanadu só existem nos sonhos e nos versos românticos. 
Inferno astral (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)







Spain


Estive uns dias por Espanha, nomeadamente em Donosti, País Basco.

Estava Eu no hotel e ao fazer zaping pelos canais da televisão apercebi-me de algo super interessante, o teor da discussão económica é muito similar ao que assistimos em Portugal.

Por exemplo o Rajoy numa quarta feira anuncia que na sexta feira não haveria uma aumento de impostos, chegamos ao dia e não só se aumentam impostos como se criam novos impostos.

É fantástico como os políticos sejam eles portugueses sejam eles espanhóis pensam da mesma forma..

Outra coisa fantástica é que por lá um Ford Fiesta custa 8800€ e por cá 12500€.

Não tive oportunidade de perceber como a crise afecta o país, País Basco é das zonas mais ricas de Espanha e com o menor desemprego (16% contra 27,16), e não me pareceu muito diferente da última vez que lá tinha estado (em 2009).

Sempre que vou a um país diferente, vou aos supermercados ver os preços, constatei que eram similares a Portugal (uns produtos mais baratos outros mais caros).

O que me deixou impressionado foi que o chocolate milka era 30% mais barato que em Portugal, a água mais barata custava o dobro do que por cá.

Comer num restaurante era bastante mais caro do que no Porto (zona onde vivo) e bastante pior.

O que retirei das pessoas com quem falei e pelo pouco que vi, é que é um Povo profundamente socialista (como é o português), e que o valor da poupança há muito que foi abandonado.

É um país que, como Portugal, apostou na construção como motor de crescimento, País onde existe muita corrupção e obras públicas que não se percebe bem o interesse.
País com muita divida pública escondida, penso que se pedissem um resgate que iriam ver a divida aumentar
de forma explosiva.

Um país em que o salário médio é superior ao da Alemanha, com um salário mínimo de 646€ e com 27,16% de desemprego oficial (o real deve passar seguramente os 30%), zonas em que o desemprego (andaluzia) ultrapassa os 36%, e não se pode sequer falar em baixar salários (apesar de na realidade estar a baixar).
Culpa-se ainda mais a sra Merkel do que por aqui.

Perguntei a alguns espanhóis com quem privei se sabiam quem era o Prof Huerta de Soto, nenhum o conhecia....

domingo, 5 de maio de 2013

Em defesa do €uro




Más información en www.endefensadeleuro.com


sábado, 4 de maio de 2013

O tigre asteca


Porque o México é hoje o tigre asteca


Duas décadas atrás, um influente crítico social do México proclamou que Los Angeles era "o coração do sonho mexicano". Pedro P. concordou e deixou para trás sua terra natal em Oaxaca para trabalhar como jardineiro no vale de San Fernando, na metrópole californiana. Mas, depois de 14 anos trabalhando como imigrante ilegal, Pedro, 44 anos, decidiu voltar para casa no fim de abril, atraído por um ressurgimento econômico que tem levado alguns analistas a rotular o México de o "tigre asteca".
[image]LatinContent/Getty Images
O presidente Peña Nieto vem cumprindo as promessas de reformar o país
Ele não está sozinho. De acordo com o Projeto de Migração do México, a taxa de imigração ilegal de mexicanos para os Estados Unidos está em quase zero. Em seu auge, em 1999, chegou a registrar 55 migrantes para cada 1.000 homens mexicanos. Em 2010, caiu para 9 migrantes por 1.000 homens, um nível que não era visto desde os anos 60.
Quando o presidente americano Barack Obama visitar o novo presidente mexicano esta semana, vai encontrar um país muito diferente daquela imagem que muitos costumam ter. Mesmo engolfado numa sangrenta guerra contra as drogas, o México viu sua economia crescer 4% em 2012, uma taxa que deve chegar a até 7% anualmente nos próximos anos, segundo previsões.
Em 2012, os investidores estrangeiros injetaram US$ 57 bilhões em ações e títulos de dívida do país, cinco vezes mais que o valor investido no Brasil no mesmo período. Grandes fabricantes como a Bombardier e a General Electric estão expandindo suas operações no México e gerando empregos de remuneração alta, aproveitando a abundância de engenheiros e outros profissionais do país.
O setor manufatureiro está recebendo de volta inclusive operações que começaram a ser transferidas para a China na década de 90, praticamente na mesma época em que a migração mexicana para os EUA inchou. A média anual de salário por hora no México é hoje de US$ 2,10, comparado com US$ 1,63 na China. Acrescente aí custos mais baixos de transporte para o grande mercado comprador dos EUA, além da expansão do mercado doméstico do próprio México e o atrativo econômico, é claro.
O que mais surpreende é que a crescente sensação de que o México vive um período de virada é baseada não só em perspectivas econômicas, mas num aumento da confiança no governo mexicano, especialmente num momento em que os líderes eleitos de países mais desenvolvidos parecem ter dificuldades para encontrar maneiras de lidar com problemas de longo prazo.
Como a maioria dos mexicanos que não deixaram o país, aqueles que trabalham no exterior há muito desconfiam de seus políticos, especialmente os do PRI — o partido notoriamente corrupto e autocrático que governou o México por 71 anos antes de uma transição democrática há 12 anos. Agora, o PRI está de volta, desta vez por meio de eleições livres e justas, e seu novo líder carismático, o presidente Enrique Peña Nieto, promete levar o país à próxima etapa de desenvolvimento, como uma sociedade de classe média totalmente globalizada.
Na cerimônia de posse em dezembro, Peña Nieto se posicionou em frente aos monopolistas mais poderosos do país, Carlos Slim Helu e Emilio Azcárraga Jean, e prometeu desmantelar seus impérios de TV e de telecomunicações. Ele prometeu reformar o sindicato dos professores que, de forma inacreditável, há muito tempo tem poder para contratar professores e até mesmo transferir cargos hereditários. E prometeu ainda "abrir" a Pemex, o abatido monopólio estatal de petróleo que se manteve ao centro da ideologia nacionalista do México desde os anos 30.
O público presente à posse se surpreendeu com o escopo e a especificidade do programa do novo presidente — e com o fato de que ele estava atacando abertamente os pilares históricos do poder do PRI. Um "pacto" de consenso com outros partidos garantiu apoio à lista de reformas.
Seis meses depois, Peña Nieto começou a cumprir as promessas. A presidente do sindicato dos professores, Elba Esther Gordillo, foi presa por desfalque. Novas leis foram aprovadas para permitir que o governo desfaça monopólios. Planos para a abertura da Pemex estão em bom caminho, e a nova legislação é iminente.
O sucesso de Peña Nieto não está garantido. Cortar pela raiz a corrupção e estabelecer um sistema judiciário totalmente funcional são desafios enormes. Mas ao contrário de muitos outros líderes de governo, ele está agindo para resolver a principal crise dos tempos atuais: como governar uma democracia moderna de forma eficiente, algo que, por natureza, gera discórdia e desacordo.
A força de autocracias de um único partido como o velho PRI — ou o mandarinato moderno da China — é a unidade de seus propósitos e sua capacidade de colocar em prática mudanças estruturais de longo prazo. As democracias no Ocidente estão paralisadas, incapazes de construir um consenso que as tirem da cacofonia e multiplicidade de interesses divergentes.
O desafio para o México e outros países será equilibrar essa impressionante capacidade institucional com transparência e supervisão pública. Um governo eficaz é algo bom, mas não à custa da democracia responsável.
O escritor peruano Mario Vargas Llosa deu um rótulo ao México controlado pelo velho PRI que ficou famoso: "a ditadura perfeita". Tinha as qualidades de uma democracia — eleições diretas e transferência de poder a cada seis anos.—, mas era governado por um punho de ferro e pagamentos por debaixo da mesa. Agora o México tem a oportunidade de aperfeiçoar sua democracia e servir de modelo para o mundo.
— Berggruen e Gardels são autores do livro 'Intelligent Governance for the 21st Century: A Middle Way Between West and East' (em tradução livre, Governança Inteligente para o Século XXI: um meio termo entre o Ocidente e o Oriente).


Bater o Punho (Parte 2)

Escrevi a 6 de Abril, antes da decisão do TC, de que Gaspar e Passos Coelho não podiam desistir.

99% da população diz que a austeridade é má, e os outros 1% acham-na inevitável e tem mesmo que acontecer. O problema é que ninguém refuta ninguém. Não há capacidade argumentativa para deitar abaixo as ideias dos outros e corroborar as nossas.

Moral da História:
Abre-se o caminho para a polarização, para um descontentamento generalizado e um sentimento de total incerteza acerca do que irá acontecer amanhã.
Quem não tem âncoras bem fundas acerca das suas convicções, não resiste a tanta confusão na informação que os media passam hoje em dia. Dá em maluco.

Não sabia se Gaspar e Coelho iriam desistir ou não caso a decisão do TC fosse adversa.
Acabou por ser bem adversa, mas não desistiram.
Atiraram-se novamente prá frente, bateram o punho, e contra tudo e contra todos lá tentam levar o barco avante.
É verdade que fazem-no com péssima comunicação, sem uma estratégia bem definida, com pouca preparação, mas todos os outros, incluindo o CDS, nada querem fazer. Têm medo da punição do eleitorado. Por sabermos que estas forças políticas desistiram de querer reduzir o défice, é preciso dar valor a quem continua a lutar por aquilo em que acredita.

Não ceder, não desistir, substituir imediatamente medidas consideradas inconstitucionais por outras, constitucionais ou não, logo se vê.
Tem é que se propor e implementar medidas de redução da despesa, COM A CERTEZA DE QUE AS RECEITAS CONTINUARÃO A CAIR, EXIGINDO AINDA MAIS CORTES E COLOCANDO EM CAUSA MUITAS VACAS SAGRADAS

É a veracidade desta última frase que mete Medo a todos aqueles que já desistiram da austeridade ou que nunca gostaram dela. Não aguentam o Mal que esta receita traz no curto prazo às populações, e como gente cobarde que são, baixam os braços, resignam-se, deixam-se levar pela solução mais fácil, e como mecanismo de vitimização e de falta de auto-estima, vociferam contra aqueles que tentam fazer aquilo que deve ser feito, que é colocar as despesas ordinária no mesmo patamar das receitas ordinárias.

Vivemos num autêntico estado de guerra ideológica e psicológica. De que lado queres estar?

Tiago Mestre

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A ilusão do crescimento


A ilusão de crescimento

Como o estímulo dos bancos centrais estão a criar uma bolha global


  Mark Grant in Florida: It's a global bubble and the party is going to end soon.



Mark Grant  está no convés de seu iate ao sol da primavera no sul da Flórida, ostensivamente saboreando sua riqueza apenas como um americano faz, e dando conselhos. Ele fez o seu dinheiro, e ele gosta de usá-lo.
A personalidade de Grant é tão grande quanto sua mansão e tão chamativa como sua coleção de carros exóticos - ele realmente se apelida "The Wizard", um tributo à sua própria perspicácia financeira assim o exige.
Enquanto estamos a falar, os seus telemóveis tocam de forma intermitente, e as chamadas são geralmente de homens de negócios. Bill Gross da Pimco, a maior agência de investimento do mundo, é um amigo, o seu louvor adorna a sobrecapa do recente livro de Grant.
Inevitavelmente, as chamadas estão buscando conselhos de investimento.
Há quase 40 anos  em Wall Street o veterano Grant é atualmente o diretor de um banco de investimento com sede no Texas e autor diário de leitura obrigatória (comentário investimento) chamado Out of the Box.
Seu conselho nos dias de hoje para magnatas e pequenos investidores é simples e direto. Pelo amor de Deus, busquem a segurança. Preservem o seu capital. "Mantenham o que vocês tem."
Para Grant, a impressão de dinheiro dos bancos centrais tem distorcido o universo financeiro além de quaisquer dimensões sensíveis.
A Reserva Federal só está produzindo 85.000 milhões dólares por mês, ou pouco mais de US $ 1 trilhão por ano. Os balanços patrimoniais combinados (que refletem o dinheiro criado) para o Banco Central Europeu e os 17 bancos individuais da posição da zona do euro em 3450 bilião dólares.
O Banco da Inglaterra, a impressora de dinheiro mais enérgica no mundo em relação ao tamanho da economia que serve, tem impresso £ 375.000.000.000 (cerca de 576.000 milhões dólares EUA), e, provavelmente, vai imprimir mais. O Banco do Japão acaba de lançar um programa de seu próprio dinheiro-impressão agressiva, pretende dobrar o tamanho de seu balanço dentro de dois anos.
A onda de "dinheiro novo" nos balanços do banco central desde 2008.A onda de "dinheiro novo" nos balanços do banco central desde 2008. (Fundo Monetário Internacional)
Ao todo, no final de 2012, os balanços dos maiores bancos centrais do mundo,  das nações do G20 e da zona do euro, incluindo a Suécia e Suíça, totalizaram 17,4 trillion dólares dos EUA, de acordo com o Bank of cálculos Canadá a partir de dados disponíveis publicamente.
Isso é quase um quarto do PIB global, e um pouco mais que o dobro dos $ 8500000000000 que essas mesmas instituições estavam segurando no final de 2007, antes da crise financeira.
A ideia por trás de tamanha generosidade dos bancos centrais é reflacionar a oferta de dinheiro do mundo após o colapso desastroso de 2008 e, ao mesmo tempo, empurrar as taxas de juros para baixo, tanto quanto possível, na tentativa de conseguir que as pessoas - e empresas - consigam empréstimos e gastem novamente .
Até à data, no entanto, os resultados foram mistos. A economia dos EUA foi avançando para a frente, enquanto a Grã-Bretanha está à beira de um mergulho triplo em recessão. Grande parte da Europa também está em recessão profunda e afundando sob o peso da alta taxa de desemprego.
Se o programa de impressão de dinheiro maciço conhecida como afrouxamento quantitativo evitou uma situação ainda pior é discutível.Mas uma coisa é certa: É simplesmente impossível libertar essas forças econômicas sem consequências graves, intencionais e não intencionais.

Economias da bolha

Quase todo mundo concorda o índice Dow Jones industrial - a medida da América blue-chip - não chegaram a um recorde histórico recentemente por causa do crescimento econômico vibrante ou do desempenho fabuloso pelas empresas listadas nesse índice.
Mercados estão onde estão, principalmente, porque o Federal Reserve foi engolindo as contas do Tesouro dos EUA, o investimento mais seguro do mundo, em uma tentativa deliberada para forçar os investidores privados em ativos mais arriscados, como ações.
É uma forma high-stakes de engenharia de mercado.
O Fed vem atuando em concerto raro com os bancos centrais em todo o mundo para incentivar empréstimos e gastos - e risco. E porque todo o dinheiro novo que está sendo desencadeado tem que fluir em algum lugar, ele foi fluindo, entre outros lugares, nos mercados de ações.
Ao mesmo tempo, os super-baixas taxas de juros resultantes de toda esta impressão de dinheiro já aquecido mercado imobiliário nas grandes cidades em todo o mundo - Toronto e Vancouver são exemplos perfeitos.
Grant diz que os mercados e os governos têm desenvolvido um vício fácil, dinheiro barato para financiar o endividamento irresponsável.
"Toda esta impressão de dinheiro é a criação de um mercado que se baseia em uma fantasia", diz ele.
Pela primeira vez na história, não há uma única bolha lá fora, mas "um mundo inteiro em uma bolha. Cada classe de ativo, tudo o que você pode pensar. Tudo está em uma bolha e algo vai fazer estoura-la.
"A festa", diz ele com grande certeza: "vai acabar." 

Uma enorme aposta

Economistas de think-tanks, que dependem de modelos econométricos e falam uma língua tão codificado que se tornam incompreensível para a maioria das pessoas tendem a olhar para baixo seus narizes em analistas como Grant, referindo-se a eles como "the newsletter crowd."
Crédito barato está alimentando banco corridas do mercado e compra de casa nova em grande parte da América do Norte.  Mas em lugares como a Espanha, os problemas bancários têm levado a casas recuperados, pouca construção e grandes protestos nas ruas.Crédito barato está alimentando corridas de mercado e compra de casa novas em grande parte da América do Norte.Mas em lugares como a Espanha, os problemas bancários têm levado a casas devolvidas, pouca construção e grandes protestos nas ruas. (Associated Press / Reuters / Reuters)
Mas Grant mostrou presciência. Ele estava entre os primeiros a prever a implosão financeira da Grécia, e ele apontou corretamente a fraude que se estavam a cozinhar em outras economias da zona do euro.
Ele também está longe de ser o único a contemplar um final ruim.
Recentemente, o Banco de Pagamentos Internacionais, em Basileia ecoou a preocupação de Grant que os mercados estão a desenvolver um hábito fácil de dinheiro e o Fundo Monetário Internacional acaba de publicar um documento reconhecendo a possibilidade de toda essa impressão de dinheiro (que ele chama de "política monetária mais"), criando bolhas generalizadas e ajustes difíceis no caminho.
Ros Altmann, gerente de previdência e um governador da London School of Economics, compara flexibilização quantitativa para o tratamento de um paciente doente com a medicação que não funciona, e então, quando o paciente fica mais doente, administrando ainda mais.
"Isso deve parar", diz ela. "Isso é extremamente perigoso. Acho que a história vai julgar este período muito duramente."
Ainda assim, os banqueiros centrais têm, pelo menos, como muitos fãs como o fazem os críticos.
Don Johnston, o ex-presidente do Conselho do Tesouro no governo de Trudeau e ex-diretor da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento, admira-los muito.
"Eu acho que eles têm mais credibilidade do que os políticos", diz ele, "e tem sido muito feliz que quase todos os bancos centrais são independentes do braço político."
Johnston admite que o poder dos bancos centrais no momento é "imenso". Mas ele acrescenta: "Nós tivemos um grande incêndio, e eles absolutamente teve um papel fundamental a desempenhar, e eles tocaram, eu acho, muito bem."
Ainda assim, mesmo Johnston, com sua profunda experiência em finanças públicas, permite que ele não entende as complexidades da política monetária de hoje, e os argumentos a favor ou contra a abertura das torneiras, tanto quanto eles foram.
Ao agir em conjunto para empurrar o mundo na mesma direção, os banqueiros centrais têm feito algumas apostas enormes. E, diz Johnson, "é melhor que estaria certo."
O problema é que eles têm sido errado no passado recente.
Previsões económicas do Banco Central nos últimos anos têm sido, por vezes, bem longe da marca, o que significa que, também, podem estar agindo em suposições equivocadas.
Além disso, mesmo alguém tão aparentemente onisciente como Alan Greenspan, chefe do Federal Reserve através do Bill Clinton e George W. Bush anos, admitiu publicamente seu erro em recusar-se a regular o mundo obscuro dos credit default swaps, que atuou como acelerador no desastre de 2008 .

Como 'descontrair'

Economistas conservadores previram há anos que a expansão da oferta de moeda levará inevitavelmente à inflação, ou mesmo hiperinflação.Isso, é claro, não aconteceu neste caso, principalmente porque tem havido tão pouco crescimento econômico e porque o mundo está inundado na produção de bens de consumo.
Mas a grande questão, quase todos concordam, é se os bancos centrais podem "relaxar" a situação sem precedentes que eles criaram, sem interrupção maciça (não menos importante para os seus próprios balanços, que agora estão recheadas com a longo prazo rolamento, a juros baixos títulos como parte do afrouxamento quantitativo).
É uma pergunta impossível de responder.
Os mercados financeiros examinar as atas resumidas após cada reunião do comitê da Reserva Federal que autoriza QE, à procura de qualquer sinal de impressão de dinheiro está prestes a terminar.
Esse final seria um sinal de ascensão, talvez até mesmo uma afiada, nas taxas de juros, o que poderia bater o mercado imobiliário duro.
Proprietários de casas com apenas uma pequena quantidade de capital e que já estão no limite seria extremamente estressado.
Alterações na taxa de juro significativas também poderia afetar os bancos, fundos de pensão e companhias de seguros, bem como as pequenas empresas que têm confiado em crédito barato para expandir as folhas de pagamento.
E as taxas de juros mais altas também bater nos orçamentos governamentais. Os políticos têm vindo a contar com dinheiro barato para financiar seus empréstimos e gastos.
Naturalmente, as pessoas de topo do Banco da Inglaterra, a Reserva Federal e o Banco do Canadá argumentam que um retorno à normalidade pode ser gerenciado.
Assim como os bancos centrais têm o poder de criar dinheiro, diz o Canadá Mark Carney, eles têm o poder de tirar dinheiro do sistema, e vai, lentamente, como retornos de crescimento.
Eles podem começar a vender os ativos que eles compraram com todo esse dinheiro, e eles têm o poder de suma importância para definir as taxas de juro diretoras. Se a retoma do crescimento, de fato, eles vão ter que fazer essas coisas, a fim de conter a inflação.
Mas não "relaxar" vai acontecer em breve, diz Carney. "A reparação está em curso."
Na Flórida, Mark Grant diz a seus clientes que não há finais bons para tudo isso ", terminações apenas menos ruins".
Uma das grandes causas da crise de 2008 foi o muito dinheiro barato, diz ele," e há muito mais agora."
Economistas do mainstream não conseguem concordar sobre o que pode acontecer. Mas então, como Don Johnston aponta, "os economistas não sabem o que não sabem."
Enquanto isso, os banqueiros centrais, todos parecem ter desembarcado no mesmo lado da questão, e estão marchando em passo, exortando as pessoas a tomar emprestado e gastar para o bem de todos.
"Em última análise", diz Carney, "a história vai julgar se temos esse direito."

 

Crime organizado




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Escrita em dia


Blogue: Palavrossavrvs Rex

A DECADÊNCIA DO SOCIALISMO FRANCO-PORTUGUÊS

Houve um tempo, demasiado recente, em que gastar dinheiro em Portugal era todo o âmbito da política. O que importava fazer? Gastar. Em quê? Não importa. Importa gastar. Era o socialismo. Quinze anos dele.

Deu-nos estagnação do PIB, deu-nos facilidades amargas, dívidas à fartazana, facilitismo, falências, um cortejo guloso de políticos na gula gananciosa de rapar em pelo menos duas legislaturas. Mas agora temos Gaspar, o Marciano, alguém que não contemporiza com detalhes, não se apieda com choradinhos, nem se detém com impostores de Esquerda ou com Moralistas Socialóides com demasiado boa consciência e as mãos vazias de economia, risco pessoal, em benefício dos pobres dos desempregados.

Graças a Gaspar, nunca a realidade deu tanta coça a um País mal-habituado, indústrio-desactivado, viciado em dinheiro natural como a nossa sede por anos e anos de socialismo optimista. Deveríamos agradecer a Gaspar o dom da sova que levamos. Finalmente, há pancada em Portugal e levar porrada deixou de ser politicamente só garganta. Levar no focinho era, há muito, uma necessidade nacional. Eça por interposto Ega advogava precisamente uma sova regeneradora, repleta de sangue e aprendizagem automática do orgulho português. Ora, aquilo que nos seria inoculado por uma brutal invasão espanhola, está a ser-nos ministrado por uma brutal tesourada social e uma abstenção solidária alemã.

Portanto, estamos à espera de um espancamento há pelo menos cento e trinta e três anos, tomando simbolicamente a data de publicação de Os Maias como ponto de partida. Por isso, nada de mariquices. Contrololem aí os paneleirismos sociais e a vontade de chorar. Agora é a sério. O socialismo decadente resultou no pior possível a um País só capaz do Ouro do Brasil ou dos Fundos Comunitários, incapaz de mais nada especialmente agora que a Alemanha já não avalizar mais regabofe.

O que é o socialismo decadente? Dirigentes cujos actos e modo de vida falam por si, no refúgio parisiense, na treta comentadora que não faz acontecer ou na covarde paralisia eleitoralesca do Largo do Rato. Não estão sós. O decadente socialismo francês também está repleto de mentirosos em directo, contas em offshores escondidas, negadas e renegadas, lágrimas de crocodilo e sobretudo aquela paperasserie que bloqueia tudo aquilo que importa: economia, mas não os swap, as PPP, a longa lista de merdas que nem o diabo vê.

Para onde vão os seus impostos




quarta-feira, 1 de maio de 2013

Consolidação orçamental - O exemplo da Irlanda


Por José Ferreira  - (artigo publicado no Jornal "Vida Económica"- 19-04-2013)

O programa de consolidação orçamental adoptado após o resgate financeiro está longe de ser considerado um sucesso, não só pelo facto das metas estabelecidas serem anualmente revistas para serem cumpridas, mas sobretudo pelos efeitos devastadores que o mesmo tem provocado na economia portuguesa. Apenas em 2012, verificou-se um aumento de 18,7 mil milhões de euros da dívida das administrações públicas, o desemprego atingiu um valor recorde de 16,9%, as receitas correntes do Estado (mesmo com o aumento generalizado de impostos) contraíram 6,1% face a 2011 e a actividade económica degradou-se com uma contracção do PIB equivalente a 5,6 mil milhões de euros. 
Perante estes números, torna-se inevitável questionar se as medidas adoptadas no âmbito do programa de consolidação orçamental foram de facto as que surtiram a relação custo-benefício menos lesiva para o país. Na verdade, existem evidências de consolidações orçamentais que ao invés do que defende a teoria keynesiana (consolidações orçamentais têm necessariamente efeitos contraccionistas), obtiveram no mesmo período da sua execução crescimentos económicos e reduções das taxas de desemprego. Exemplos disso foram as consolidações orçamentais implementadas na Irlanda (1987-1989) e na Dinamarca (1983-1986). 
Especificamente no caso irlandês, de acordo com um artigo publicado por Jim O’Leary na National University of Ireland, a Irlanda tinha registado elevados défices orçamentais nas décadas de 70 e 80, os quais resultaram numa dívida pública equivalente a 113% do PIB em 1987. No entanto, mesmo tendo registado défices orçamentais superiores a 2 dígitos, a Irlanda teve a audácia de implementar uma consolidação orçamental que associou uma drástica redução da despesa pública, combinada com uma diminuição dos impostos directos e indirectos. Durante o processo de consolidação orçamental (1987-1989), a Irlanda diminuiu a despesa pública num valor equivalente a 6,9% do PIB, e, entre 1989 a 2001, o crescimento do país rondou em média os 7,2%. A Irlanda efectuou uma das maiores reduções do peso do sector público entre os países da União Europeia, a qual em Portugal corresponderia a uma redução de 11,4 mil milhões de euros. Paralelamente, implementou uma diminuição de impostos que aumentaram significativamente a atractividade fiscal e a competitividade-preço do país provocando um efeito crowding-in do investimento privado, o qual resultou numa redução da taxa de desemprego de 18% para 5% entre 1991-2000.
Tal como no caso irlandês da década de 80, a actual crise económica que Portugal enfrenta é o resultado do acumular de excessos públicos e privados financiados até então com dívida, essencialmente, externa. Perante uma dívida pública excessiva e em crescimento é essencial que a mesma seja compensada por um crescimento económico, de forma a serem criadas condições para diminuir a representatividade da dívida e garantir a sua sustentabilidade. Por esta mesma razão, a adopção de um processo de consolidação orçamental essencialmente sustentado pelo ajustamento da despesa à receita e não oposto, seria provavelmente uma melhor opção. Porém, a recente decisão de chumbo do Tribunal Constitucional à suspensão dos cortes na função pública e pensionistas dificulta, ainda mais, a execução do reequilíbrio orçamental via redução da despesa pública. Segundo afirmações do actual executivo, o chumbo destas medidas será compensado através de outros cortes na despesa pública. De facto, num contexto em que a carga fiscal é já elevada, a reestruturação da despesa pública é uma condição necessária não só para reequilibrar a consolidação orçamental, mas também para a redução das necessidades de financiamento do Estado e sustentabilidade das Finanças Públicas.


Adenda (comentário recebido do estimado leitor e amigo Paulo Monteiro Rosa)




Um texto interessante, bastante bom e que vem ao encontro do nosso pensamento e da realidade, que custa a muitos aceitar.

Só um aparte: Não existe crowding-in, porque jamais um euro gasto pelo Estado trará mais que 1 euro sustentável no futuro (pode no muito curto prazo trazer alguma dinâmica à economia, com o aumento do consumo que só agravará no futuro as contas das famílias e investimentos errados, em rentabilidade baixa e de curto prazo como o imobiliário e além disso é financiado pelo aumento de dívida, de impostos e não pela não redução da despesa pública)o multiplicador é sempre inferior a 1 no longo prazo.

O efeito crownding in refere que, principalmente em épocas de recessão, o aumento dos gastos públicos trarão um aumento da actividade económica no sector privado, ou seja o contrário do crownding out assente no afastamento e na diminuição do sector privado quando aumentam os gastos públicos. Crowding-in designa o efeito de aumento do investimento privado resultante do aumento da despesa pública. Como o autor refere uma diminuição dos impostos não se pode traduzir em mais despesa pública. Um pequeno lapso num texto excelente e que vem ao encontro do que eu defendo há muito tempo. Desde que ando pelas teorias económicas e me tornei economista.

O crowding-in, segundo a mainstream é virtuoso em economias em recessão. O aumento da despesa pública (e consequente aumento da dívida) pode estimular o investimento das empresas. Segundos a corrente principal, uma política de orçamental expansionista levará provavelmente à recuperação dos níveis de actividade económica, através do consumo e as empresas poderão de novo expandir as suas vendas e lucros e consequentemente terão mais incentivos ao investimento. Este raciocínio está totalmente errado no longo prazo pelo acima referido: há uma aumento do consumo e de incestimento errados que se traduzem em mais actividade económica, mas que terá que ser corrigida no longo prazo com uma nova e mais forte recessão, é a prova cabal para a existência de ciclos económicos. Nós precisamos de poupança, para não dependermos de recursos externos e lançarmos produtos de valor acrescentado sustentáveis e com mais estágios de produção como seja a I&D e não de consumo com crédito, que empurra com a barriga os problemas. Além disso já não temos quem nos empreste dinheiro.

Em suma o que deve ser feito, 3 coisas: diminuição da despesa pública, dos impostos e da dívida pública. Precisamente foi tudo feito ao contrário quer em Portugal quer na Europa. O forte ajustamento surgirá no futuro. Os alicerces para uma nova crise financeira estão criados e ainda esta não está resolvida. 1929 está cada vez mais perto.

Cortar 6 mil milhões não chega, mas Gaspar está de parabéns


Feitas as contas, de 2011 para 2012 Gaspar conseguiu cortar 6 mil milhões de euros. Aparentemente fê-lo através da redução de custos com pessoal e com o investimento.
A despesa em 2009 e em 2010 nem conto com ela para nada, já que se inseriu na loucura de Sócrates em querer estimular a economia pelo lado da despesa. Foi uma aberração financeira o que aconteceu nestes dois anos e deveria ficar nos Anais da História dos grandes erros financeiros que um Estado deve evitar a todo o transe.

Cortar 6 mil milhões de 2011 para 2012 é muito dinheiro, e temos que dar os parabéns ao homem por ter conseguido tal feito.
Infelizmente esse corte foi acompanhado de uma queda das receitas, deixando o défice numa posição quase inalterável, os tais 10 mil milhões de euros.

Para um Estado como o nosso, que ocupa quase 50% da nossa economia, reduzir na despesa significa também captar menos receita, por muito que os impostos aumentem.
Vai daí e a despesa tem que ser cortada, para começar, em 10 mil milhões, devendo continuar essa trajetória até que as despesas ordinárias igualem as receitas ordinárias.

Só depois de um corte de 20 ou 30 mil milhões é que talvez as despesas igualem as receitas, ali por volta dos 50 a 55 mil milhões de euros. Já escrevi várias vezes que o meu palpite (porque não passa disso mesmo) roçará este valor.

Tomei consciência desta evidência ali por volta de meados de 2010, e pelo facto de muito comentador negligenciar esta correlação decidi avançar com o blog Contas Caseiras. Tentei tanto quanto possível expor esta correlação, referindo que reduzir despesa não seria uma panaceia.

O tempo foi passando, e 2 anos depois podemos constatar que as coisas estão a processar-se mais ou menos desta maneira.
Não é bom, é mau, mas o que importa reconhecer é se estamos no caminho da verdade ou no caminho do engano.

Mas se Gaspar estiver apenas a pensar cortar 1300 milhões em 2013 e 4,7 mil milhões entre 2014 e 2017, totalizando 6 mil milhões em 5 anos, não creio que tais medidas sejam suficientes para corrigir o défice, a não ser que nos esteja a escapar qualquer coisa.
Porquê?
Porque considero que as projeções do crescimento do PIB apresentadas no DEO2013 são demasiado otimistas. Oxalá esteja enganado, mas não vejo como se conseguirá ir buscar a diferença no lado das receitas para que o défice fique a roçar o ZERO. Aumentar impostos já foi chão que deu uva. Será necessário continuar a cortar nas pensões, no pessoal, e por aí fora.

Tiago Mestre

Eu não sou de intrigas, mas...

via Facebook - Duarte Marques (deputado PSD)

«Há pouco ao pé do Marquês de Pombal encontro um grupo : então de onde vêm: Escola Profissional do Crato. E que vêm fazer? vimos para a manifestação. Quem vos convidou? O Presidente da Camara do Crato. E vocês sao de onde? Somos estudantes de Cabo Verde e estamos cá a estudar. O senhor Presidente é que nos paga as bolsas e nos viemos a convite dele e da escola. Protestar? Sim! Contra o quê? Não sabemos! Mas assim viemos a Lisboa e ainda ganhamos almoço e jantar! Maravilha, tudo isto pago pelos contribuintes!»

Swaps - a loucura dos gestores públicos