sábado, 19 de julho de 2014

Num País onde muito se fala sobre solidariedade

(via Com Jornalismo assim)

O “elefante no meio da sala” que os profissionais da indignação nos media ignoram…

Recordar, antes, este post:

"O Tabu das assimetrias regionais em Portugal
Num País onde muito se fala sobre solidariedade - especialmente neste período mais recente, em que frequentemente se aponta aos países mais ricos (como a Alemanha) o facto de não ajudarem os mais pobres -, é curioso que o tema das disparidades regionais de riqueza em Portugal sejam quase um tema tabu.

 
Por exemplo, sabia que de acordo com dados do INE, na comparação entre regiões (NUTS III,) a região da Grande Lisboa revela um PIB per capita superior à média do país em mais de 60%?

E que, segundo o mesmo indicador de riqueza, um cidadão residente na capital mais do que triplica o valor do mesmo indicador relativamente a um compatriota da região do Tâmega?"
 
 
Entretanto, ontem na comunicação social (embora a notícia não tenha merecido a atenção dos media "mainstream" sedeados na capital...) era noticiado:

Tâmega e Sousa é quem mais contribui para a balança comercial do país.

"O presidente do Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa (CETS) disse hoje à Lusa que a região é a que mais contribui para a balança comercial do país.

Segundo Luís Miguel Ribeiro, aquele território destaca-se por apresentar a melhor
taxa de cobertura entre importações e exportações, superior a 240%.
 
O dirigente representa as empresas da região que lidera os indicadores nacionais de exportação nos setores de calçado, mobiliário, vinho verde e extração e transformação de granitos."


Face a este "Estado da Nação", ninguém na comunicação social seinterroga: porque será que aqueles que mais riqueza produzem são, simultaneamente, os mais pobres?!

E não venham com aquelas tretas de "economês" acerca da exportação de produtos "de baixo valor incorporado", do baixo "índice tecnológico", etc.. 
 
Por um lado, os produtos atualmente exportados, já não são os mesmos de há 15 - 20 anos atrás.
 
Por outro - e esta é a questão de fundo - Portugal só regista estas disparidades de rendimento (recordar quadro acima do INE: um cidadão da Grande Lisboa tem o triplodo rendimento do Tâmega), em virtude da apropriação, via saque fiscal, de uma significativa parte dos rendimentos de pessoas e empresas das regiões onde,efetivamente, se produz riqueza, para depois "redistribuir", alimentar, essemonstro que é a estrutura do Estado e cuja organização administrativa se concentra essencialmente em Lisboa.
 
 
Sob o pretexto de "reduzir a despesa", quantas escolas, centros de saúde, tribunais terão sido encerrados no período recente na Região do Tâmega, tendo essa "poupança" servido apenas para continuar a sustentar os empregos dos burocratas do estado central num qualquer serviço entre ministérios, secretarias de estado, direções gerais, secretarias gerais, institutos e empresas públicas, observatórios, comissões, fundações, inspeções gerais, gabinetes de estudos, etc..?
  
 
Interrogam-se porque se fala, há anos, na importância de uma "Reforma do Estado" e ela não acontece?... 
 


1 comentário:

taawaciclos disse...

A única solidariedade que interessa cá no Burgo é que os pobres/remediados sustentem os miseráveis!

E como? Através de banco alimentar contra a fome e de outras coisas divertidas do mesmo ramo de actividade!

E assim resolvem-se alguns problemas.

Conseguem manter a MANADA de idiotas com alguma comida no bucho pelo que serenam o ímpeto de partir para os coices.

Provocam a sensação nos pobres/remediados de que estão a ajudar o próximo, o que sustenta o EGO!

Permite que alguns indivíduos das classes mais abastadas da sociedade tenha um hobby para se ir distraindo (por exemplo a senhora dos bifes) e ao mesmo tempo para aparecerem nas televisões armados em solidários!

Permite que todo um Gangue de Salafrários se aproveite dos pobres/remediados/miseráveis para lucrarem! Desde firmas de publicidade a cantores, actores, futebolistas, deputados, políticos, presidentes, et cetera!

Dá para TUDO...

E a MANADA agradece o feno!